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08/03/2014 08:35

O poder da manipulação das massas

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

A fase inicial da mais recente versão do filme Robocop, que entrou em cartaz no Brasil, mais se assemelha a um videogame. Mas apesar de alguma previsibilidade, aos poucos a trama vai crescendo e começa a empolgar com a posição complicada em que Alex Murphy - o Robocop interpretado pelo ator Joel Kinnaman -, fica submetido aos interesses econômicos na produção e venda das máquinas policiais robóticas. É interessante de se ver.

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O filme mostra que com o travamento decorrente da lei do senador Dreyfus, bem aceita pelo público e que impede a implantação de máquinas sem conteúdo humano no policiamento, Sellars (Michael Keaton), o CEO da Omnicorp, poderosa fabricante de armamentos, se põe a campo com o propósito de modificar a opinião da população e influenciar os congressistas para revogar a lei. As comunicações e a psicologia das massas são mobilizadas por ele com grande astúcia, distorcendo os fatos de acordo com suas conveniências, sendo auxiliado nisso pela cínica diretora das questões jurídicas da corporação. Novak, interpretado por Samuel L. Jackson, é o garoto propaganda, muito convincente no seu trabalho de seduzir as massas através da televisão.

Já o Dr. Dennett (Gary Oldman) apresenta um ensaio de neurociência no estudo da dinâmica cerebral de Alex para transformá-lo no Robocop. Porém o médico fica muito distante do núcleo interior, que quando desperto se sobrepõe ao raciocínio, achando que a consciência é formada pelas experiências de vida, deixando de lado a intuição e sua origem e a prerrogativa humana da livre resolução. Sua preocupação é evitar que a sensibilidade de Alex interfira no trabalho do Robocop.

Como as máquinas e os personagens da ficção, no mundo real os humanos também estão sujeitos a manipulações em sua consciência. Temos de estar vigilantes para não engrossarmos as massas de manobras formadas pelos indolentes. Edward Bernays (1891 – 1995), austríaco que foi pioneiro no campo das relações públicas e da propaganda, e que ajudou a popularizar nos Estados Unidos as teorias de seu tio, o psicanalista Sigmund Freud, disse em seu livro Propaganda, editado em 1928, que poderíamos ser largamente governados, ter nossas mentes moldadas, nossos gostos formados e nossas ideias sugeridas por homens que nunca nem ouvimos falar. Barnays se baseava no princípio de que as pessoas são irracionais, suas decisões e ações são manipuladas facilmente, e aplicava esse conceito na construção da propaganda.

Ele mostrou que a propaganda era uma arma poderosa para influenciar nas mais diversas atividades humanas, desde o consumo de produtos até as campanhas político-eleitorais, e que é possível moldar a mente das massas de forma que elas conduzam a força de sua decisão na direção desejada, supondo que estão agindo com o seu livre-arbítrio. Em uma de suas citações ele afirmou: “a manipulação consciente e inteligente dos hábitos organizados e opiniões das massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam este mecanismo oculto da sociedade detêm um poder invisível que acaba se tornando predominante sobre os anseios da população.”

Segundo o escritor alemão Abdruschin, autor da Mensagem do Graal, o ser humano recebeu do Criador uma força de livre resolução, as faculdades de raciocinar e de sentir intuitivamente. Por isso temos o dever de praticar o poder da reflexão, acompanhando atentamente todos os acontecimentos, ligando-os com lógica, para não cairmos, por preguiça espiritual, na condição de escravos de crenças cegas. Isso levaria ao reconhecimento da existência das leis naturais da Criação, e ao respeito a elas, que traria a paz e a felicidade.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, e associado ao Rotary Club São Paulo. Realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros “ Conversando com o homem sábio”, “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”, e “2012...e depois?”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

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