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26/12/2013 13:30

O Programa “Mais Médicos” e a quebra de paradigmas da Medicina no Brasil

Por Ivo Campos (*)

Ao ler algumas publicações sobre a vinda da médica cubana Karelia Valdez (que gosta de ser chamada de ‘Karen’), para trabalhar em Dourados, através do Programa “Mais Médicos” do Governo Federal, fiquei a pensar sobre o fato de historicamente no Brasil somente os filhos e filhas das pessoas de classe média alta e da burguesia entrarem para as Faculdades de Medicina. É claro que não podemos eximir algumas raras e honrosas exceções, mas o foco da reflexão que trazemos aqui é a regra, e essa é marcada pelo privilégio.

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Diante dessa constatação, penso que é possível refletir acerca da função social da Medicina, que é de cuidar da saúde da população, independente da sua classe social. Partindo da premissa de que a formação em Medicina sempre foi cursada por grupos privilegiados da nossa sociedade, podemos compreender o porquê da iniciativa do Governo Federal em lançar em julho desse ano o Programa Mais Médicos, que surge como mais um desafio, a exemplo do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e outros, que têm como finalidade primeira a quebra paradigmas arraigados na sociedade brasileira.

Em Dourados já obtivemos avanços, sobretudo pelo fato de o vestibular da UFGD para o ingresso no Curso de Medicina, a partir de 2014 ter destinado 50% das vagas para estudantes que comprovaram ter cursado todo o Ensino Médio em Escola Pública. Além disso, desse quantitativo de vagas, metade delas foram destinadas a futuros acadêmicos (as) oriundos de famílias com renda de até um salário mínimo por pessoa. Essa iniciativa faz parte de uma estratégia do Governo Federal de aumentar anualmente de 16 mil para 20 mil o número de novos médicos/as, e que essa meta seja alcançada até 2020. Dessa forma o Brasil atingiria a média de 2.5 médicos por mil habitantes, e daria mais alguns passos para que esses novos profissionais tenham perfil para atual no SUS.

Em se tratando da formação de profissionais com perfil para atuar na área pública, junto ao Sistema Único de Saúde (SUS), vimos que por si só essa iniciativa já é um grande desafio, pois se trata de um setor em que historicamente foi constituído por indivíduos privilegiados economicamente. Portanto o Programa Mais Médicos surge para romper com esse modelo elitista e conservador.

Para que isso seja materializado fazemos votos para que o Governo, através do Ministério da Educação, pense estratégias para que possa oferecer oportunidades aos filhos e filhas de pessoas da classe trabalhadora, possibilitando a inserção destes nos Cursos de Medicina. Olhando por essa ótica, podemos vislumbrar uma transformação de valores e porque não dizer uma transformação social. E dentro desse contexto, um dos maiores desafios do Programa seria traçar metas claras, objetivas e progressistas sobre onde se pretende chegar.

Todavia, se faz necessárias mudanças significativas no modo de pensar e agir da grande maioria de médicos/medicas e dentro das próprias Instituições de Ensino da área médica brasileira. Acreditamos que desse modo o país poderá construir uma Grade Curricular avançada, com professores/as e acadêmicos/as comprometidos com um atendimento médico público, gratuito e de boa qualidade para o povo brasileiro.
Feliz Ano Novo!!!

( * )Ivo Campos, professor
campivo@hotmail.com

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O programa "Mais Médicos", do governo federal, não foi criado com a intenção de "socializar"o atendimento médico e a medicina. Será explorado para fins eleitoreiros nas próximas eleições. Os "médicos estrangeiros"que foram importados para o nosso país não são e não estão em terras brasileiras como trabalhadores, são considerados intercambistas. Dar a todo brasileiro as mesmas condições de tratamento médico que dispõe a nossa classe política, seria sim a verdadeira transformação e quebra de paradigmas.
Afirmar que somente filhos e filhas de pessoas da classe média alta e da burguesia (termo excessivamente pejorativo) entram para as faculdades de medicina é uma demonstração de desconhecimento e preconceito, algo incompatível com um professor.
 
ALBERTO CUBEL BRULL JUNIOR em 26/12/2013 16:00:28
Ai...ai...Olha a lógica...
Não consegue passar no vestibular de medicina... simples...faça cota para os menos preparados entrarem... Simples né.
Agora... falar em melhorar o ensino em escolas públicas, que custa caro e dá trabalho, ninguém fala, né.
Falar em segurar os médicos públicos através de melhores salários, planos de cargos e carreira, condições de trabalho, melhorias como um todo nos hospitais e postos, que custa caro e dá trabalho, ninguém fala, né.
Se a coisa continuar como está... não vai sobrar um médico público!!
Uma afirmação: o vestibular é o meio mais democrático inventado, se não houver fraude, só entram os melhores preparados. Não considera cor da pele e classe social.
Uma reflexão: você, muito doente, podendo, escolheria um "cotista" para ser seu médico?
 
Marcus Vinicius Souza em 26/12/2013 15:21:40
O Brasil precisa parar de tratar os médicos como se fossem seres superiores aos demais... É uma nobre profissão, mas deveria ser exercida conforme o juramento que professa, e não buscada como símbolo de status e dinheiro, como, infelizmente, grande parte dos estudantes hoje procura. Acredito que o esforço deles deve ser reconhecido, mas tambem acredito no papel social da medicina. E se o nosso país não oferece as condições ideais de trabalho para os médicos, AAAHHHH! Srs médicos, sejam bem vindos ao mundo dos outros cidadãos deste país: nenhum de nós tem as condições ideais! Mas ainda assim não usamos isso como desculpa para deixar a população privada de nossos serviços porque não paga o que julgamos merecer...
 
Terezinha de Goes em 26/12/2013 14:18:32
e porque não liberar as universidades gratuitas somente para pessoas com renda até 2 salarios minímos, pois fica a dica filho de rico pode pagar cursinho, então pague a faculdade também
 
BENEDITO JOSE RUIZ em 26/12/2013 14:12:14
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