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28/02/2012 06:28

O que é o Caminho de Santiago de Compostela?

Por Antoin Khalil (*)

Com certeza você já deve ter ouvido falar no famoso Caminho de Santiago de Compostela. Pois então, vamos esclarecer algumas dúvidas. Na verdade, não há apenas um caminho, mas vários. O que eles têm em comum é o ponto de chegada, a cidade de Santiago de Compostela, na região da Galícia, Espanha. Segundo a tradição, ali repousam os restos mortais de Tiago Maior, um dos doze apóstolos de Jesus, respeitosamente guardados numa arca de prata no porão da catedral dedicada ao santo.

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Dentre os discípulos, Pedro, Tiago, e seu irmão, João, foram os mais íntimos de Jesus. Os evangelhos nos autorizam a afirmar isso porque, quando o nazareno queria se fazer acompanhar de um grupo mais restrito, era a estes que chamava. Tiago estava também entre os mais impetuosos. Talvez este traço de personalidade ajude a explicar sua pregação nos confins do mundo conhecido, como era a península ibérica. Do mesmo modo, pode explicar o fato de ter sido o primeiro, dentre os doze apóstolos, a morrer em nome da nova fé. Ao retornar a Jerusalém, Tiago foi decapitado, no ano 44, por ordem de Herodes Agripa I.

Após sofrer martírio, o corpo de Tiago foi recolhido por dois discípulos seus, que o acompanhavam desde a Galícia e sepultado nestas terras. Séculos depois, fenômenos luminosos revelariam o local da tumba ao eremita Pelayo. Isso se deu entre 820 e 830.

Do surgimento de um templo à formação de um importante polo de peregrinação para toda a cristandade foi um passo. Peregrinos acorreram de toda a Europa, em busca de alguma graça. Aqueles que vinham de Portugal foram responsáveis por traçar o Caminho Português; os que vinham do restante da Europa firmaram diversos trajetos, sendo mais célebre o conhecido pelo nome de Caminho Real ou Francês, até hoje percorrido por cerca de três quartos do total de peregrinos.

Em 1122, o papa Calixto II concedeu à Catedral de Santiago o privilégio do jubileu pleníssimo. Isso significa que peregrinar até a catedral nos anos em que o dia 25 de julho incide num domingo (data dedicada a Santiago) confere ao fiel o perdão pleno de seus pecados. Lembrar que na Idade Média a igreja chegava a vender indulgências ajuda a ter ideia da importância do ato papal. Daí passados quase dez séculos, até hoje se nota a influência dos “anos santos” sobre o afluxo de peregrinos.

Dependendo da perspectiva pela qual se olhe, podemos enxergar profundas diferenças entre o peregrino medieval e o contemporâneo. Na Idade Média, por exemplo, era permitido enviar um representante até Santiago. A peregrinação podia ser feita por um vassalo, em benefício de seu senhor. Além disso, o caminhante estava mais vulnerável às intempéries e às doenças, sem contar os ataques de salteadores.

Hoje há vasta infraestrutura de serviços, cujas portas se abrem mediante a apresentação de um singelo cartão de crédito. Equipamentos high tech atenuam as dores do caminhante e há bastante segurança.

Mas também há semelhanças. Mesmo que a Igreja Católica tenha perdido boa parte de sua autoridade política, e que o Cristianismo tenha se diversificado sob pregações variadas, não é possível negar uma fé que move multidões. Santiago continua inspirando-a. Porém, nem todos percebem que o “milagre” não se opera na catedral, e sim no Caminho que leva até ela. É o tempo que o peregrino reserva aos cuidados para consigo mesmo, a solidariedade aos outros, a simplicidade do dia a dia nos albergues, a abertura para novas experiências, tudo isso contribui para transformar seu interior em espelho do altar que encontrará na grande Catedral. Isso é o Caminho de Santiago: fora e dentro; ontem e hoje. Acima de qualquer coisa, é nos passos do peregrino que o Caminho vive.

(*) Antoin Khalil é advogado e membro da ACACS/SP - Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela.

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Com todo respeito... Falou, falou, falou, mas não falou as distâncias dos caminhos e grau de dificuldade dos mesmos... perfil dos peregrinos que o fazem... custos R$, hehehehe... Isso também é importante....

 
Pedro Paulo em 28/02/2012 09:53:58
Comentário inteligente, texto perfeito e informações preciosas. O caminho de santiago é uma dádiva e um privilégio poder fazê-lo. A história confirma a impetuosidade dos "caminhantes". A Galícia por si só já é uma riqueza, rodeado então pela história de Santiago nos faz refletir muito a respeito do nosso ser, alma, espírito e consciência. Abraço
 
Vânia Galceran em 28/02/2012 09:05:31
Excelente matéria; Concisão, clareza e imparcialidade na informação, é disso que precisamos. A Paz de Cristo a Todos!
 
gilberto gloor em 28/02/2012 08:49:45
MEUS PARABENS AO DR KALIL
PELA NOBRESA DE ESCLARECER
AOS LEIGOS ALGO QUE MUITOS
DESCONHECEM .OBRIGADA

 
ROMARIOLEVI PRADO em 28/02/2012 08:12:56
Gostei muito da matéria publicada , são coisas assim que a gente gosta. Parabens....
 
donizetti aparecido margarido em 28/02/2012 08:10:54
Muito boa a reportagem. No dia 10 de agosto de 2008 estive na Galícia, primeiramente em Portugal. A minha intenção era visitar Gondomar, onde estavam meus amigos José e Manauel Cea. Estive em Vigo e ouvi o relato sobre Santiago de Compostela. O senhor Manoel mora em Dourados e o outro irmão já faleceu.
 
José Tibiriçá Martins Ferreira em 28/02/2012 07:13:39
2) Com base nisso, e considerando que o pecado acarreta dupla consequência (a "pena eterna" perdoada em confissão, e a "pena temporal" que é o objeto das obras de reparação, sejam ou não indulgenciadas) também é inverídico afirmar que "a Igreja vendia indulgências" - isso, aliás, advém da "visão protestante" de que "só a fé salva", como também de abusos de época, mas nunca aceitos oficialmente.
 
Marcel Ozuna em 28/02/2012 01:26:39
Permitam-me algumas correções: 1) o "jubileu pleníssimo", tal como descrito pelo autor, não confere "perdão pleno" dos pecados (enquanto sendo uma "obra indulgenciada"), mas só das penas temporais (é a "justa reparação" do dano cometido) dos pecados já perdoados numa última confissão - sem falar que só é lucrada se o fiel não tiver cometido outro pecado mortal durante o trajeto.
 
Marcel Ozuna em 28/02/2012 01:19:44
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