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28/08/2012 13:11

O reflexo dos resultados do IDEB no ensino superior

Por Girlene Ribeiro de Jesus (*)

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é composto por dois fatores: os resultados obtidos na Prova Brasil por alunos do 5º e 9º ano do ensino fundamental, bem como por dados do fluxo escolar (aprovação, reprovação e desistência). Esse mês foram divulgados os resultados do IDEB referentes ao ano de 2011, o que gerou muita discussão na mídia e no meio educacional.

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Conforme dados oficiais, há uma trajetória de crescimento no ensino fundamental, mas de estagnação no ensino médio. Mas mesmo no ensino fundamental, o crescimento mais robusto ocorre nos anos iniciais. Ao analisar os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), que acompanha os dados da educação básica brasileira, e trabalha com uma amostra representativa da população, desde 1995, verifica-se em 1995 as seguintes médias para o Brasil nos anos finais do ensino fundamental: 256,1 (Língua Portuguesa) e 253,2 (Matemática); enquanto na Prova Brasil, em 2011: 245,2 (Língua Portuguesa) e 252,77 (Matemática).

Nesse cenário, considerando a série histórica, verifica-se que praticamente não saímos do lugar, desde 1995, nos anos finais do ensino fundamental. No que tange ao ensino médio, etapa que antecede o nível superior, os resultados mostram que estamos piores do que há mais de 15 anos: em 1995 as médias foram de 290 em Língua Portuguesa e 281,9 em Matemática; enquanto em 2011 foram 267,63 e 273,86, respectivamente.

Os reflexos desses resultados são aparentes no ensino superior, mesmo nas instituições que têm um processo rígido de seleção dos estudantes, pois alunos com esse nível em Língua Portuguesa, em geral têm dificuldade para interpretar e identificar a tese de textos medianos ou um pouco mais complexos, além de apresentarem diversos problemas relacionados a ortografia e organização das ideias ao escreverem.

Em Matemática, apresentam dificuldade para ler informações quantitativas e resolver problemas. Tais dificuldades, que deveriam ser trabalhadas na educação básica, levadas para as salas de aula no nível superior, depõem contra sua qualidade, e consequentemente fazem com que também esse nível de ensino coloque no mercado profissionais que ainda apresentam diversos problemas de formação.

Frente ao exposto, é possível afirmar que o processo educacional não pode ser visto de forma isolada, pois considerando que o conhecimento possui natureza cumulativa, os resultados escolares de níveis anteriores, certamente afetam os níveis posteriores de ensino. Sendo assim, para que o país possua um sistema educacional de qualidade, esta deve ser trabalhada em todos os níveis, para que o país avance e o direito constitucional à educação seja garantido a todos.

(*) Girlene Ribeiro de Jesus é professora do Departamento de Planejamento e Administração, da Faculdade de Educação, da Universidade de Brasília. Possui graduação (Licenciatura e Formação) em Psicologia pela Universidade Federal da Paraíba, mestrado em Psicologia, com ênfase em Avaliação Educacional e doutorado na área de avalidação e normatização de testes, ambos pela UnB. Atualmente cursa especialização em matemática e estatística pela Universidade Federal de Lavras. Atuou durante anos na área de avaliação educacional e institucional no CESPE/UnB.

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