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12/06/2013 16:17

ONdivíduos

Marcos Hiller

Este texto, escrito no início de junho de 2013, tem grande chance de tornar-se obsoleto em poucos meses. Este, aliás, é um risco que, certamente, corro: sou daquelas pessoas que tentam entender como ocorrem essas novas lógicas sociais e de consumo.

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Minha grande inquietação atual é entender como ocorre a apropriação social de dispositivos, tecnologia e marcas nesse ecossistema que vivemos. Assumo o risco! Não me importo! Vamos lá!

No universo interconectado que estamos inseridos, a tecnologia, indiscutivelmente, tornou-se uma das metáforas mais sedutoras para tentar entender a construção da subjetividade das pessoas hoje em dia.

As pessoas com as quais vivemos e interagimos, principalmente jovens, percebem e assumem as relações de convivência com os outros, como uma experiência norteada pelos afetos e pela sensibilidade. No interior deste mundo difuso, não linear e de complexas relações está um indivíduo cada vez mais e mais conectado. Aliás, muito conectado. São os ONdivíduos que, embora cada dia mais conectados, por outro lado tornam-se individuais.

Individuais e conectados digitando, furiosamente, olhos fixos em telas sensíveis apenas ao toque. Vale ressaltar que, o fato de estar conectado não significa, necessariamente, que se esteja interagindo, muito pelo contrário.

Conectividade significa, simplesmente, estar logado. A partir do momento em que faço um login em um site de rede social, por exemplo, já faço, imediatamente, parte da intimidade das pessoas. Torno-me o “melhor amigo” e fico sabendo o que elas pensam, dizem e até mesmo como pretendem se apresentar e obter validações alheias de seus afetos.

A pergunta é: o que existe, realmente, de social nos sites de redes sociais? Eu, pessoalmente, acredito que pouco ou quase nada. Vejamos o Facebook, esta imensa arena virtual onde mais de um bilhão de terráqueos esfalfam-se tentando construir jogos discursivos e narrativas envolventes com o único objetivo que outros usuários tomem conhecimento de sua presença/existência e validem, a bel-prazer, aquela enxurrada de conteúdos emocionais, com direito a traumas, mágoas, separações etc.

Inegavelmente, esse mundo virtual comporta significativo teor de sedução, mas, em contrapartida, é assustador, pois nos afasta do contato direto, olho no olho.

Por outro lado, certos autores afirmam que a arena online é tão atrativa e convidativa porque não apresenta as exigências do mundo real. É fato que a vida nos exige muito e há obrigações sociais que nem sempre queremos, ou podemos, cumpri-las naquele momento, naquela hora, naquele dia. Parabenizar um amigo na data do nascimento implica dar um telefonema – que envolve tempo e dinheiro, isso sem falar que há pessoas que não estamos interessados em bater um papo naquele dia. Então surge o salvador Facebook, onde escrevemos aquelas mensagens piegas e, supostamente, sinceras e “profundas” e... Pronto: em segundos estamos livres e os colegas felizes porque, devidamente, felicitados pelo aniversário. Simples, rápido... Eis que somos perfeitos ONdivíduos.

Internet das Coisas, Big Data, Cultura da Convergência são apenas exemplos de felizes achados/expressões criadas para rotular essas transformações que impactam nosso dia a dia.

Quando penso nas potenciais transformações que ainda estão por vir vejo-me, paradoxalmente, apreensivo, assustado, mas também - por que não confessar? – animado. Afinal, o que mais a tecnologia será capaz de nos mostrar?

Em um futuro próximo, dizem alguns visionários, quando estivermos nos aproximando de nossa Starbucks favorita, eles se anteciparão e, antes mesmo de termos entrado, eis nosso café favorito à espera.

Em Las Vegas já há hotéis cujos quartos possuem luzes personalizadas, som e claridade das janelas em função da preferência do hóspede: tudo pronto, antes mesmo do turista chegar ao andar.

Rapidez e eficiência surpreendentes: o Wi-Fi, um dos mais potentes amálgamas que unem todas essas coisas, é ainda um pré -adolescente, com apenas uma década de existência. Nesse andar da “carruagem”, muito em breve, nosso smartphone será nosso melhor aliado, nos avisando, por exemplo, que uma ex-namorada – que queremos manter como ex – estará vindo em nossa direção. Graças à tecnologia desviaremos nossa rota seguindo, alegre e ingenuamente, por outro caminho, livre de ex.
Muito prazer! O mundo está, definitivamente, interligado, e nós somos os ONdivíduos.

 Marcos Hiller é coordenador do MBA Marketing, Consumo e Mídia Online da Trevisan Escola de Negócios e autor do livro Branding: A Arte de Construir Marcas, da Trevisan Editora

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