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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

26/09/2011 10:11

Operação Ágata, por Heitor Freire

Por Heitor Freire (*)

Nós estamos vivendo tempos de guerrilha urbana nos grandes centros do nosso país. O crime dito “organizado” e que é organizado mesmo está dando de dez a zero em nossas autoridades.

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Os mais elementares códigos de estratégias militares ensinam claramente que as operações devem ser muito bem estudadas, preparadas, treinadas e basicamente não serem divulgadas, que sejam secretas. Elas não podem ser divulgadas sob pena de passar para os inimigos toda a inteligência que foi preparada para enfrentá-los.

Quando foi anunciada a Operação Ágata, que envolve nada menos do que o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, a Policia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Militar, com a participação da Agência Brasileira de Inteligência, Abin, o Ibama e a Secretaria Estadual de Justiça, a Receita Federal e a Força Nacional de Segurança, o general Valério Stunff Trindade, com a presença dos representantes das forças acima mencionadas, detalhou para a imprensa todo o plano, quais equipamentos serão utilizados, quantos homens do exército, quantos da marinha, quantos da aeronáutica, ou seja, entregou todo o ouro aos bandidos.

Eu não consigo entender o que motiva as nossas autoridades a divulgar tudo o que se está preparando para enfrentar o crime organizado.

Só para efeito de comparação imaginem o que aconteceria com as forças aliadas no desembarque na Normandia na Segunda Guerra Mundial se o general Eisenhower, comandante supremo das forças aliadas, resolvesse dar uma coletiva informando e detalhando toda a operação que seria deflagrada.

Morreriam todos na praia. Essa operação denominada Operação Overlord, envolveu inicialmente, 155 mil homens que desembarcaram nas praias da Normandia, debaixo do maior quieto. Os homens souberam entender a importância de manter em segredo toda a movimentação para que a operação fosse coroada de êxito.

Estratégia deriva do grego strategía: que é a arte militar de planejar e executar movimentos e operações de tropas. A estratégia era vista como a arte do general. A estratégia militar lida com o planejamento e a condução de campanhas, o movimento e a divisão de forças, e a burla do inimigo. O que não se está cumprindo nesta operação.

A Arte da Guerra de Sun Tzu, entre outros temas, trata da formação, uma das questões mais importantes da estratégia e do combate. Numa postura caracteristicamente taoísta, Sun Tzu declara que o segredo para a vitória são a adaptabilidade e a inescrutabilidade. Como o comentador Du Mu explica: "A condição interior do informe é inescrutável, enquanto que a daqueles que adotaram uma forma específica é claramente manifesta.

O inescrutável vence, o manifesto perde." Neste contexto, a inescrutabilidade não é meramente passiva, não significa apenas afastar-se ou esconder-se dos outros; significa, sim, a percepção do que é invisível aos olhos dos outros e a reação a possibilidades ainda não percebidas por aqueles que só observam o manifesto. Discernindo oportunidades antes que sejam visíveis aos outros e agindo com rapidez, o misterioso guerreiro pode tomar conta da situação antes que as coisas se escoem por entre os dedos.

O rei Salomão, há 2.900 anos, com muita sabedoria ensinou no Livro dos Provérbios, capítulo 1, versículo 17: “Não adianta armar o alçapão, quando o passarinho está olhando”.

Naturalmente uma operação dessa natureza, como a Operação Ágata, com a finalidade de combater e vencer o crime organizado, é muito bem vinda. É necessária e útil. Mas com o estardalhaço da sua divulgação, vejo que todo o seu objetivo pode ficar comprometido, o que se confirma pelo resultado pífio da operação até agora. Espero que nas próximas operações as nossas autoridades ajam da forma preconizada pelos manuais e orientações específicas da matéria.

O combate ao crime é uma prioridade absoluta. Não se pode permanecer mais de braços cruzados ante tanta ousadia dos bandidos. O princípio da estratégia militar é manter segredo até que seja tarde para o oponente reagir. O segredo é uma informação valiosa, que se for tornada pública, pode comprometer o sucesso da operação. O elemento surpresa é fundamental.

Podemos citar como exemplo as operações da Polícia Federal, que só são anunciadas depois de tomar todas as providências: quando os bandidos acordam já estão algemados.

Proponho que, de agora em diante, seja esse o procedimento adotado, para o sucesso dessas operações.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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Perfeita colocação Heitor Freire,e ainda acrescento um detalhe que passa despercebido por todos,a operação é só de dia a noite a nossa fronteira continua a Deus dará,a partir da meia noite. E sabe por que??? É perigoso e pode haver traficantes passando,e como disse o Aldo H. Junior,menos serviço.
 
arivaldo paiva em 29/11/2011 12:19:30
Por não ser mais oportuno alimentar discussão em torno do assunto, solicito desconsiderar o comentário.
 
Hélio S Filho em 05/10/2011 06:07:29
Desculpem-me, persistem os equívocos. A Operação teve início no dia 11 de Set e a entrevista ocorreu, creio que em 16 de setembro, cinco dias após o seu início. Além disso, o "onde" informado é nos 16.000 km de fronteira terrestre. É bom lerem a entrevista. Não houve nenhuma quebra de sigilo, uma vez que ele já não existia.
 
HELIO S. FILHO em 05/10/2011 06:00:07
Na mosca. O anúncio de datas e contingentes parece até piada de português em que o agente secreto aparece fardado. Onde já se viu isso?
 
Valfrido m. Chaves em 02/10/2011 07:11:34
Concordo na íntegra com o Heitor Freire e discordo abertamente do Hélio de Souza Filho, ora meu caro Hélio, ao informar equipamentos e pessoal estou quebrando o sigilo de que uma operação irá acontecer, quando a PF anuncia que está utilizando o Vant ela não diz ONDE. A operação seria ostensiva sim, mas á partir do seu início e não com quase uma semana antes, como fez o ilustre militar na coletiva.
 
raphael papas em 30/09/2011 08:17:10
Eis ai a estratégia, se forem avisados com certeza eles terão menos serviço!!!
 
Aldo Hernandes Junior em 26/09/2011 12:43:42
Divulgação de equipamentos e efetivos a serem empregados não significa em hipótese alguma quebra de sigilo (o uso de VANT pela PF é amplamente divulgado) ); o objetivo da Operação é o de fechar as vias de escoamento dos crimes transnacionais, agindo ostensivamente; as ações da PF são enquadradas em sua função de polícia judiciária, o que é vedado às Forças Armadas. Muitos equívocos.
Hélio
 
Hélio de Souza Filho em 26/09/2011 02:38:50
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