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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

19/01/2012 15:15

País está muito chato ao ver discriminação em tudo

Por Carlos Brickmann (*)

David Nasser, turco que gostava de ser chamado de turco, compôs uma beleza de batucada: "Nega do Cabelo Duro". Oswaldo Santiago e Paulo Barbosa brincaram com os chineses ("Lá vem o seu China na ponta do pé/ lig, lig, lig, lig,lig, lig lé (...) chinês, come somente uma vez por mês"), Adoniran Barbosa falou dos judeus ("Jacó, a senhorr me prometeu/ uma gravata, até hoje ainda não deu/ faz trrinta anos, que esto se passarr/ e até hoje o gravata não chegarr"). Lamartine Babo disse que a cor da mulata não pegava. Racismo? Racismo é a mãe!

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Pois não é que agora querem ver discriminação racial em tudo? Há dias, um artigo assinado por um desses intelectuais com gavetas cheias de diplomas e uma cabeça vazia de ideias e raciocínio fez duros ataques ao ator Marcelo Serrado, que faz o papel de bicha louca numa novela. Dois eram os principais argumentos: primeiro, que a bicha louca fazia trejeitos de bicha louca, e isso provocava homofobia; segundo, que o ator disse que não gostaria que sua filha de sete anos visse um beijo gay na TV, e isso, para o professor-mestre-doutor-sabetudo, também é homofobia. Cá entre nós, homofobia é a mãe.

Primeiro, o ator faz papel de bicha louca porque é assim que seu personagem na novela deve se comportar. Anthony Hopkins se comporta como canibal em O Silêncio dos Inocentes porque seu papel é de canibal. Se é para criticar alguém, que se critique o autor — mas como acusar de homofobia exatamente um dos maiores lutadores contra a homofobia, Aguinaldo Silva, que há uns 30 anos editava o jornal Lampião e enfrentava o moralismo da ditadura? Ah, Lampião! Ali estavam também Antônio Chrysóstomo, Jean-Claude Bernardet, João Antônio, João Silvério Trevisan, Peter Fry, tudo gente de primeiro time. Um belíssimo jornal.

Segundo, há gente que tem medo até de olhar para gatos (é uma doença, a ailurofobia). E daí? Se ninguém os obrigar a pegar um gatinho no colo, se o ailurófobo não sair por aí maltratando gatos, tudo bem. Há gente que odeia salas sem janelas. Se não forem obrigadas a entrar nestas salas, se não saírem quebrando os móveis, e daí? O ator não gostaria que sua filha de sete anos visse um beijo gay na TV. Este colunista não gosta de ver essas lutas de UFC e muito apreciaria que seu filho também não gostasse. Mas ele as aprecia. O colunista não gosta de comer bacalhau. E daí, cavalheiros? Alguém pretende processá-lo por negar-se a ver pessoas brigando? Estará insuflando a bacalhaufobia? Sejamos sérios!

Este país está ficando muito chato. Este colunista é gordo, não "forte". Todo mundo que tem a sorte de não morrer cedo fica velho, em vez de "entrar na melhor idade". Anão é anão, preto é preto, cego é cego. Afrodescendente? O material científico disponível informa que o Homo Sapiens tem origem na África. Todos somos, portanto, do negão ao sueco albino, afrodescendentes.

E, lendo essas coisas que a gente vê por aí, é preciso firmar opinião: seja qual for o número de diplomas que ostente, burro é burro.

(*) Carlos Brickmann é jornalista e diretor da Brickmann&Associados.

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Parabéns pela matéria, pois o Brasil está uma .... mesmo, pois tudo é buling, só roubar e matar que pode.
 
Sandro Alves em 20/01/2012 10:47:00
Parabénsssss Dr. Carlos Brickmann, o senhor expressou exatamente o que eu penso. Hoje não somos mais a maioria e sim a minoria, " os desiguais", porque no país de hoje ao invés de estarmos conquistando espaço, estamos perdendo-os, pois nos foi tirado a liberdade expressão, "de gostar ou não daquilo", de educar nosso próprios filhos, de brincar com uma amiga por estar com quilos a mais...
 
Luana Martins em 20/01/2012 10:16:26
adorei o artigo se resume a isso . se eu não gosto de gays só porque é lei sou obrigado a gostar. se eu não sair por aí matando nenhum acho que não tem problema. o que não pode é discriminar. trabalho com vários em meu serviço e os trato como iguais . pois somos todos iguais.hoje em dia temos que tomar cuidado em tudo, pois qualquer coisa que dissermos ou fizermos pode se tornar um problema .
 
HELIO SOUZA em 19/01/2012 05:11:02
Parabéns pelo artigo, realmente o país está cheio de frescura, tem que mudar o nome de Brasil para Neverland!!
 
Marcos Maia em 19/01/2012 04:37:22
Caro Sr. Carlos Brickmann: permita-me cumprimentá-lo, pois alinho-me de maneira integral ao pensamento expressado. Este país, de fato, está ficando muito chato. E, para não encompridar a conversa (e dar espaço para intermináveis discussões sociológicas e filosóficas) sobre o tema discriminação, acredito que pior que existe é a social (não racial), que perpetua a miséria.
 
Douglas Britez Godoy em 19/01/2012 04:08:43
Há muito tempo não lia algo tão bacana! O país está ficando cheio de mimimis demais. Não pode nada, muita mágoa. Fosse hoje, artistas incríveis como Mussum, compositores incríveis como os citados, não existiriam. Hoje temos uma arte, vida e gente (80% pelo menos do povo) politicamente corretos e tão interessantes quanto um PICOLÉ DE CHUCHU.Ah! E também sou GORDA e não Plus Size,outra frescurite...
 
Mirian Santos Costa em 19/01/2012 03:41:31
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