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11/07/2011 08:13

Política: descrença generalizada

Por Nelson Valente (*)

Depois das denúncias de corrupção é um erro levantar a bandeira da ética e da moralidade. A impressão que fica é de uma quadrilha desorganizada e atrapalhada.

Nos dias de hoje, há uma descrença generalizada. Os escândalos no Congresso, as falcatruas no governo, a falta de lisura em alguns membros do Judiciário, tudo isso faz crer que a ética está em pane, promovendo a prevalência da tristemente famosa “Lei de Gerson” (a vida é dos espertos).

A presidenta Dilma e seu projeto de governo,estão presos a ásperas condições sociais e seus sonhos e de pouca relação com a realidade brasileira.

A presidenta está em boa companhia, com relação a esse equívoco, pois os demais planos de governo (pelo menos os conhecidos) também parecem feitos para um país que não é o nosso. Certamente fiel ao axioma: “Palavras loucas, ouvidos moucos”.

Não adianta o PT se refazer. É preciso encontrar a “síndrome” causadora de atos de corrupção e de outras mazelas individualizadas, que não adianta tratar isoladamente. Não é tarefa para uma só pessoa, mas para a sociedade e especialmente a comunidade científica. Estamos perdendo uma imensa chance de colaborar com o Brasil e com o mundo.

É do tipo “não aprendi nada”, que diz à população: vocês tinham razão de esperar muito do PT porque nós somos a reserva moral da Nação. Houve um “probleminha” entre nós, mas continuamos sendo a reserva moral da Nação. Essa “cegueira pessoal” pode ser solução imediata para o partido, mas a médio e longo prazo não funciona.

Não descarta a possibilidade de o grupo de petista que assumiu a condução do partido nos últimos anos tenha chegado ao poder já com más intenções (mas exclui dessa turma o ex-presidente da República), não sendo apenas resultado da corrupção do poder.

O Brasil encontra-se frente a um desafio maior do que fazer uma faxina moral como propunha Tarso Genro e de novo um gaúcho se apresentava como bastião da moralidade. Antes era um ex-guerrilheiro e até mesmo o ex-presidente da República, que construiu recentemente uma frase questionável lógica.

Lula havia dito, e sempre repete, que é filho de analfabetos, sofreu muito na infância, percorreu uma trajetória socialmente baixa até alcançar a Presidência da República, “logo” não há no Brasil pessoa mais ética do que ele. Esse “logo” não liga nada a nada, a frase de Lula foi de “uma infelicidade absoluta”.

Todos os homens supõem possuí-lo no mais alto grau e da melhor qualidade. Não faço exceção à regra. Devo reconhecer, entretanto, que um cigarro mofado me infelicita.

Se exprimo, persuasivamente, em tons de sinceridade, as ideias nas quais acredito e que almejo transmitir aos outros, aceito e agradeço que me inclua entre os bons escritores. Interessa-me a classe dos escritores, pelas mesmas razões que me vinculam aos intelectuais e até aos jornalistas.

Aqui, não participo do pessimismo, nem leio pela gramática latina. Acredito na juventude, particularmente na brasileira. Descresse dela, a minha atividade restaria sem sentido, objetivo, inane e estulta. Convido-o a não impor lemas ao futuro na expectativa de que ele se revele generoso, à hora de compor os nossos epitáfios.

Nesse sentido, a queda de um partido que se comportou o tempo todo como um termômetro moral, uma bússola moral, foi atacado exatamente nesse ponto e se transformou em biruta ao sabor das negociatas, coloca o País frente a duas possibilidades: quando o ex-ministro da Justiça, atual governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro assumiu interinamente a presidência do partido e seu primeiro discurso é sobre a faxina moral, é evidente que a sociedade espera que os corruptos, enganadores, manipuladores, que são muitos, sejam apenados conforme a lei; no entanto, ideologizar isso e novamente propor à Nação um projeto de pureza moral, é novamente criar ilusão.

Uns afirmam que o Brasil, apesar de tudo, está progredindo. E eu direi que não é o país que está progredindo, mas alguns cavalheiros que estão prosperando à custa do Brasil.

- “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.” ( Martin Luther King)

Cuidado com as ditaduras do neoliberalismo!

As exercidas em nome de uma classe traem-lhe as prerrogativas mais elementares. Negam-lhe a liberdade de trabalho. Destroem-lhe os sindicatos. Proíbem-lhe a luta pelo acesso legítimo. Convertem em crime o que é de direito. Cerceiam a livre expressão do pensamento. Suprimem as assembleias. Desmancham a família. Subtraem, ao convívio humano, o calor da amizade e a ternura da confiança.

Os pronomes não aguardam a ética para que se coloquem nos seus lugares. Estão sempre neles. A boêmia dos verbos é que mutilam a boa ordem das frases. Há que lhes perdoar. Não se desgrudam da ideia de movimento.

Os substantivos boêmia e boemia, que nomeiam a “vida desregrada”, “despreocupada”, “vadia”, são formas variante e podem ser empregadas indistintamente.

A boêmia levou-o à ruína.; “Boemia aqui me tens de regresso... (Adelino Moreira).

"De que importam as legendas neste país. O que significam elas. Têm conteúdo programático, ideológico ou filosófico"

Jânio da Silva Quadros, sobre os partidos, em 01/11/1981.

Até de repente !

(*) Nelson Valente é professor universitário, jornalista e escritor.

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