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02/09/2013 15:01

Por quem os sinos dobram?

Por Gerson Luiz Martins (*)

As manifestações iniciadas na última semana em São Paulo e que agora perpassa todo o país mostra, de forma contundente, a insatisfação generalizada entre a população que acede à internet. Este é um conceito chave, que demonstra a força da rede desde que não censurada. Sim, porque é o que pretendem os controladores do poder, seja da “democrática” economia dos países do norte do continente americano, seja nos países de economia fechada em favor dos grande capitais empresariais ou políticos na região austral do planeta. O jornalista Pedro Dória, em sua coluna semanal no O Globo, com o título “É hora de ler Castells”, descreve claramente a motivação dessas manifestações, “... Porque o que os move é uma insatisfação difusa e generalizada. Um não sentir-se representado. A impressão de que as prioridades dos governantes, estejam na situação ou na oposição, não são as suas.”

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A movimentação da população nestes dias, de jovens, de adultos, de estudantes, dos insatisfeitos em geral e, lamentavelmente dos aproveitadores de ocasião que sempre promovem a violência marca a capacidade da internet, em especial das mídias sociais na difusão da informação. E esse insatisfação generalizada, que neste caso começou com o aumento das passagens de ônibus, se amplia na insatisfação com a corrupção ampla, geral e irrestrita; com uma justiça inoperante, com o aumento exacerbado de preços no geral e o congelamento discreto dos salários, aliados a voracidade do estado para cobrar impostos.

O Brasil é um país muito rico, mas sua população é pobre. Não falta dinheiro para saúde, transporte, moradia. A carga de impostos é extremamente pesada e atinge os trabalhadores, pois são estes que pagam na fonte, no seu recibo de salário. Esta insatisfação cresce na medida que milhares de pessoas conseguem um trabalho formal. Nesta insatisfação geral, o acesso à internet, às redes sociais proporcionam condições para que estas pessoas possam reclamar anonimamente. E quando a reclamação não basta no virtual da internet, se promove a saída para as ruas. O chamamento é geral, desde as campanhas publicitárias que convocam os brasileiros para as ruas, neste caso para “comemorar” o futebol, ou ainda para demonstrar de forma concreta esse sentimento, de insatisfação.

O movimento das ruas não se trata de uma posição partidária, política sim, mas não partidária. Os atos de vandalismo, sem qualquer dúvida, não tem origem no bloco dos insatisfeitos, como quer demonstrar os governos ou a própria mídia. É um movimento coletivo, promovido pelas ações de difusão das insatisfações. Essa perspectiva é claramente definida na música de Raul Seixas, inspirada no romance Por Quem os Sinos Dobram, em inglês For Whom the Bell Tolls de 1940 do escritor norte-americano Ernest Hemingway, que diz “nunca se vence uma guerra lutando sozinho, cê sabe que a gente precisa entrar em contato, com toda essa força contida e que vive guardada” e no refrão “... Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz. Coragem, coragem, eu sei que você pode mais...”

E será que as redes sociais tem todo esse poder? É preciso lembrar que a internet também é, de certa maneira, censurada. As buscas que se faz no Google, por exemplo, não refletem ou não mostram, necessariamente, o universo do tema pesquisado. Há filtros que mostram aquilo que desejamos, não aquilo que precisamos. O próprio Facebook cria filtros que apresentam uma pequena parte do universo das informações. É certo que não cabe atribuir às redes sociais, mídias sociais todo o poder, a capacidade de movimentação, de desprendimento, do “sair às ruas” é das pessoas movidas pelo intenso sentimento de insatisfação. É o grito preso na garganta que se não for solto, pode sufocar a própria pessoa. E mesmo com essas limitações das mídias sociais, o que operacionaliza é a difusão. E contra todos as análises de comportamento que avaliam o nível de “sossego” daqueles que ficam o dia todo nas mídias sociais, esta difusão, aliada a insatisfação e a solidariedade, provocam movimentos sociais intensos e históricos.

As mídias sociais, no geral, têm a capacidade de provocar. E mesmo que “sentado na frente do computador” contribuem para difundir ideias e atitudes. Nesse aspecto, é rápida e eficiente, pois os dispositivos móveis, smartfones e tablets transformaram o processo e ampliaram a capacidade de difusão. A mobilidade, a portabilidade criaram um ambiente de integração massiva em tempo real. E pela primeira vez, nesta perspectiva, superou o histórico rádio.

(*) Gerson Luiz Martins, jornalista e pesquisador do PPGCOM e CIBERJOR/UFMS
www.ciberjornalismo.net.br

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A rede não é autônoma, ao mesmo tempo que serve para a mobilização popular, também é utilizada pelos Estados Unidos para espionar o mundo. A rede deve ser entendida inserida dentro das relações capitalista de produção. Não algo fora da sociedade.
 
Evandro Dotti em 02/09/2013 15:53:53
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