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Campo Grande, Sábado, 21 de Janeiro de 2017

22/04/2016 08:51

Por um Brasil mais ético e fraterno

Por Marquinhos Trad (*)

Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Salmos 19.2

O Brasil passou por um dos momentos mais importantes de sua história no último domingo (17), quando o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff por crime de responsabilidade. Trata-se de um momento ímpar para a nação, pois é fruto do clamor das ruas, da indignação popular contra os descaminhos da corrupção, em busca de um Brasil mais ético.

Observo os acontecimentos com uma mistura de preocupação e esperança.

A preocupação vem diante do clima de polarização e radicalização das relações sociais que eclodiu durante os meses anteriores à grave decisão tomada domingo pela esmagadora maioria dos deputados federais – decisão a qual faço coro de forma tranquila e ponderada.

Nas ruas, nas redes sociais, nas escolas, universidades, ambientes de trabalho, e até mesmo nas residências, a política foi tema constante, muitas vezes, no entanto, em um tom acima do que seria saudável para o desenvolvimento de nossa jovem democracia.

Muitas vezes, o contraditório, a opinião diversa foi motivo de desavenças, de rupturas. Amizades terminaram, relações se enfraqueceram.

Ora, a saudável contraposição de ideias é o campo fértil sobre o qual germinam as mais tenras flores da civilidade. Sem o debate, não há pensamento. Sem pensamento, não há construção de futuro.

Contraposição de ideias não significa conflito de ideias. É possível discordarmos sem nos engalfinharmos em lutas fratricidas. Em Romanos 3:20, lemos “fica longe das discussões e evitarás o pecado, porque o homem colérico atiça a discussão”. A filosofia também nos chama a atenção para o tema.

No século XVII, Francis Bacon apontava a dificuldade em dialogar com o outro ao afirmar que quase todas as pessoas não ouvem argumentos distintos ou não elaboram ideias fora dos seus limites, mas aceitam ou rejeitam a partir de premissas anteriores.

O Brasil precisa superar esta ameaça, a ameaça da divisão, da falta de amor, da capacidade de ouvir o outro. E é exatamente aí que surge a esperança que cultivo. Creio que todo momento de adversidade é o presságio para o surgimento de um porvir de desenvolvimento. Hoje, nós, brasileiros, temos a oportunidade de reconstruirmos o pacto democrático com mais pluralidade.

Nós, homens e mulheres que dedicamos nossas vidas à coisa pública, temos a obrigação de capitanear este processo. Não há mais espaço para deslizes éticos, para vistas-grossas na política.

Cada brasileiro tem a obrigação moral de dar o exemplo, de encontrar a trave nos próprios olhos, de repactuar suas ações em busca de relacionamentos mais éticos, de encontrar uns nos outros a força para reconstruir esta nação.
Tenho profunda fé de que avançaremos neste caminho.

(*) Marquinhos Trad é deputado estadual.

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