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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

18/10/2012 07:59

Por um mundo desigual

Por Eliane Quintella (*)

Igualdade é uma palavra que me assusta. Eu não acredito na igualdade. Eu acredito nas diferenças.

Somos todos maravilhosamente diferentes uns dos outros. Isso torna o mundo melhor. Diferença significa liberdade. A liberdade de eu ser quem eu bem quiser e seguir a vida que escolher. E isso, meus amigos, não tem preço.

Ser diferente me permite querer ser melhor que você. Também permite que você sonhe mais alto que eu, e, por isso, conquiste mais coisas. Nada como a liberdade de sermos diferentes para que eu escolha o meu caminho e você o seu.  É nessa desigualdade que eu vejo liberdade e respeito.

É por tudo isso que um frio congela minha espinha quando eu escuto alguém dizendo que somos iguais. Não somos iguais e ainda bem.

E é justamente essa desigualdade que assegura o direito à minha vida, às minhas escolhas, a tudo que for meu e que também lhe assegura o direito a tudo que for seu. Os direitos são iguais, sim, ainda bem, e essa é nossa garantia, mas isso não pode ser confundido, de forma alguma, com igualdade. A igualdade de querer nivelar tudo no mesmo patamar é corrosiva e destrutiva. Essa igualdade destrói o que é original, rebaixa o que é melhor e acaba eliminando o que é diferente. Nessa igualdade totalitária não há vencedores, há escravos. Ela aprisiona os cérebros brilhantes para que se tornem medianos. Não haverá invenções, não haverá nada que possa se sobressair, tudo o que possa ser desigual será sacrificado até a morte. Todas as diferenças, que são parte de nossa identidade, serão roubadas até não sobrar nada em nós, apenas mais um número. Não haverá vontade de luta, pois os frutos da vitória não poderão ser seus, não haverá vontade de criar, pois não poderá haver mudanças, nenhum avanço. Não haverá, também, vontade para crescer, para viver e, então, nos transformaremos em escravos apáticos dessa igualdade louca, sem sentido ou satisfação. Essa igualdade que odeia a diferença é escravidão, não se enganem.

Eu tenho o direito à minha vida, como você tem o direito à vida que escolheu. Eu tenho direito a tudo que for meu, a todas as minhas diferenças, exatamente como você. É essa liberdade que torna a vida colorida, que faz com que queiramos criar, lutar e brilhar.

Pregar a igualdade que não seja de direitos é acinzentar o mundo, é torná-lo sem graça.

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(*)Eliane Quintella nasceu em São Paulo (SP), é formada em Direto e mestre em Direito Processual Civil. Trabalhou em escritórios de advocacia e foi gerente jurídica de uma grande empresa alimentícia. Pediu demissão do cargo após o lançamento do seu livro Pacto Secreto (Ed. Novo Século), para se dedicar de corpo e alma à vida de escritora.
http://pactosecreto.wordpress.com

 

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