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07/04/2014 09:39

Porque a violência se agrava a cada dia?

Por Dallyla Caetano (*)

Ao falar sobre violência, devemos primeiramente conceituá-la. Violência significa usar a agressividade de forma intencional e excessiva para ameaçar ou cometer algum ato que resulte em acidente, morte ou trauma psicológico. É um comportamento que causa intencionalmente dano ou intimidação moral a outra pessoa ou ser vivo. A palavra violência deriva do Latim “violentia”, que significa “veemência, impetuosidade”.

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Existem vários tipos de violência, dentre alguns podemos destacar: violência física, verbal, sexual, etc., ela se manifesta de diversas maneiras, em guerras, torturas, conflitos étnico-religiosos, preconceito, assassinato, fome, etc. Todo tipo de violência provoca um trauma, entretanto, a violência verbal, causa danos morais, que muitas vezes são mais difíceis de esquecer do que os danos físicos.

Muito se discute sobre a violência, mas ninguém consegue explicar a razão que está levando esse mau a crescer de forma tão brusca e assustadora. Desde que o mundo é mundo ela existe, mas nos últimos tempos, tem deixado todos estarrecidos, é como uma “epidemia”, doença que está em todo lugar, e que se prolifera generalizadamente.

Mas porque a violência se agrava a cada dia? O que leva uma pessoa a cometer um ato de violência contra o seu próximo?

Ao responder tais questionamentos, algumas pessoas vão afirmar de forma rápida e enfática que quem comete violência contra outrem merece ir para a cadeia, sem ao menos parar para analisar, de fato, sobre o que foi questionado. Na maioria das vezes, elas não procuram saber qual a razão que leva um indivíduo a tornar-se uma pessoa violenta e a cometer atrocidades. Isso pelo fato de vivermos numa sociedade totalmente corrompida, que julga sem conhecimento de causa, que confia e acredita em tudo que é veiculado na mídia (como diz o ditado “preferem tapar o sol com a peneira”), dentre outros fatores.

Um dos grandes motivos para a ocorrência desse problema no Brasil é a desigualdade social. O nosso país é uma “grande potência” ainda em ascensão, mas infelizmente não temos representatividade política capaz de acelerar o seu crescimento. O país está marcado e manchado pela corrupção que além de vergonhosa é sem dúvida, umas das barbáries que mais contribuem para o que estamos vivenciando.

Dinheiro (oriundo de ‘infinitos’ impostos pagos pela sociedade) que deveria ser aplicado na educação, saúde, transporte, moradia, esporte, lazer, etc., vai literalmente para o “ralo” nas mãos de políticos antiéticos que não se importam com os problemas sociais. Sem deixar de destacar a crescente taxa de natalidade entre jovens (garotas que ainda não completaram a maioridade, estão se tornando mães), o que é um erro, já que muitas dessas adolescentes não conseguirão dar o mínimo de suporte que uma criança necessita, visto que elas também não tiveram uma base familiar e os seus direitos fundamentais respeitados, conforme preceitua o art. 3º da Lei 8.069/1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente.

O fato é que a sociedade clama por justiça. O Poder Público precisa se organizar e se mobilizar urgentemente, de forma a acabar com todos os tipos de violência existentes e que tanto tem deixado as pessoas em estado de desespero, ao ponto de não mais estarem ocupando a situação apenas de vitima, mas tornando-se também autoras de atos ilícitos e reprováveis, à medida que resolvem fazer “justiça com as próprias mãos”.

Alguns casos são chocantes e envergonham o país, recentemente um adolescente foi preso nu a um poste, acusado de assalto no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro; em Goiás a situação é a mesma, todos os dias surgem casos dessa natureza. As pessoas estão agindo dessa forma, por sentirem-se desprotegidas e desacreditadas na justiça.

O que mais preocupa é que tantas barbáries estão acontecendo e se propagando em uma época em que deveríamos estar em festa, já que o país “do futebol” sediará em breve a Copa do Mundo, o evento de maior repercussão internacional. Ao contrário do que se esperava, estamos vivendo uma época de crises, revoltas, inconformismos e de instabilidades em todos os setores.

O Estado precisa deixar de maquiar a raiz do problema e realizar políticas públicas e ações preventivas, e principalmente deve cumprir e respeitar os objetivos fundamentais da Constituição da República Federativa do Brasil. Cabe a toda sociedade e principalmente as autoridades competentes dar a sua contribuição, a fim de que o país consiga se desenvolver em todos os aspectos, e quem sabe num futuro próximo, possamos nos orgulhar de nós mesmos.

(*) Dallyla Caetano é advogada, integrante da Comissão de Direito Constitucional e Legislação da Ordem dos Advoga­dos do Brasil – Seção de Goiás e Especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil.

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