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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

22/07/2011 09:50

Propriedade privada e a tarefa de manté-la

Por Marcela Lemos Monteiro (*)

Nos idos entre guerras, na república Tcheca, havia uma moderna fábrica de calçados que produzia sapatos finos. Durante a guerra, foi adaptada para produzir botas. Repentinamente, toda a produção foi interrompida, em nome de uma causa política, e o prédio da fábrica foi transformado em “abrigo” para mães solteiras.

Assim permaneceu durante quase 50 anos, cumprindo esta função SOCIAL. Nenhum par de sapatos foi manufaturado mais. As mães solteiras e seus filhos tinham amparo e porque não dizer certo incentivo.

Esta seria apenas mais uma história daquela época se não fosse a da minha família. O esforço do meu avô, Arnost Jirousek, foi quem criou, construiu e manteve funcionando a JIRO SCHUHFABRIK. Esta fábrica foi CONFISCADA em plena produção, assim como a casa dele. Ele foi obrigado a doar ao partido político que a usou como seu QG.

Fato curioso; na hora do despejo, meu avô fez menção de pegar seus óculos de grau e seu sobretudo para se proteger da neve. Foi barrado com os seguintes dizeres – tudo, inclusive seu casaco, é do Estado. Pura rapinagem! Não haveria mais propriedade privada por longo período!

A fábrica foi devolvida, 50 anos após, em petição de miséria. Ainda tinha maquinário dentro de caixas lacradas, oriundas de uma importação da Alemanha feita pela JIRO em 1939, para modernizar a produção. Se ao menos tivessem capacidade de mantê-la funcionando e continuado a gerar emprego não teriam tantas pessoas dependendo do governo.

Teria sido muito mais fácil construir um abrigo do que confiscar uma Indústria em pleno funcionamento, mas a questão era mostrar que o indivíduo com vontade própria não tinha valor, apenas os governantes e o estado sabiam do que o povo necessitava. Quem produzia e fazia por merecer era humilhado e castigado.

Apesar de ter vivido até aos 96 anos (sempre criticando, sem medo, o regime) meu avô não alcançou a Revolução de Veludo e consequente abertura do seu país. Já na Primavera de Praga, em 1968 o Dubcek era seu herói. Imaginem como ele teria vibrado em 1989!

O exagero do “TUDO PELO SOCIAL”, o NÃO RESPEITO à Propriedade Privada e à PRODUÇÃO, o NIVELAMENTO por BAIXO, a ausência da conquista por MERECIMENTO; DESTRUIU UMA NAÇÃO. Acabou com a sua produção e alterou o espírito tão alegre deste povo Tcheco.

A humanidade progride, mas tende a repetir seus erros. Aqui no Brasil, motivação política e movimentos extremos continuam tirando a paz do proprietário. Na maior parte das vezes, quando alcançam seu objetivo, finda a transferência da propriedade para alguma causa, não se dá continuidade ao projeto.

Não se planeja verba para manter esta área com sua nova vocação, seja para questão indígena, quilombola, assentamento de sem terras ou seja para área de preservação ecológica ou outra finalidade. Logo, interferir no que está produzindo para se tornar um projeto mal-acabado não resolve nada.

Invasões e agressões realizadas a propriedades rurais por indígenas, brasileiros como todos nós, trazem insegurança, violência e parada de produção. Interessa a quem? No caso da Justiça entender que a área lhes é devida, o que farão para ali se manterem? Qual o planejamento do passo seguinte?

O indígena não quer voltar a caçar para comer, prefere uma prateleira bem abastecida de um supermercado. Como ficam os proprietários rurais que ali investiram, dedicaram o trabalho de uma vida, ou, muitas vezes, gerações, naquele pedaço de chão, com toda documentação de origem legal?

A justiça social e a produção devem caminhar lado a lado, sempre! Com bom senso e boa vontade tem que existir solução melhor do que tirar a terra do proprietário; este ser dedicado, que gera emprego, paga seus impostos e está produzindo alimentos para todos.

(*) Marcela Lemos Monteiro é engenheira agrônoma e produtora rural.

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À luz dos propalados "Direitos Humanos", sabe-se que nem sempre a propriedade privada os resguarda. Mas é ponto pacífico que nenhum regime sem propriedade privada, no mundo moderno, foi sequer compatível com os direitos humanos, liberdade individual ou coletiva. Certa, portanto a nossa Marcela, com sua rica discussão. Parabéns!
 
Valfrido M. Chaves em 23/07/2011 05:34:58
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