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23/09/2013 13:36

Quando o patrimônio supera a renda

Por Daniel Ávila (*)

Dois dados muito simples podem revelar muito sobre o momento financeiro do cidadão: patrimônio e renda. As necessidades são muito parecidas, variando de acordo com o momento de vida. As perguntas mais usuais são: Como melhorar o desempenho das aplicações pessoais? Como ter uma rentabilidade justa? Onde encontrar um interlocutor qualificado para falar sobre finanças e planejamento patrimonial?

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Para aqueles entre 30 e 45 anos, é nítido como a renda mensal é muito mais importante que o patrimônio, ainda em construção. As economias acumuladas já correspondem a algumas vezes o ganho do mês, mas a manutenção ou aumento da renda ainda é o grande objetivo.

Entre os 45 e 55 anos, esta linha é muito tênue. Nesta fase, já foi adquirido o imóvel que provavelmente será a moradia por muitos anos, o cargo na empresa já é de direção ou o próprio negócio já passou a ser lucrativo e os filhos estão entrando na faculdade e começando suas carreiras. Neste momento, os dilemas começam a ficar mais presentes e a preocupação com o futuro financeiro começa a incomodar.

A partir dos 55 anos é quando normalmente a balança se inverte. Os filhos já começam a se tornar financeiramente independentes, os pais já passaram por quase 20 anos de economia de um bom salário, bônus ou dividendos e rentabilidade, fazendo com que o patrimônio passe a ser mais importante que a renda mensal.

Nesta etapa, muitos profissionais já começam a se programar para, na próxima década, deixarem as empresas onde fizeram carreira ou sair do operacional das empresas que construíram e planejam como será a vida com uma rotina mais tranquila, mas com muito conhecimento acumulado. Uns se dedicam somente a gerenciar os bens da família e o patrimônio pessoal; outros prestam consultoria e conseguem uma geração contínua de renda. E os mais aventureiros, os incansáveis, envolvem-se em novos empreendimentos, engajando- se em novos projetos e negócios.

Falamos isto não por tese ou hipótese, mas porque já ouvimos cada uma dessas histórias relatadas diariamente pelo público que busca orientação financeira na internet. A possibilidade de divulgar informações de maneira rápida, transparente e barata deveria provocar uma reflexão sobre o mercado de investimentos. Há uma grande parte das classes A e B, absolutamente desatendida no segmento de planejamento patrimonial.

Não é raro encontrar investidores que conhecem mais de gestão de portfólio que o próprio assessor de investimentos. E grande parte do problema está na expectativa para o atendimento pessoal que oferecem nas áreas de alta renda dos bancos de varejo ou em muitos “family offices”. Neste momento em que o patrimônio é a garantia da manutenção do padrão de vida dessas famílias, esse atendimento insatisfatório carrega uma certa ironia e causa muita preocupação.

É uma ironia pois este é o público que pode pagar por um bom restaurante e ser bem atendido. É o público que compra um carro de acordo com seus desejos e fica satisfeito, pois pode pagar pelo modelo adequado ao seu grau de exigência. É um público que paga um pouco mais caro e se hospeda em hotéis de melhor qualidade. Porém, esse público não encontra a mesma comodidade no setor financeiro, justamente o setor de serviços que deveria ajudá-lo a manter o padrão de vida.

E qual o traço comum entre todos estes investidores? São pessoas que nunca negligenciaram o conhecimento e o trabalho: são mais exigentes que a média, em vários aspectos. Por isso ficam frustrados ao encontrar um profissional cuja qualidade dos trajes é inversamente proporcional ao conhecimento.

Este público valorizou estudos e trabalho, até conquistar uma posição de destaque na carreira ou no próprio negócio. É para estes clientes que o sistema de atendimento para investimentos não está resolvido. Para aqueles cujo patrimônio já é ou será a garantia de um padrão de vida estável e bem administrado.

Trata-se de um público altamente exigente, cuja relação patrimônio/renda passa a ser o principal foco de atenção e para o qual o modelo vigente não oferece um atendimento qualificado, simplesmente por não existir profissionais suficientes para suprir esta demanda. E ainda que existissem, o custo inviabilizaria o negócio. Não seria possível construir uma nova indústria de serviços com os valores e os métodos do passado, como a excessiva pessoalidade do atendimento.

Um dos caminhos possíveis é desenvolver soluções e processos baseados na internet, que ofereçam informação clara e objetiva sobre este mercado. Os termos, as variáveis e implicações das decisões financeiras precisam ser desmistificados, precisam entrar no cotidiano das famílias. Pois quando o patrimônio passa a ser mais relevante que a própria renda, e os anos de trabalho passados precisam suportar os anos vindouros de aposentadoria, estamos diante de uma nova necessidade e de um novo mercado. Essa não é mais uma realidade de poucos.

(*) Daniel Ávila é empresário e diretor da Vérios Investimentos e do site www.comparacaodefundos.com

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