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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

21/08/2011 06:03

Quando os estudantes saem às ruas e o povo aplaude: lições e alertas

Por Célio da Cunha (*)

A recente mobilização dos estudantes universitários e da escola secundária do Chile por ensino gratuito e melhoria da qualidade da educação pode ser vista por diversos ângulos de análise, conforme o universo ideológico de cada observador.

A história tem mostrado que sempre que os estudantes saem às ruas e recebem apoio popular é importante proceder a uma reflexão mais profunda e dela extrair lições e aprendizagens. Disso, são exemplos o maio de 1968 na França e os caras-pintadas no Brasil.

Um movimento de protesto dos estudantes chilenos que consegue mobilizar mais de 100 mil pessoas e chamar a atenção da imprensa de vários países, liderado por Camila Vallejos, uma jovem universitária do curso de geografia que tem a coragem e a clareza de dizer que “nós, os estudantes, estamos dando um exemplo, sem o medo que acometia nossos pais”¹ revela um sintoma que precisa ser considerado em toda a sua extensão.

Como bem lembrou Barrionuevo em oportuno artigo no The New York Times, o Chile, aos olhos do mundo externo, parece ser um modelo de coerência e administração fiscal prudente, mas, no país, existe uma insatisfação profunda com o modelo neoliberal e suas consequências para quem não faz parte da elite econômica.

Nessa mesma direção também se manifestou o sociólogo Miguel Urrutia, da Universidade do Chile, argumentando que a desigualdade da sociedade chilena é a chave para entender os protestos. A principal demanda dos movimentos sociais que vêm protestando é que todos os chilenos desfrutem da riqueza e dos avanços que o país teve, mas que se limitam a um pequeno setor da sociedade².

É certo que o Chile logrou muitos avanços em vários setores. Avanços que admiramos. Na educação, por exemplo, a experiência chilena tem sido, nos últimos anos, objeto de vários estudos, servindo mesmo de modelo e inspirações de políticas pedagógicas a vários países. Para muitos, essa explosão de protestos com prisões e violências múltiplas, configurou-se como uma surpresa.

No entanto, este novo milênio que começamos a viver há pouco mais de uma década já não confia tanto nas promessas de justiça e solidariedade herdadas do Iluminismo e que não foram cumpridas. As novas gerações querem respostas e se mostram dispostas a lutar por elas, sem medo, como disse a líder do movimento.

Que lições podemos tirar dos protestos dos estudantes chilenos? As novas gerações querem que a cidadania se universalize, querem ser protagonistas de utopias possíveis. Querem “o direito de ter direitos” e reconhecem os seus deveres. Esta lição, que também deve ser uma aprendizagem fundamental do nosso tempo, está à vista. Ignorá-la é colocar o futuro em situação de risco.

As novas gerações que se defrontam com injustiças, desigualdades e assimetrias se mostram também dispostas ao diálogo. Diálogo responsável. Nossa época é a de “sociedades abertas” que requerem audiências públicas de todas as vozes.

Certamente não será da noite para o dia que os ajustes se processarão. Não os ajustes estruturais da economia, que são limitados, mas os ajustes em torno da idéia de desenvolvimento humano e de respeito à diversidade.

Como fica a universidade nesse processo? Com todos os seus problemas, e não são poucos, a universidade é a instituição mais ética da história da cultura humana. Nessa condição e, com a experiência de mais de oito séculos, a universidade precisa repensar-se e enfrentar os desafios da crise que estamos vivendo.

A sua inteligência deve urgentemente ser colocada como bem público a serviço dos que mais necessitam. Como fazer isso? Deixando o corporativismo de lado e planejando-se como protagonista pró-ativo de um milênio que tem crescente consciência de que alguns dogmas do desenvolvimento não são mais do que mitos e falácias.

(*) Célio da Cunha é professor adjunto na Faculdade de Educação, da Universidade de Brasília e membro do Conselho Editorial das revistas Linhas Críticas (UnB), Ensaio(Fundação Cesgranrio) e Política e Administração da Educação(Anpae).

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Vejam só. O 'pau' comendo na europa. Os jovens protestando em vários países europeus. Ou sobre melhoria no ensino superior, ou pelo desemprego ou democracia. No Chile, idem. E aqui na nossa pátria amada. Com denúncias e prisões sobre corrupção, desvios de dinheiro público via hieraquia ministerial, políticos gerenciando fantasmas e demais falcatruas. Nossos estudantes "tão" nem aí.....
Estão tão bem na fita que parecem que tem sangue de barata. É só facebook, twitter e milongas. Nem usam essas redes para fazerem mobilizações como o fazem os dos países em questão. Políticos vindos de movimentos estudantiis, lado a lado com outros enraizados ao poder. Nossos antigos grêmios, ou DCEs, fazem nada. Todos de olho ou com boquinha na tijela já. Até os cantores teens, que poderiam estar compondo letras ácidas e mobilizadoras no tocante aos assuntos polêmicos e tal, fazem NADA. Estão todos e todos somente preocupados se o jatinho que ele comprará é melhor que o do fulano. Não é saudosismo de tempos outrora. É realidade que a juventude brazuca tá comprada, estagnada e embabacada. Perfeita transviadagem.
Tamu maus na fitá manúuuuuuuuuuuuuuuu.
 
Orlando Lero em 21/08/2011 12:07:59
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