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05/02/2013 13:30

Quando os jovens universitários se divertem....

Por Rosana de Castro (*)

Por dez anos, tive a responsabilidade de viabilizar eventos artísticos, esportivos e de lazer para a comunidade interna da UnB. Esses eventos, em sua grande maioria, tinham como público-alvo os jovens estudantes da nossa universidade e ainda muitos outros, membros da comunidade externa.

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Chegamos, eu e a equipe da Diretoria de Esporte, Arte e Cultura (DEA/DAC), a reunir mais de 5 mil jovens em eventos de grande porte. A nossa preocupação com itens de segurança era enorme! Nenhum evento podia ser realizado sem o suporte de seguranças, brigadistas, ambulância, enfermeiro, extintores em pleno funcionamento, emissão de alvará eventual de eventos (que inclui a autorização do Corpo de Bombeiros) , entre outros itens de segurança.

Elaborávamos ainda a rota da ambulância e mantínhamos sempre um possível caminho de fuga para esse veículo, de modo que a sua saída fosse sempre rápida e facilitada.

O nosso pensamento, meu e da equipe da DEA/DAC, era o de que aqueles jovens estavam no local apenas para diversão. Não estavam preocupados com as estratégias de segurança do local. E, por isso mesmo, nunca abrimos mão de cuidar das suas vidas. Eu, como mãe, me lembrava dos pais que ficavam em casa e gostariam de ver os seus filhos voltarem.

Muitas foram as vezes que vi o sol nascer no horizonte do Lago Norte. Em frente ao Centro Comunitário, ligava o meu carro para ir embora com o dia amanhecendo. Costumava acompanhar todos os eventos pessoalmente. Só ia embora quando já não havia, no local, nenhum jovem, nenhuma vida que durante 4 ou 5 horas de diversão, de uma forma ou de outra, estavam sob a minha responsabilidade e da equipe da DEA/DAC.

Os jovens querem e devem se divertir! A nós, que nos disponibilizamos a proporcionar essa diversão, cabe toda a responsabilidade de viabilizar meios seguros para que eles se divirtam! Produzir eventos não é tarefa fácil. Sem dúvida, é uma tarefa que deve estar na mão de profissionais sérios e, principalmente, atentos às vidas que recebem em seus eventos, muito mais do que com as cifras que eles geram.

Meus mais profundos sentimentos de solidariedade para com as mães e pais que perderam seus queridos filhos e filhas na tragédia da boate Kiss em Santa Maria.

(*) Rosana de Castro é professora no Departamento de Artes Visuais e ex-diretora de Esporte, Arte e Cultura da DAC/UnB

 

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