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15/10/2013 09:23

Que futuro aguarda o mundo?

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

A falta equilíbrio e responsabilidade são gerais. No século passado, consolidou-se a economia de cassino em lugar da economia do progresso e bem-estar. Cada país tem de cuidar de si, mas vivemos no mesmo planeta, e as grandes decisões não deveriam ser individualistas, em favor dos mais poderosos. A ganância e a ânsia de dominar impedem que haja uma harmonia, considerando os efeitos sobre o todo. Para evitar o "salve-se quem puder", necessitamos de educação humana.

Quanto maior o discernimento e o bom senso, maior a probabilidade de sobrevivência condigna de uma população elevada. Uma população sábia não teria alcançado mais de sete bilhões de pessoas. Chegamos ao tipo do ser humano descartável pelo esvaziamento da essência. Vidas com poucos alvos enobrecedores.

Como fenômenos mundiais, a miséria e a concentração da renda se ampliaram. Faltou responsabilidade com o futuro da parte dos gestores da economia e da finança global. Os economistas se enganaram ou foram iludidos com teorias abstratas. Graças à economia de mercado, temos muitos produtos à disposição. Mesmo assim, chegamos a uma economia caótica. Até os bem-intencionados não conseguem estabilizar a produção, consumo e um plano que coloque a qualidade de vida em primeiro nível.

No filme futurista “Elysium”, podemos analisar algo desse tipo. A trama revela uma perigosa tendência de concentração de poder e redução da qualidade de vida. Futurista? Nem tanto; embora a estória aconteça no ano de 2154, já estamos perto disso em muitas coisas: na poluição, na destruição da natureza, na falta de consideração e respeito humano, nos hostis ambientes de trabalho sem respeito às pessoas, nas dificuldades médicas e hospitalares, no transporte coletivo de baixa qualidade. Enfim, cidades desumanas. Um modelo para onde poderemos tender se não nos convencermos de que algo está errado na civilização voltada prioritariamente para a “financeirização” da vida.

Carecemos de uma visão de equilíbrio em todas as direções. No relacionamento entre os países, e internamente, no equilíbrio entre as camadas da população, com oportunidades, com preparo para a vida e visão de futuro melhor, para não ficarmos permanentemente no limite do salve-se quem puder, tendendo para uma sociedade embrutecida e incivilizada.

Poupança interna; austeridade equilibrada; contenção das dívidas - são todos fatores que exigem gestores públicos idôneos. Países endividados têm dificuldades para fortalecer a economia e melhorar a qualidade de vida de seus cidadãos. A China voltou-se para a exportação e consolidou elevada reserva em dólares. Os Estados Unidos descontrolaram a dívida, e agora há uma séria discussão no Congresso americano sobre a ampliação do teto da dívida fixado em US$16,7 trilhões.

A China recebeu muitos investimentos condicionados à produção para exportar. No Brasil, temos muitos investimentos externos, voltados para o nosso mercado interno e remessa de lucros sobre a produção de bens que não interessava mais produzir na origem. Sempre ficamos defasados na tecnologia. Grande parte da responsabilidade pertence aos gestores públicos com pouca ou nenhuma visão de futuro melhor. O Brasil ainda não despertou, e brevemente poderá ter pesadelos.

Sofremos com a falta de preparo da população e irresponsabilidade das autoridades. São os grandes males que perduram desde a proclamação da República. Padecemos da falta de visão dos governantes. E o futuro, como será com o continuado declínio na qualidade de vida?

Apesar de tudo, o descuidado Brasil ainda é uma boa opção de investimentos, caso contrário, grandes bancos não trariam os seus dólares para cá. No entanto, brasileiros no governo e na população, não sabem prezar o que temos, muito menos dar um direcionamento sadio ao desenvolvimento, descuidando do interesse geral para se dedicarem aos interesses próprios. Assim temos decaído por falta de seriedade.

Sem condições de controlar o câmbio ou aumentar a produtividade, os emergentes vão recebendo dinheiro das injeções monetárias do FED, como investimento de curto prazo ou compra de empresas existentes. É como um lenitivo para equilibrar temporariamente a instável Balança de Pagamentos, o que não elimina a secular dependência estruturada ao longo dos séculos.

E agora? Não será rindo da própria desgraça que encontraremos soluções, mas refletindo sobre o que temos feito de errado e buscando a compreensão de como encontrar os caminhos que levem a economia a servir ao progresso real da humanidade. Há tantas questões que se faria necessária a intervenção da classe culta: falta de saneamento, poluição, violência gratuita nos filmes e videogames, educação e saúde deficientes. Estamos vivendo como se estivéssemos diante de cenários sombrios de videogames. As novas gerações deveriam ser cada vez melhores que as anteriores, mas estamos vendo o oposto. Necessitamos da intervenção dos homens responsáveis para barrar o declínio moral e cultural. Ética e moral, deveriam permear as decisões.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, e associado ao Rotary Club São Paulo. Realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros “ Conversando com o homem sábio”, “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”, e “2012...e depois?”. E-mail: bicdutra@library.com.br

 

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