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29/06/2014 09:00

Respeito aos recursos da natureza

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Não está fácil entender o Brasil e sua economia errática. Os comentários são apaixonados; perde-se a visão real, o que é prejudicial porque ficamos para trás na guerra econômica global. As medidas se tornam eleitoreiras bem como as análises, tanto para o bem como para o mal. Tudo muito lamentável. O país do futuro fica amarrado na mesquinharia dos políticos. É como disse o ex-presidente Getúlio Vargas: todos querem alguma coisa para si, para seus amigos, nunca para o bem do Brasil.

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Um grave problema na economia são as oscilações geradas pelo objetivo prioritário de maximizar os resultados de grupos em prejuízo do todo. O adequado, do ponto de vista humano, teria sido a criação de mecanismos de equilíbrio no potencial produtivo, visando condições de vida condignas. No entanto, foi permitido que a miséria e o despreparo para a vida se espalhassem pela Terra, enquanto a riqueza era carreada para uma minoria despreocupada com o futuro da humanidade. Hoje temos de ir contornando os problemas gerados para que alguns países não afundem no abismo dos obstáculos insuperáveis.

As análises do economista francês Thomas Piketty estão corretas? Faltam mecanismos que equilibrem o compartilhamento, evitando ameaças à estabilidade em muitos países, num sistema complicado que impõe redução de consumo onde há subnutrição? Não basta dividir o bolo; é preciso primeiro fazê-lo crescer. No Brasil isso não está fácil devido à falta de preparo da população e da baixa produtividade. O câmbio tem problema. Há a agressividade das economias que se voltam para fora e produzem tudo que podem exportar pelo custo marginal e câmbio favorável. As indústrias não têm como competir. Falta controle no gasto público e equilíbrio nas contas e no comércio, exigindo empréstimo externo.

Há um desequilíbrio geral na economia. Uma situação caótica resultante da frieza do homem submisso aos ditames de seu raciocínio afastado do coração. Como sair desse círculo vicioso? Carecemos de um modelo universal que, respeitando as leis naturais da Criação, promova equilíbrio para que o processo de movimentação da riqueza entre os povos não venha a provocar a destruição da natureza e o empobrecimento ainda maior daqueles que estão em situação precária.

A variável que antecede a tudo são os recursos disponibilizados pela natureza; ela gera tudo que necessitamos; portanto, se apropriada com exclusividade por um grupo minoritário, enseja desequilíbrios. Isso não quer dizer revogação da propriedade privada, mas significa que os recursos devem ser compartilhados de forma adequada pelos habitantes do planeta, pois nossa permanência é transitória e os mesmos não estão aí para servir apenas a uma geração. Além disso, há o desequilíbrio nas contas e no comércio. A guerra competitiva e a falta de preparo geram déficits que tendem a se perpetuar pela falta de um esforço de assegurar o equilíbrio onde a Terra possibilita uma existência condigna a todos que se movimentam corretamente em busca do progresso real.

Uma manifestação emocionante de brasilidade foi vista durante a abertura dos jogos do Brasil na Copa 2014. Mesmo após o encerramento regulamentar da música do hino, os jogadores e o público prosseguiram cantando em capela. Toda essa energia deveria ser canalizada para o progresso real, fazendo do Brasil uma terra escolhida e onde os seres humanos poderiam evoluir em pacífica convivência, livres de preconceitos, de dogmas e misticismos. Um momento de reencontro no país, que esperamos, e que leve a unir vontades e pensamentos na busca de soluções, e a querer encontrar formas de colocá-las em prática. É com esse querer e com as ações da coletividade que poderemos construir uma sociedade mais humana e um mundo melhor.

Também é importante definir que imagem nós queremos projetar. Lembremo-nos que as camisetas da Adidas, que expunham a mulher em insinuação ao sexo, foram proibidas, mas para a jornalista Samantha Pearson, correspondente do jornal britânico Financial Times, continuamos a usar a imagem feminina como chamariz. Ela citou como exemplo o cartaz, que pode ser visto bem na saída do aeroporto de Guarulhos, em que uma moça aparece apenas de sutiã e calcinha verde-amarela para a propaganda de uma marca de roupa íntima. O que deveríamos estar projetando pela nossa vocação não é esse tipo de imagem, mas sim a de um país pacífico, sério, preocupado com a humanização da sociedade.

O Brasil é abençoado de fato. Povo amigo, respeitador, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos. Bendita seja querida pátria iluminada chamada Brasil. Isso tudo impõe alta dose de responsabilidade. Que teu povo não permita o obscurecimento. Temos de deixar de ser um país subdesenvolvido, mental e economicamente. Temos de adquirir personalidade própria e discernimento para seguir nosso destino. Para isso precisamos de adequado preparo para a vida, desde a primeira infância.

Todos nós dependemos da natureza. Para o bom preparo para a vida seria importante que as crianças tivessem, desde cedo, contato com as belezas da natureza, e aos poucos fossem compreendendo a lógica existente nas leis do desenvolvimento e sustentação da vida: água, ar, solo florestas tudo integrado em perfeito equilíbrio, beneficiando-se da energia do Sol.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP e associado ao Rotary Club São Paulo. Realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros “ Conversando com o homem sábio”, “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”, e “2012...e depois?”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

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