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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

15/02/2011 15:49

Ronaldo aposentado

Paulo Renato Coelho Netto (*)

Ronaldo anunciou a aposentadoria. Como brasileiro, não terá do que se queixar. O mais ilustre dos aposentados do Brasil nunca vai ser humilhado nas filas dos postos de saúde, não vai precisar pesquisar preços de remédios em dez farmácias diferentes e, em caso de cirurgia, não vai morrer em alguma maca enferrujada ou na calçada de algum hospital à espera de atendimento.

Ao contrário da esmagadora maioria dos aposentados brasileiros, Ronaldo vai ter dinheiro de sobra para se cuidar. Vai poder viajar e aproveitar as praias que quiser em qualquer lugar do mundo.

O Ronaldo nunca vai voltar da rodoviária decepcionado com as malas nas mãos porque foi impedido de embarcar naqueles acentos gratuitos, que idosos sem dinheiro têm direito por Lei, porque ouviu de um motorista mal humorado que o coletivo está cheio. Como se o chofer fosse rico e nunca fosse ficar velho.

O mega astro do futebol brasileiro também não vai precisar contar migalhas para ir ao cinema ou ao teatro pagando meia entrada. Jamais será visto solitário em um banco de pracinha, pensando na vida ou, quando muito, dividindo seu tempo, jogando dominó com outros na mesma situação de penúria, como da esmagadora maioria dos aposentados e pensionistas brasileiros.

O ex-jogador não vai precisar encarar filas do INSS e ter de sair à procura de documentos praticamente impossíveis de resgatar para ter o benefício. Muitos dos aposentados brasileiros sequer têm condições de ler e interpretar bem um texto simples quanto mais entender as exigências da eterna burocracia que está arraigada no Brasil desde os tempos do Império.

Ronaldo fez por merecer para chegar aonde chegou. Amealhou cada centavo de sua fortuna com o único trabalho que conheceu na vida, jogar bem futebol. Brilhou cedo, como brilham os gênios. Aos 17 anos, em 1994, venceu sua primeira Copa do Mundo. De quebra, é o maior artilheiro da história das copas, com 15 gols. Foi três vezes eleito o maior jogador do mundo.

O astro não vai desfrutar nenhum centavo desmerecido. Seu dinheiro não é fruto de herança fácil, golpe, corrupção, tráfico, extorsão ou sequestro. Ronaldo muito menos ficou rico como uma maria-chuteira que assedia a vida de atletas bem sucedidos ou maria-fazenda, ou maria-bisturi, entre tantas marias-sem-vergonha.

Ronaldo fez por merecer. Encantou de Belo Horizonte a Barcelona. Foi um fenômeno de gols, de carisma e de marketing. Dentro de campo ainda exercia a condição de líder nato entre os colegas. Foi tido como ídolo até mesmo entre seus pares e adversários. Era um gênio. Existe algum outro que você conheça jogando agora no Brasil?

Pena ter parado tarde, impulsionado por sobrepeso devido ao hipotireoidismo, uma coleção de lesões e pelo descontentamento insano de frustrados que não pensam duas vezes em jogar pedra e dar paulada em ônibus de jogador quando o time perde.

Muitos dos que contribuíram para Ronaldo deixar o futebol antes do fim de 2011, como era seu desejo e estava em dezenas de contratos, enfim, muitos são fracassados.

A maioria não tem talento para nada e já chutou para fora de campo todas as oportunidades que a vida oferece.

(*) Paulo Renato Coelho Netto é jornalista, pós-graduado em marketing e autor do livro “Mato Grosso do Sul”.

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Caro Paulo Renato, parabéns pelo importante artigo produzido em reverência a um dos mais importantes brasileiros já nascidos. O legado que esse homem fenomenal deixa àquela "maioria que não tem talento pra nada e que já chutou para fora de campo todas as oportunidades que a vida oferece" é, exatamente, aquilo que àqueles que fizeram fortuna através do ilícito mais corrosivo a qualquer sociedade lhes tiraram e que também está pontuado em trecho do seu artigo, ou seja, ao ver Ronaldo em campo e sabendo da sua capacidade, o povo(é, aquela maioria) esqueciam os saques em seus impostos e voltavam a sentir orgulho de sua pátria, das cores de sua bandeira, ouviam atentamente e emocionados o hino de seu país, esqueciam a desassistência praticadas pelas instituições que deviam assistir e proteger os vulneráveis e sorriam(muitas vezes sem dentes) das mágicas feitas em campo pelo seu ídolo, pelo seu compatriota que tem em comum com eles o fato de também ser brasileiro. Obrigado Ronaldo, obrigado fenômeno!! E cuidado "senhores"(banda Titâs) o egito é bem aí, a aldeia é global e o povo daqui também já está cansado e obrigado Ronaldo.
 
antonio barbosa- em 15/02/2011 07:31:12
Hipotiroidismo? Estamos a 3 anos da COPA DAS COPAS para o Brasil, que além de ser o celeiro dos maiores jogadores do mundo, ainda está com o nó na garganta pelo final da Copa de 1950, realizada aqui. Maracanã hiperlotado. O cenário político e econômico que se avizinha necessita de uma triunfal, titânica, distração.

Agora que o Ronaldo soube, de forma fenomenal pela reportagem da Globo (!) que os hormônios para o seu tratamento não estão incluídos na lista antidopping, ele poderá acabar ressucitando - não no terceiro dia, que poderia parecer blasfêmia de minha parte - mas no terceiro bimestre... Seria apoteótico!! Aquele que superou tudo! (Ficaria mais fácil substituir o mito "Pelé"; o Sr. Edson já está cansado).

Olhos atentos, agora, para o Gaúcho...

Afinal, Neymar, Robinho e suas gerações ainda poderão ter gás para outras copas.
 
Carlos Alberto Cordeiro em 15/02/2011 07:21:57
Parabéns pelo texto. Aposentado pelo seu talento, pela sua capacidade e não como muitos politicos que se aposentam com suas próprias leis.
 
Urivaldo F. Menezes em 15/02/2011 05:50:32
Meu amigo Paulo Renato, que bom ler este têxto, e constatar que você soube ver e falar do RONALDO por um angulo diferente, sem cair na mesmice de todos os outros comentários hoje na midia, que as vezes o tiram da condição de ser humano, e o elevam a quase condição de um DEUS, do futeból (se é que existam, tais deuses) excelente a sua comparação do mesmo, conosco, os simples mortais, com relação a nossa eterna dependência do estado para as nossas necessidades mais basicas como saúde, segurança, alimentação, moradia e outras, parabéns. Porém meu amigo, não poderia deixar de humildemente recrimina-lo, pelo uso nesta bonita matéria, do termo pejorativo das "MARIAS" que infelizmente faz parte do vocabulário brasileiro (mesmo sendo este o nome da escolhida por DEUS para ser a mãe de JESUS), quando se quer desmerecer alguma mulhér. Um grande abraço.
 
Antonio Mazeica (fumaça) em 15/02/2011 05:00:37
Ainda bem que o Paulo se recuperou do meio do artigo para o fim. Óbvio que a situação citada no início do texto é vergonhosa para este país, mas não daria para comparar Ronaldo com ninguém. Ele não tem culpa de ser milionário, de ser famoso, de ter o talento que lhe tornou famoso, midiático. Também não têm culpa os aposentados que são submetidos a essa situação imposta pelo governo, pela burocracia, pela corrupção. Parabéns pela opinião.
 
Helio de Freitas em 15/02/2011 04:55:27
Mais um excelente texto do jornalista Paulo Renato. Parabéns! No Brasil, para muita gente, envelhecer é pior que a morte.
 
Luciane Medeiros em 15/02/2011 04:13:47
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