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Campo Grande, Domingo, 22 de Janeiro de 2017

30/04/2011 10:00

Santa Ca(u)sa III

Por Heitor Freire (*)

Em artigo anterior sobre a Santa Casa, afirmei que a sua construção e a sua história retratam com muita fidelidade uma história de amor – parafraseando o dr. Arthur D`Avila Filho – fielmente comprovada pela dedicação de todas as diretorias que ao longo do tempo se sucederam em sua administração.

Uma das confirmações disso – a história de amor – é a Equipe da Esperança, criada em 1993, por dona Maria Aparecida Moraes D’Àvila, - um movimento de mulheres voluntárias dedicadas ao apoio neural e religioso aos doentes internados na Santa Casa.

Em seus melhores tempos chegou a congregar mais de 400 abnegadas voluntárias de jaleco verde e crachá. Além desse apoio moral, a Equipe supria necessidades materiais de alguns doentes mais carentes, com fornecimento de cadeira de rodas e até de cestas básicas para o atendimento de suas famílias.

Nesse enfoque, não podemos deixar de mencionar o corpo médico, abnegado, dedicado, solidário, bem como as enfermeiras e os funcionários. Destes menciono como exemplo, o Sebastião Parente Teles funcionário há 32 anos e há 15 anos chefe do pronto socorro, trabalhando diuturnamente, de manhã, de tarde, de noite, em todos os momentos em que sua presença se faz necessária não medindo esforços para suprir com dedicação e amor todas as deficiências eventuais.

A intervenção da prefeitura causou um transtorno muito grande na vida da Santa Casa: em primeiro lugar desestruturou toda uma hierarquia de valores e disciplina, criou um pandemônio; em segundo lugar, impediu a continuidade da prestação de serviços da Equipe Esperança.

Incompreensível e desumanamente deixando toda a população de doentes internados desamparados de uma hora para outra e o pior, sem oferecer nenhuma alternativa de acompanhamento.

Mas tudo o que acontece na vida da gente deixa um significado positivo. E o grande proveito que se tirou disso tudo foi a união indissolúvel dos nossos associados. Nós que acabávamos de sair de uma eleição, cuja diretoria vencedora obteve apenas 3 votos de diferença, onde se cristalizava uma divergência com previsíveis efeitos deletérios, de repente, ao sentirmos a nossa Associação atingida, nos unimos e assim permanecemos.

Hoje sob a liderança inconteste do nosso presidente Wilson Teslenco, confirmamos essa união com a realização da última assembléia geral extraordinária realizada no último dia 19, na Associação Comercial, com uma presença maciça de associados, todos irmanados em torno da nossa Associação.

Por falta de espaço não poderei citar todos os associados presentes. Mas vou mencionar os que fizeram uso da palavra, todos unanimes em tomar as medidas necessárias para a pronta retomada da administração da nossa Santa Casa.

Fizeram uso da palavra: naturalmente, o nosso presidente Wilson Teslenco; a seguir, Carmelino Rezende, Marcílio Tezeli – o último grande gerente do Banco do Brasil – o ex-senador Juvêncio César da Fonseca (ex-presidente), ex-senador Válter Pereira, Antonio Alcione Gonçalves, Landes Pereira, Sinval Martins de Araújo (ex-presidente), Alfeu Coelho Pereira, Esacheu Cipriano do Nascimento (ex-presidente), Ricardo Bacha, Joelson Chaves de Brito, Yago Chierregati e Arnaldo Molina.

Está mais do que na hora de a prefeitura entender que a intervenção não deu certo. Não foram saneadas as dívidas, ao contrário, aumentaram a níveis estratosféricos e o atendimento à população está cada vez mais caótico.

Tudo indica, porém, que estamos caminhando para fins convergentes. Em recente entrevista à imprensa, Geraldo Faria, diretor técnico acompanhado do presidente da junta, Jorge Martins, disse que a prefeitura deveria construir um pronto socorro municipal, pois a Santa Casa que abriga também o pronto socorro, cuja manutenção é bancada pelo hospital, vive momentos de insuficiência financeira por esse motivo e pela defasagem entre a receita e a despesa (SUS).

É a mesma tese advogada pela nossa Associação desde sempre. Aliás, conversando outro dia, no Instituto Histórico e Geográfico, com o professor Campestrini e o dr. Hélio Mandetta, este dizia que quando o dr. Delmiro Pedrosa, era secretário de saúde municipal, na administração de Lúdio Coelho (ambos recentemente falecidos), apresentara um projeto de pronto socorro municipal, com o local definido para sua construção. Mas o projeto não foi aceito. Quem sabe não seria agora a oportunidade de aproveitá-lo?

Assim, senhor prefeito, a nossa Associação está à sua disposição para um entendimento elevado. Sabemos que a sua intenção foi das melhores. Mas só a intenção não foi suficiente. Vamos dar-nos as mãos e vamos todos juntos contribuir para o objetivo maior da nossa Santa Casa: o atendimento condigno à nossa população.

(*) Heitor Freire é advogado, corretor de imóveis e membro da Associação Beneficente de Campo Grande – Santa Casa.

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