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Campo Grande, Domingo, 22 de Janeiro de 2017

12/08/2015 11:33

Sérgio Moro e banda

Por Mauri Valentim Riciotti (*)

A Operação Lava-Jato, além de mostrar aos cidadãos de bem que é possível combater a corrupção, também tem servido de lição àqueles que pertencem às instituições envolvidas na investigação e processos judiciais, que só o trabalho conjunto é que traz resultados positivos.

Cabe tal reflexão, porque vez por outra, digladiam-se entre si, em lutas absolutamente corporativas, visando sobreporem-se uns sobre os outros, esquecendo-se que são “todos” servidores públicos, com um objetivo comum. Tem sido assim ao longo dos últimos anos com uma parcela do Judiciário, do Ministério Público e das Polícias. Essas divergências não fazem bem à sociedade, ao contrário, agrada aos malfeitores.

As diversas fases dessa aplaudidíssima operação investigatória e seus desdobramentos em processos judiciais, tem sido como uma apresentação musical do gosto do grande público. Os integrantes da banda, afinadíssimos, de forma harmônica, no momento certo, revelam suas habilidades. Ora um, ora outro, tem oportunidade de mostrar seu talento.

No palco iluminado, cada um, de posse de seu instrumento, sabe exatamente o seu momento. De olho na partitura, se apresentam, contribuindo para que a música deleite a plateia, conscientes de que a banda existe para ela e que sucesso de cada um depende dessa afinação.

O público não aceita mais a velha música clássica, que teve seu apogeu, mas hoje só agrada aos senhores adeptos da opulência, praticantes de desmandos e exploradores dos cidadãos de bem. As velhas composições, de intrincados acordes, não tem mais espaço nesse novo mundo tão complexo, democrático e popular.

Integrantes desse mesmo grupo de profissionais que hoje fazem tanto sucesso, se olhassem com mais atenção para essa operação, lembrando que a boa bilheteria é mantida pelo grande público pagante, esquecendo-se dos interesses – meramente classistas -, compreenderiam que não é a atuação isolada que vai resultar na boa música.

São os instrumentistas em união, partitura à frente, depois de muito ensaio, em completa harmonia, dando o melhor de cada um, é que atingirão esse objetivo. É necessário que tenham consciência de que fazem parte de um grupo e que, isoladamente, não têm chance de deslanchar suas carreiras.

É interessante notar que na Operação Lava-Jato, com a atuação irrepreensível da Polícia Federal, do Ministério Público, do Judiciário e outros órgãos incumbidos de alguma espécie de fiscalização, coube ao juiz Sérgio Moro, sem qualquer imposição de sua parte, o papel de “líder da banda”, assim reconhecido pelo público.

No palco, um ladeando o outro, de posse de seus instrumentos, seguem rigorosamente o que está escrito na papeleta à sua frente, que nada mais é do que a Constituição Federal e as leis infraconstitucionais, que dispõem qual é a parte de cada um na execução da música, apenas acrescentando novos acordes, mais contemporâneos, “sem rasgar a partitura”, como alguns amantes da velha escola clássica alardeiam. O grande maestro é o povo brasileiro, que ao romper com um período ditatorial, fez esse arranjo em 1988.

Essa figura metafórica demonstra com exatidão aos órgãos de fiscalização e investigação, bem como ao Poder Judiciário, que só existe um meio para se vencer o crime organizado: o esforço conjunto de cada um dos agentes públicos que têm essa missão! Não há espaço para a mesquinhez da luta pela supremacia de uma instituição sobre outra.

Esta, aliás, é um passo para a falência de todas! É esse o debate que precisa ser enfrentado pelas lideranças de cada uma dessas instituições. À sociedade, que paga a conta, só interessa o combate eficaz contra essa sórdida corrupção que solapa a esperança do nosso povo. A ele não importa quem é o protagonista. Nesse palco não há espaço para carreira solo.

(*) Mauri Valentim Riciotti é corregedor-geral do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul.

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