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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

30/09/2016 09:28

Setembro Amarelo: falar é a melhor solução!

Por Thaís Marcela Jaymes (*)

Hoje, o suicídio no Brasil já faz mais vítimas que a AIDS e mata mais do que vários tipos de câncer e, mesmo assim, muitas pessoas ainda não discutem o assunto e têm medo de encarar as doenças psicológicas que, muitas vezes, levam à morte.

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Segundo uma pesquisa recente da OMS (Organização Mundial da Saúde), no Brasil, a cada 100 mil pessoas, quase sete tiraram a própria vida no ano de 2012. Além disso, para cada suicídio podem ter ocorrido mais de 20 outras tentativas que não deram certo.

A vergonha, o desconhecimento e o desinteresse das vítimas e de seus familiares e amigos em tratar o problema são catalisadores que precisam ser combatidos.

Essa é uma das metas do Setembro Amarelo, campanha de prevenção de suicídio que chegou ao Brasil em 2014. Iniciado no Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), o Setembro Amarelo realizou as primeiras atividades no ano passado e, este ano, ganhou ainda mais visibilidade em âmbito nacional.

Ações nas mídias também estão sendo vinculadas desde o início do mês, e cada vez mais pessoas estão aderindo ao objetivo da campanha. O principal objetivo do Setembro Amarelo é quebrar o tabu que existe envolvendo o suicídio.

Doenças graves, como o câncer e a AIDS, já passaram por períodos nebulosos e foram combatidas através do conhecimento. Mas, para isso, foi necessário um esforço coletivo, liderado por pessoas corajosas e organizações engajadas.

Quebrar tabus não é fácil, mas é preciso esclarecer, conscientizar e estimular a prevenção para reverter situações críticas como as que nós estamos vivendo.

O problema de saúde pública que estamos encarando agora é causado, principalmente, pelo desconhecimento das pessoas sobre as causas do suicídio e os tratamentos para evitar que ele aconteça.

Muitas vezes, familiares e amigos não reconhecem os sinais de que alguém querido vai tirar a própria vida. Aliás, muitas vezes, a própria vítima não entende que precisa de ajuda e acaba se afundando cada vez mais em uma solidão desesperadora. Por isso, é preciso falar sobre suicídio e discutir a depressão abertamente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 9 em cada 10 casos de suicídio poderiam ser prevenidos se a pessoa buscar ajuda e se tiver a atenção de quem está à sua volta. Por isso, não é preciso ficar com vergonha e nem se sentir inseguro. Depressão é uma doença e, assim como você trataria uma gripe, um resfriado ou um câncer, você deve tratá-la de acordo com a orientação médica.

O tratamento psiquiátrico e psicológico é fundamental. Não acredite em sinais repentinos de melhora, quem sofre com tendências suicidas deve iniciar um tratamento urgente e tomar as medicações necessárias.

Enquanto isso, você pode pedir ajuda para se livrar de possíveis ferramentas suicidas, como armas (brancas ou de fogo), drogas, medicamentos e produtos que possam ser ingeridos com o objetivo de causar a própria morte.

Porque a terapia pode me ajudar? Muitas pessoas ainda acreditam que buscar psicoterapia é assumir-se “louco”, quando na verdade buscar terapia é um ato de coragem de pessoas humanas, que desejam adquirir autoconhecimento, melhorar suas relações, compreender seus sentimentos.

Ou você, sendo “normal”, nunca se sentiu angustiado, ansioso, confuso, culpado, perdido ou sobrecarregado? Sintomas que envolvem ansiedades, compulsões, estresse, depressões, fobias podem ser tratados pela psicoterapia.

Além de problemas de relacionamento, frustrações com a vida pessoal, familiar, profissional e até mesmo perdas, dificuldades de adaptação e aprendizagem, ou seja, tudo aquilo que consome nossa energia e que pode nos impedir de levar uma vida saudável.

Durante a psicoterapia, o papel do psicólogo é conduzir você a um processo de autoconhecimento para que você possa olhar-se de frente e se expressar na sua singularidade, considerando que os seus sintomas podem ser compreendidos a partir de suas experiências de vida, de seus vínculos afetivos e de suas relações consigo e com o mundo. Portanto, fazer psicoterapia é realizar um investimento em você e na sua qualidade de vida. 

Resumindo, muitos de nossos problemas acontecem porque não compreendemos como funciona a mente que nos habita ou não entendemos porque agimos de determinada maneira e o psicólogo pode nos ajudar nisso. Por fim, é necessário saber que, 25% das vítimas de suicídio não demonstra nenhum sinal significativo.

Então, é importante ficar de olho nos pequenos detalhes que podem surgir principalmente depois de algum trauma. Participe da campanha Setembro Amarelo e ajude a salvar vidas. E vá além.

Não deixe que essa campanha seja realizada e divulgada apenas no mês de setembro, procure ajuda no momento que precisar, e ajude sempre que houver disponibilidade, para que os índices possam cair cada vez mais e a melhora da qualidade da saúde mental cresça.

(*) Thaís Marcela Jaymes Lemos é psicóloga e psicopedagoga.

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