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20/11/2012 09:07

Somos todos iguais?

Por Silas Fauzi (*)

 

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Nessa semana comemoramos ao dia da Consciência Negra em nosso país. Essa data é comemorada desde 1978 e faz menção à luta das pessoas negras, sobretudo pela igualdade de direitos, pela história de resistência e pela plena liberdade diante de uma sociedade que foi forjada à custa do escravismo. Zumbi, morto em 20 de novembro de 1695, é a grande referência de resistência e luta pela liberdade e autonomia do seu povo na região de Palmares, no estado de Alagoas e a história do Brasil é toda ela marcada pela constante luta dessa parte significativa da população do nosso país. Mas a história de luta não se resume somente ao estudo dos acontecimentos: ela se faz no nosso dia-a-dia.

Em pleno século 21, após décadas de “libertação” dos negros da condição de escravos das fazendas cafeeiras, ainda temos casos alarmantes de discriminação racial em várias esferas da nossa sociedade. Quando se fala em discriminação racial, não existe idade. Crianças, jovens, adultos e idosos sofrem constantes atos de racismo velados que vão desde uma piadinha, que num primeiro momento parece ser inocente, até atos de racismo declarados, como o da professora da disciplina de Religião Afro, da Universidade do Estado do Pará (UEPA), que desferiu palavras depreciativas à condição humana ao segurança da instituição que estava cumprindo seu papel de trabalhador responsável com a suas obrigações.

Não precisamos ir muito longe para verificar a relação que algumas pessoas estabelecem com as outras por conta da sua cor. No dia 23 de abril de 2011, tivemos um caso lamentável ocorrido no interior das Lojas Americanas, onde um trabalhador foi atravessar de uma rua à outra por dentro do estabelecimento com um ovo de páscoa, quando foi abordado por seguranças acusando-o de ter subtraído o produto da loja sem efetuar o pagamento. Não contente com a abordagem, os seguranças da loja o espancaram a ponto de deixar, além de uma fratura no nariz, vários hematomas pelo corpo e a retina deslocada. Até hoje esse trabalhador tenta levar uma vida normal com todas as dificuldades que o trauma lhe trouxe para sua vida e de sua família.

Em relação à comparação dos números frios entre negros e brancos, vemos uma realidade que os meios de comunicação nunca revelam à grande massa. Vejamos alguns dados: o salário do negro é 70% menor do que o do branco; a taxa de analfabetismo entre os negros é de 14,4%, já entre os brancos é de 5,9%; o número da taxa de desemprego entre os negros é de 10,1%, enquanto que entre os brancos é de 8,2%; já o índice de negros nas universidades é de 12,8%; o número de negros e pardos representam 66,5% da população carcerária; e por fim, o número de mortes por causas violentas é de 65,5% entre os negros.

Todos esses dados são do último Senso do IBGE. Se fizermos a mesma comparação entre as mulheres negras e as mulheres brancas e entre as mulheres negras e os homens brancos, alguns dados mais dobram. Isso revela o quanto precisamos avançar na conquista pela igualdade de direitos. Políticas afirmativas fazem uma compensação entre o atraso social e econômico que historicamente essa população sempre viveu, pois existe uma parcela significativa da população que repugna toda e qualquer forma de inclusão dos negros em universidades e no mercado de trabalho, além de haver também uma discriminação velada nos espaços institucionais em nosso estado. Um exemplo é a liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do nosso estado, a pedido da Federação do Comércio de Mato Grosso do Sul, anulando a Lei que estabelece feriado no dia 20 de novembro, ao contrário do que já acontece em tantos outros estados e em mais de 750 municípios brasileiros.

O racismo ainda produz a invisibilidade da população negra e é necessário que produzamos uma proporcionalidade de acesso aos meios que garantam igualdade para todos. Somente assim chegaremos a tão sonhada sociedade harmoniosa.

(*) Silas Fauzi é professor e militante das pastorais sociais.

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Admiro o ato de se ter um dia em homenagem aos Afro-descentes, principalmente devido ao que eles sofreram com a escravidão, e todos os males a eles infingidos.
Embora, se formos analisar a História da Humanidade, todas as etnias foram escravizadas,
inclusive os caucasianos ( brancos), ou descendentes de europeus. Acho, que, para ajudar a por um fim nesta situação de racismo e descriminação, já que os Afro.descendentes possuem um dia em sua homenagem, por que não os imigrantes italianos, alemães, poloneses, portugueses, espanhóis, ucranianos, russos, austríacos, e os imigrantes asiáticos como os japoneses e os chineses, também não possuem um dia que os celebrem?Pois todas estas etnias ajudaram a construir o Brasil, e fazem parte da nossa história, assim como os índios, donos desta nação.
 
João Adalto Rocha em 21/11/2012 14:44:10
gent to di cara ii preciso fala... EU TENHO amigos, parentes, conhecidos NEGROS! E DAI ?? PODERIAM SER ROSA, AMARELO, VERDES, GAY, LÉSBICA, EXTRA-TERRESTRE... E DAI??? SERIAM A MSM PESSOA!!! EU NAUM DIFERENCIO MEUS AMIGOS, NEM QUALQUER OUTRA PESSOA Q SEJA, PELA SUA COR. EU AXU UMA DISTORÇÃO DE VALORES, VC LUTAR CONTRA DISCRIMINAÇÃO E DESIGUALDADE E AO MSM TEMPO SER A FAVOR DE "DIA DOS NEGROS", "DIA DOS GAY'S", COTA EM FACULDADE, ENTRE MTOS OUTROS Q EXISTEM POR AI...
assim, naum querendo levantar polêmica, só estou expressando minha opinião...
 
Carol Siles em 21/11/2012 09:21:58
Diversidades, cores e sangues...

Como pode o bicho homem achar alguma diferença por outro ser humano ter nascido com um tom de pele escuro ou claro ou mesmo amarelo? Como pode alguém ter uma idéia contraria a escolhas sexuais de outro ser humano? Quem somos nós para dizer que este rico e poderoso nobre com algum título de nobreza tem sangue diferente do mais humilde dos pobres? Estamos vivenciando uma era de igualdades e de liberdade de atos e de respeito aos seres humanos nunca vistos em todas as eras, somos iguais em tudo, que se abra o maior dos ricos e também o mais humilde dos pobres e quero que qualquer cientista da atualidade me mostre alguma diferença entre ambos. Agora por se ser mais escuro ou por simplesmente ter outra opção sexual que a aquela escolhida pela maioria dos seres humanos que muitas das vezes as tem por medo de serem expostos ao ridículo de uma sociedade que muitos daqueles desta dita sociedade morre de vontades escondidas no mais intimo de seu ser e criam se cascas que simplesmente servem como a uma máscara, mas que seus pensamentos viajam nas loucuras das fantasias eróticas de outros seres humanos que se tem grande coragem de se assumir diante daquela dita sociedade. Admiro e aplaudo aqueles que se assumem suas fantasias e também suas diversidades, prova que são autênticos e que são acima de tudo seres humanos iguais a mim e você que a eles criticam ou que ainda são melhores que nós...
 
zildo de oliveira barros em 20/11/2012 12:41:26
Parabenizo o CG News pela matéria. Foi muito inteligente apresentar os dados do último Senso do IBGE.
As Políticas de Ações Afirmativas existem para tentar reparar a alienação cultural, social e financeira que NÓS NEGROS sofremos de modo forçado, após a "abolição da escravatura" no Brasil, que por sua vez foi uma piada muito sem graça para os até então escravos, que sairam das senzalas e foram para os conglomerados suburbanos = ATUAL FAVELA.
Parabenizo todo Brasileiro, seja Branco ou Negro... Se tiver consciência do que este dia representa ao país.
Como um bom sonhador que sou, penso que a desigualdade (de modo geral) esteja com seus dias contados.

 
Thiago Assis em 20/11/2012 09:57:37
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