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08/05/2012 08:47

Tecnologia e lucratividade no mercado varejista

Por Grasiela Tesser (*)

Empresas de todos os tipos dependem cada vez mais de estratégias de diferenciação para sobreviver. Isso fica ainda mais evidente em segmentos fortemente vinculados ao consumidor final, como o varejo. Trata-se de uma área em franca expansão, na qual economizar em investimentos tecnológicos pode ser sinônimo de perecer. Nesse aspecto, uma das soluções passíveis de promover competitividade é a tecnologia RFID. Esta pode ser implantada em produtos, permitindo que milhares deles sejam rastreados e controlados à distância.

Uma sondagem feita com principais players varejistas pela consultoria Boucinhas&Campos mostra que 43% deles têm expectativa de crescer nos próximos anos. Todavia, a mesma quantidade de entrevistados declarou que o principal desafio para gestão e prevenção de perdas é a exatidão do estoque. Fator, entre tantos outros, que impacta negativamente na lucratividade e poderia ser contido pelo RFID.

Um dos maiores empecilhos de adesão a esta tecnologia é seu alto custo inicial. No Brasil, as etiquetas eletrônicas com o chip de identificação dos itens podem custar de 5 a 10 dólares, o que a princípio não cobriria o preço de certos produtos. Por outro lado, deve-se considerar que seus gastos com manutenção são baixos, uma vez que é possível reutilizar os dispositivos. Trata-se de um benefício em logo prazo, algo não muito popular entre países em desenvolvimento.

Isso tudo não significa que outros recursos como o código de barras devam deixar de existir, pois são ainda muito úteis para controle de bens de menor valor agregado. Contudo, com a frequente eclosão de novidades tecnológicas, não se deve ignorar que cativar e fidelizar clientes está cada vez mais difícil, e que outras táticas como banners e PDVs estejam saturadas.

Outro fator a ser considerado é que o Brasil está entre os recordistas mundiais em furto no varejo. Um levantamento apresentado em 2011 no evento Supermeeting Perdas e Lucratividade, na sede da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), mostra que 40% das perdas em supermercados brasileiros são decorrentes de furtos. Já um estudo realizado em 2010 pelo Centro de Pesquisa do Varejo aponta que dentre as incidências 43,4% delas são causadas pelos próprios funcionários.

Há ainda situações que desagradam consumidores, como filas de espera, divergência entre preço da gôndola e do caixa e prazo de validade vencido. Pontos como estes são expostos diariamente na imprensa e em sites de reclamações, acabando com a reputação até de grandes redes. Quando aliado a outras ferramentas como sistemas de gestão, o RFID pode promover um combate eficaz a todos esses problemas.

Não há como negar que a automação está cada vez mais presente entre as pessoas, que prezam pela rapidez no atendimento e chegam a valorizar mais o tempo do que o próprio dinheiro. Dados recentes da Nielsen, líder global de pesquisa, mostram que o Brasil tem a maior densidade de celulares do planeta, com 114,9 dispositivos por 100 habitantes. Procurar produtos, ler rótulos, usar a calculadora e passar as compras na esteira rolante, tudo isso leva tempo. Em uma era de smartphones, tablets e carros automáticos, o modus operandi do varejo não parece fazer sentido.

Tamanhos prejuízos mostram que está na hora de investir além de circuitos fechados de televisão, pranchetas e etiquetas de papel. É o dito “barato que sai caro” para o varejista. Para inovar é preciso arriscar, identificar oportunidades e atender demandas ainda não detectadas pelos concorrentes.

Ou seja, fazer com que os consumidores venham a aderir ao seu negócio de forma a não quererem retroceder ao jeito antigo. A verdade é que o RFID está à espera de uma empresa que seja ousada o suficiente para assumir esse desafio de ver os benefícios além de lucro imediato e apostar nele para obter resultados em longo prazo.

(*)Grasiela Tesser é gerente Comercial e de Marketing da NL Informática

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