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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

17/03/2011 11:16

Temporários e a necessidade de formação de mão de obra

Por Vander Morales (*)

O segmento de serviços temporários tem revelado enorme potencial na colocação de trabalhadores no mercado. No último final de ano, por exemplo, a modalidade preencheu mais de 140 mil vagas, com duas características particularmente auspiciosas: quase 40 mil foram efetivados depois do Natal, contribuindo, assim, para os bons resultados do crescimento do emprego formal, e cerca de 30% dos temporários eram jovens que conseguiram seu primeiro emprego.

Além disso, está ficando ultrapassada a noção de que a demanda para temporários ocorre apenas nos picos de comércio de datas sazonais como Natal, Dia das Mães, Páscoa ou Férias. Pesquisas feitas pelo Instituto de Pesquisa Manager (Ipema), a pedido da Asserttem e do Sindeprestem, mostram que essa demanda por temporários ocorre durante os doze meses do ano, em média mensal que superou 900 mil pessoas/dia em 2010.

Esta modalidade de contratação atua como ferramenta de propulsão profissional. O trabalhador sai do desemprego para o emprego e, depois, de temporário para efetivo.

Embora preliminares, levantamentos para a próxima Páscoa ilustram esta realidade. A busca por temporários para a cadeia produtiva industrial já começou. No ano passado, cerca de 64 mil temporários foram colocados na indústria e no comércio de chocolates, 5,5% a mais do que o registrado no mesmo período de 2009.

Este ano, com a economia aquecida, a previsão é que o número seja 10,5% maior, alcançando a contratação com carteira assinada de 70 mil trabalhadores temporários. Deste total, 28% deverão ser efetivados após a data. Em torno de 15 mil postos poderão ser ocupados por jovens no primeiro emprego.

Os dados demonstram cabalmente: a prestação de serviços temporários e/ou terceirizados alcançou no Brasil maturidade inquestionável. Não por acaso, nosso País é o quarto no ranking desta modalidade, atrás apenas de Estados Unidos, Japão e Reino Unido.

É certo que convivemos há décadas com inaceitáveis anomalias. As leis que regulamentam o Trabalho Temporário estão superadas, o que dá margens para interpretações dúbias, quando não equivocadas.

No caso da Terceirização, o problema é ainda mais grave. Vivemos sob um intolerável vácuo jurídico, que não interessa a ninguém, empresas tomadoras ou trabalhadores. Muito menos às prestadoras de serviços, na sua imensa maioria empreendimentos sérios, que cumprem com todas as suas obrigações trabalhistas e geram numerosos empregos - 2,5 milhões em 2010.

A ausência de legislação só beneficia a minoria de empresas de fachada que, além de precarizar as relações de trabalho, exercem concorrência desleal contra empreendedores idôneos do setor. Nossa expectativa para este tema é otimista.

Estamos convencidos que os novos governantes e legisladores breve inscreverão em Lei as regras da Terceirização sadia, reconhecida pela sociedade brasileira como uma modalidade modernizadora das relações trabalhistas, indispensável, aliás, para equiparar a produtividade brasileira à de seus principais competidores internacionais.

Resta, porém, uma questão crucial. Refiro-me à baixa qualificação e à precária formação educacional do trabalhador brasileiro. O problema atinge todos os setores e, em momento de ampla oferta de empregos como estamos assistindo, ganhou até uma marca: “apagão de mão de obra”. Mas, para o segmento das empresas de prestação de serviços, cujo diferencial é justamente a especialização de seus trabalhadores, as dificuldades são ainda maiores.

Vários indicadores mostram a urgência de se equacionar definitivamente a questão. O Brasil colide com vários empecilhos ao aumento da empregabilidade de seu trabalhador. A começar pela base educacional: segundo o Programa Mundial de Avaliação da Educação (PISA) ocupamos a 56ª. posição entre os países pesquisados.

Não por acaso, a informalidade no Brasil chega a 40%, ante 16,5% na média de países emergentes, segundo dados do Banco Mundial. Consequência nefasta: mais de 1,7 milhão de vagas oferecidas não foram preenchidas já em 2009.

Poderia listar vários outros indicadores do nosso atraso, seja a ausência de maior qualificação, ou a necessidade de especialização no caso dos trabalhadores que as prestadoras de serviços procuram oferecer ao mercado: temporários com base educacional sólida e terceirizados com preparo para assimilar as competências exigidas em mercados cada vez mais ávidos por profissionais que ampliem a produtividade das empresas.

Penso que basta o alerta. Para ter êxito nesta quadra de prosperidade que se abriu ao País, não há como negligenciar a urgência de pôr em prática mecanismos que, de fato, formem nossos trabalhadores.

(*) Vander Morales é presidente da Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário) e do Sindeprestem (Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão de Obra e de Trabalho Temporário no Estado de São Paulo)

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Nada tenho contra o IPEMA. Ele tem endereço comercial em Americana, (a 130 Km de São Paulo), com 205 mil habitantes que vivem em sua quase totalidade na área urbana e 96% alfabetizados, de ascendência predominantemente italiana. Parece-me um bom lugar para se viver e manter uma empresa.

A minha pergunta é só uma: por que não temos institutos de pesquisa destacados aqui mesmo na capital de nosso estado de Mato Grosso do Sul, região tão carente em fontes de pesquisa?

Talvez seja necessário que o PIB per capita de Campo Grande alcance o mesmo patamar de Americana (duas vezes maior para uma população que não chega a um terço da nossa).
 
Carlos Alberto Cordeiro em 17/03/2011 12:24:28
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