A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

08/10/2011 07:05

Tire uma arma do futuro de sua vida

Silas Fauzi (*)

Recentemente uma jovem de 12 anos foi morta acidentalmente por um colega de 15, quando este brincava com uma arma de fogo, no bairro Zé Pereira, aqui em campo grande. Em São Paulo, mais especificamente em São Caetano do Sul, uma criança de apenas 10 anos de idade atirou contra sua professora e depois acabou dando fim à sua própria vida, dentro de uma unidade escolar. Dia 11 de setembro desse ano, um segurança da Boate Voodoo acabou sendo morto por dois tiros quando jovens causavam confusão no estabelecimento e foram repreendidos pelo segurança. Recentemente, no Portal Caiobá, o dono de uma conveniência atirou em três pessoas por desavença de um troco de apenas R$ 0,15. Uma dessas pessoas veio a falecer e as outras duas ficaram feridas. Esses são os casos mais recentes e emblemáticos que vem acontecendo, tendo como protagonista, infelizmente, a arma de fogo.

Veja Mais
A aviação e suas regras
Lei Orgânica da Assistência Social – 23 anos

Começo esse texto fazendo menção a esses fatos, mas a lista poderia ser bem maior, justamente por que em todos eles os protagonistas não são o crime em si, mas o fácil acesso que as pessoas ainda têm às armas de fogo. Seria muita redundância da minha parte dizer que todos esses crimes poderiam ser evitados se não houvesse uma arma nas mãos dessas pessoas, mas não é. Infelizmente ainda tem muita gente morrendo vítima desse tipo de arma.

Por mais que se faça um esforço de se desarmar a população, algumas pessoas ainda insistem em achar que tendo uma arma de fogo ela estará protegida. Ledo engano. A prova está aí: cada vez mais pessoas de “bem”, armadas, cometendo crimes.

As vezes acho que quando damos um passo adiante no desarmamento, vem sempre uma outra força que faz com que a gente dê dois passos para trás. Em maio de 2007, o Superior Tribunal Federal (STF) aprovou em plenário através de seus Ministros a revogação de dois artigos do Estatuto do Desarmamento que julgaram inconstitucionais. A decisão da Suprema Corte nasceu de um questionamento feito pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), associações de delegados e federações de vigilantes. Objetivamente, os dois artigos em questão dizem respeito aos dispositivos do Estatuto que proibiam a concessão de liberdade, mediante o pagamento de fiança, no caso de porte ilegal de arma (parágrafo único do artigo 14) e disparo de arma de fogo (parágrafo único do artigo 15). Segundo a posição final dos magistrados, o porte ilegal e o disparo de arma de fogo “constituem crimes de mera conduta que, embora reduzam o nível de segurança coletiva, não se equiparam aos crimes que acarretam lesão ou ameaças de lesão à vida ou a propriedade”.

Ou seja, trazendo para a realidade, se uma pessoa for pega na rua andando com qualquer tipo de arma de fogo - revólver, pistola, carabina, fuzil, metralhadora etc, - será liberado mediante pagamento de fiança. O mesmo acontece para quem é pego disparando com qualquer tipo de arma em via pública ou em propriedade privada.

Essa decisão tomada pelo Supremo, acaba sendo um “tiro que sai pela culatra”. Hoje o que mais se tem discutido pela sociedade brasileira é a questão da segurança pública deficitária que nós temos. Mas ao mesmo tempo em que o poder público não consegue encontrar uma solução para o problema, acaba instituindo normas que favorecerem ainda mais o aumento da violência.

Um desses exemplos é essa recente decisão dos juízes. Dados da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde revelam que por ano morrem no Brasil cerca de 38 mil pessoas vítimas de disparo de armas de fogo. A cada 5 suicídios cometidos, um é por arma de fogo e está mais do que comprovado que a cada caso de pessoa que reage a um assalto e tem sucesso, 285 outros casos foram fracassados. A cada dois dias uma criança ou adolescente morre vítima de disparo acidental ou não de arma de fogo.

Suprimido em outubro de 2005, através de um referendo, o artigo 35 que dispunha sobre a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional e agora os artigos 14 e 15, o estatuto perdeu seu sentido. Aliás, essas mesmas entidades que entraram com pedido de anulação desses artigos queriam mesmo era a inconstitucionalidade do Estatuto inteiro.

Segundo dados do Sinarm (Sistema Nacional de Arma) só em Mato Grosso do Sul existem 73.875 armas registradas e uma estimativa de 203.000 armas sem registro. Outro dado importante é que a grande maioria dos crimes cometidos, os são por armas de uso doméstico, ou seja, com armas que não foram contrabandeadas e sim compradas legalmente e que por um motivo ou outro foram parar nas mãos de bandidos.

É preciso que o Estado invista mais em segurança pública preventiva desestimulando a população de querer fazer segurança ou justiça com as próprias mãos.

(*) e militante de movimentos sociais (www.silasfauzi.blogspot.com)

A aviação e suas regras
A aviação conseguiu, em menos de um século, aproximar os continentes, as empresas e, principalmente, as pessoas. Foi uma evolução tão rápida que não ...
Lei Orgânica da Assistência Social – 23 anos
Nos últimos anos, a Assistência Social vem construindo uma nova trajetória, organizando-se sob novos padrões e afirmando-se como parte integrante do ...
Morre no trânsito o equivalente a 2 aviões da Lamia lotados por dia
Por dia, no Brasil, morrem em acidentes de trânsito o equivalente a ocupantes de dois aviões da Lamia, que transportava o time inteiro da Chapecoense...
Um galo para Asclepius
Sócrates, o filósofo ateniense, cujos preceitos influenciaram o pensamento ocidental de forma muito marcante e definitiva, tinha uma característica: ...



Sr. Fauzi, se o senhor não gosta de armas e por uma questão de ideologia quer bani-las, é perfeitamente compreensível, em vez disso publica a já cansada ladainha de culpar as armas pelo flagelo da violência e isentar o homem dessa responsabilidade, levando o cidadão a abrir mão de sua liberdade em troca de uma pseudo segurança que governos irresponsáveis não tem condições de garantir.
 
Carlos Soares em 09/10/2011 09:53:03
A ONU acaba de publicar um estudo que mostra que não é possível comprovar a relação entre quantidade de armas x crimes, e que em vários lugares o aumento no número das armas de fogo causa a redução dos crimes (vide EUA e Suiça).

Esta balela do desarmamento civil já foi longe demais, o cidadão decidiu no referendo de 2005 que quer continuar a ter arma de fogo. Desarmar o cidadão não é a solução!!!
 
Daniel Venturi em 09/10/2011 09:47:00
Premissa 1- A maior parcela de mortes por armas de fogo tem como causa o tráfico de drogas.
Premissa 2 - Criminosos não são facilmente desarmáveis.
Por quê?
Por um simples motivo: o ato mais violento que se pode cometer é tirar a vida de alguém o que implica na maior pena prevista no código penal vigente.
Já o porte ilegal de armas no máximo vai deixar o infrator preso por 4 anos se tanto. Esta sanção intimidará então um marginal preparado para ver o sol quadrado por 20 anos ou mais?
Não. E quem fica realmente ameaçado por isso?
O cidadão comum que tem tudo a perder com um processo.
Estas coisas simples parecem difíceis de ser compreendidas por ongueiros, globais e pela maioria dos escribas da mídia. O que se depreende daí?
Que eles ignoram a história e o papel decisivo que teve o desarmamento civil em outras terras e épocas, não se dando conta que armas em mãos de pessoas honestas podem salvar vidas.
Vejam os casos de Hitler contra os Judeus, Castro contra os Cubanos, Turcos contra Armênios e Stalin, Mao e Pol -Pot contra seus povos . Em todas esses exemplos o desarme civil estava ali, garantindo o sucesso dos carrascos.
Acordem enquanto há tempo: Pessoas desarmadas à força por seus próprios governantes não são cidadãos, são SERVOS.
Raimundo Queiroz
 
Raimundo Queiroz em 09/10/2011 09:11:43
Infelizmente este testo se mostra exemplo do pensamento estreito que graça hoje esse pais, principalmente em alguns grupos (de interesse) políticos. O autor só se esquece que os eventos trágicos citados já são tipificados como crimes. A impunidade, o sistema penal ineficiente, uma policia despreparada, um sistema educacional protecionista que impede uma educação moral adequada são os culpados.
 
Gustavo Moreira em 09/10/2011 08:56:22
Este artigo é tão mal intencionado como quem compra arma ilegal para cometer crimes - se não achar arma de fogo vai usar faca, estilete etc.Até a ONU publicou ha poucos dias da inutilidade de se desarmar a população honesta - a não ser que se tenha outras intenções não declaradas. Os numeros da farsa -devidamente interpretados falam po si.
o Articulista foi infeliz ou o é! Mal intencionado não sei
 
MARCIO FERNANDO BARCI em 09/10/2011 07:20:49
A nível de comparação, a tão afamada Suiça com seus altos índices de IDH, não possui sequer registros (salvo, recibo fiscal) de posse ou porte de armas, pois estes são livres à qualquer um do povo.
Onde o próprio estado incentiva a prática de esportes de tiro, ao homem adulto em serviço militar, lhes é doada um fuzil de assalto que ficará consigo o resto da sua vida.
Dê uma nos níveis de homicídio
 
Leonardo Brito em 09/10/2011 06:08:18
Sr. Silas, você se equivoca ao dizer que a arma é o protagonista destes episódios. Nos próprios casos elencados, nota-se a presença (ou seria ausência?) da educação, seja no destempero das relações ou esclarecimentos do manuseio seguro e apropriado de uma arma fogo, nessas situações a arma aparece como mero instrumento (real condição).
Se substituisse a arma por uma faca, o resultado seria o mesmo
 
Leonardo Brito em 09/10/2011 06:00:19
Me impressiona a capacidade do egoísmo brasileiro. Aqui, se eu não quero para mim, então não quero que ninguém tenha.Se não posso ter acesso, não quero que ninguém tenha. Se não me serve de forma pessoal, vamos proibir a todos.
Desarmar nunca serviu a ninguém que não a interesses de governos e nunca trouxe mais segurança a ninguém. Eu escolho o direito de ter arma e de poder ser menos vítima.
 
Paulo Augusto em 09/10/2011 02:02:42
Muito eloquente o artigo, mas só para quem nunca sequer leu a Lei 10.826/03, o Estatuto do Desarmamento. Os mencionados artigos dizem que os crimes neles previstos são inafiançáveis, salvo quando a arma estiver registrada em nome do agente. Sendo assim, o que o STF fez foi proteger o cidadão de bem dessa lei absurda, que tentou privar o trabalhador de ter uma arma legal.
 
Renato Moura em 08/10/2011 12:38:26
Concordo c/ Sr. silas que o Estado tém que investir mais em segurança, mas só que não adianta colocar policiamento nas ruas se não tiver leis mais duras, para manter deliquente presos.E esse sistema penitenciário terá que ser c/ atividades e com trabalho não remunerado, se está preso é por que cometeu crime, então a produção do seu trabalho fica p/ pagar o dano causado e manter sua estadía.
 
porfirio vilela em 08/10/2011 05:23:58
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions