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14/03/2014 09:42

Um Ano de Francisco

Por Alcides Leite (*)

Em 13 de março de 2013, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito papa e adotou o nome de Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis. Em um ano de pontificado muita coisa aconteceu. A audiência das atividades promovidas pelo Vaticano mais que quadruplicou e os acessos às redes sociais oficiais da Igreja dispararam. Neste período, a freqüência nas paróquias européias, até então declinante, cresceu significativamente. Uma atividade da Igreja nunca reuniu tanta gente como na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.

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No final de 2013, o papa Francisco foi escolhido como personalidade do ano pela revista Times, e também pela revista The Advocate, especializada na defesa dos direitos dos homossexuais. Eugenio Scalfaro, editor-chefe do jornal italiano La Repubblica, confessamente ateu, publicou uma série de perguntas que gostaria de fazer ao papa, sem, no entanto, esperar que ele as lesse. Dias depois, o próprio papa, como é de seu costume, pegou o telefone e ligou pessoalmente ao Sr. Scalfaro convidando-o para um encontro. As respostas às perguntas do editor-chefe, assim como a íntegra do encontro entre os dois, foram publicadas no jornal.

Das inúmeras declarações marcantes, proferidas pelo papa nesse curto período de pontificado, podemos selecionar algumas que servem para traçar o perfil do pontífice.

- Se uma pessoa que é gay, procura a Deus, e têm boa vontade, quem sou eu para julgá-la.

- Não vou ficar falando o tempo todo de aborto, casamento gay e uso de contraceptivos, pois a Doutrina da Igreja já é clara a este respeito, e eu sou filho da Igreja.

- A Corte Eclesial é a lepra da Igreja.

- Eu não poderia viver sozinho no Palácio. Preciso de gente, encontrar pessoas, falar com as pessoas...

- Enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos, será impossível desarraigar a violência.

- Não nos preocupemos somente com não cair em erros doutrinais. Porque "é frequente dirigir aos defensores da ortodoxia” a acusação de passividade, de indulgência ou de cumplicidade culpáveis frente a situações intoleráveis de injustiça e de regimes políticos que mantêm estas situações»

- Quem dera que se ouvisse o grito de Deus, perguntando a todos nós: «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9). Onde está o teu irmão escravo? Onde está o irmão que estás matando cada dia na pequena fábrica clandestina, na rede da prostituição, nas crianças usadas para a mendicância, naquele que tem de trabalhar às escondidas porque não foi regularizado? Não nos façamos de distraídos! Há muita cumplicidade...

- Desejo uma Igreja pobre para os pobres.

- As doenças enfrentadas por diversas instituições eclesiais, ao longo da história, têm raízes na auto-referencialidade, numa espécie de narcisismo teológico.

- Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído às ruas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguran¬ças.

O papa também tomou decisões profundas e corajosas, que geraram ódio e maledicências nos setores reacionários da Igreja. Ele confirmou Gerhard Muller, amigo e seguidor do pai da Teologia da Libertação, o peruano Gustavo Gutierrez, como Prefeito da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé. Depois, o promoveu a Cardeal. O papa também fez questão de prefaciar um novo livro escrito por Muller com participação de Gutierrez. No Consistório que criou novos cardeais, a grande maioria dos nomeados vêm de países em desenvolvimento, inclusive dos países mais pobres do mundo, como Haiti e Burkina Faso.

Para promover mudanças na cúria, o papa nomeou um grupo de oito cardeais, de todos os continentes. Várias sugestões, dadas pelo chamado G8, já começaram a ser implantadas, como a criação de uma Secretaria especializada em assuntos financeiros. Ação que reduz as tarefas da antes toda poderosa Secretaria de Estado.

No aspecto teológico, o papa Francisco também tem promovido uma revolução. Nas reuniões anteriores à sua eleição, ele fez um resumo sobre a direção que a Igreja deveria tomar para reencontrar o seu vigor apostólico. Para ele a Igreja deve sair de si mesma e ir às periferias geográficas e existenciais, deve resgatar o cristianismo primitivo, baseado no ensinamento capital: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. A principal função da Igreja deve ser evangelizar, levar Cristo aos que sofrem e estão longe Dele. A Igreja, como dizia Paulo VI, deve voltar a ser a mãe fecunda que vive a doce e confortadora alegria de evangelizar.

Mesmo tendo promovido importantes mudanças, resta muito a ser feito na Igreja. Peçamos a Deus que dê vida longa a Francisco para que ele possa fazer todas as reformas necessárias para tornar irreversível o caminho de retorno à Igreja primitiva dos tempos de Jesus Cristo, a verdadeira Igreja Cristã.

(*) Alcides Leite é economista e professor da Trevisan Escola de Negócios

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