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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

30/12/2014 15:03

Um fenício humanitário

Por Heitor Freire (*)

Os fenícios eram uma antiga civilização que se estabeleceu onde hoje ficam o Líbano e partes da Síria e de Israel. Calcula-se que eles chegaram a essa região por volta do século XXX a.C.

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Ao longo da costa do mar Mediterrâneo e em ilhas da região, os fenícios montaram várias cidades-estados independentes, como Biblos, Tiro e Tripoli. Tais cidades atingiram o auge por volta do século XII a.C. Os fenícios transformaram suas cidades em importantes pólos comerciais.

Como não eram produtores de mercadorias, eles atuavam como uma espécie de importadores e exportadores da Antiguidade. Tornaram-se especialistas no comércio.

Os fenícios criaram também seu próprio alfabeto. Formado por 22 letras, ele já era usado no século 15 a.C. Esse método de escrita foi adotado mais tarde pelos gregos, tornando-se o ancestral do alfabeto romano, que usamos hoje em dia.

Eram ousados, corajosos, enfrentavam o mar adentro, descobrindo novas terras, novos povos, com quem comercializavam sem saber as suas línguas. Eram muito criativos.

Pois bem, os libaneses e sírios que vieram para o nosso estado no começo do século passado, eram chamados de turcos por causa dos seus passaportes emitidos na Turquia, pois o Líbano na época estava sob dominação francesa. Eles são descendentes diretos dos fenícios.

E aqui em Campo Grande se dedicaram também ao comércio, dando grande impulso a essas atividades em nosso estado.

É interessante a identificação dos libaneses com os brasileiros. Eles logo que chegaram pegavam suas malas cheias de armarinhos, meias, quinquilharias e se internavam pelo interior do país, sem saber falar a nossa língua, mas sabendo muito bem fazer contas, com um papel onde estava escrito o fundamental para iniciar uma conversa e assim se comunicavam. É de ressaltar também a cordialidade com o nosso povo; chamavam-nos de primos, aliás, de “brimos”.

Hoje vou destacar a figura de um desses fenícios transmutados em brasileiros: Antônio Mansour Saad, conhecido como Tonico. Quando eu era guri, nossas casas eram próximas e pela sua atividade principal, era conhecido como Tonico Fubá. Depois ficou só Tonico mesmo.

Fomos amigos e realizamos muitos negócios entre nós e também intermediamos negócios para outros. O Tonico tinha um coração maior do que ele mesmo. Dedicava-se à filantropia e à caridade, com um enfoque muito próprio.

Grande comerciante Tonico dedicou boa parte de sua vida às obras sociais. Foi um dos fundadores do Grupo Santo André, formado por integrantes do MCC (Movimento de Cursilhos da Cristandade), movimento da Igreja Católica.

Tonico também fez parte da diretoria do Hospital São Julião por décadas, do Educandário Getúlio Vargas, da OMEP – Organização Mundial para Educação Pré-Escolar, cuja presidente na época era a professora Marisa Serrano. Foi um grande parceiro da Irmã Silvia Vecellio no São Julião..

Por último, trouxe para Campo Grande, juntamente com o Grupo Santo André, o AMOR EXIGENTE (entidade internacional que dá apoio a dependentes químicos e suas famílias), que está até hoje em plena atividade.

Eram integrantes do Grupo Santo André, juntamente com o Tonico: Alberto Cubel, Sergio Sá Earp, Manuel Saravi, José Rezek, Fernando Pulcherio e muitos outros.

Tonico é filho de Nagem Jorge Saad e de Fadua Gazal Saad, proprietários de uma das primeiras padarias de nossa cidade, localizada na rua 7 de Setembro, entre a Calógeras e a 14 de Julho.

Aqui, no dia 16 de dezembro de 1933, nascia Antônio Mansour Saad.

Tinha uma visão voltada para a educação. Queria contribuir para que o povo tivesse instrução. Tanto é assim que doou para a Loja Maçônica Estrela do Sul uma quadra com 20 lotes de terrenos, situada no Bairro São Jorge da Lagoa, para que ali se construísse uma escola.

O então presidente da Funlec (Fundação Lowtons de Educação e Cultura) Antônio Baiano Farias Santos conseguiu a doação daquela área para a Funlec e ali ele construiu uma escola que recebeu, o nome do pai do Tonico, Nagem Saad.

Ele ficou muito agradecido com essa homenagem, que era também uma forma de retribuir à sua generosidade.

Conversando comigo uma vez, Tonico me disse que havia sido convidado para ingressar em uma Loja Maçônica, mas não tinha aceitado o convite. Perguntei: “Por quê?” E ele respondeu, com um sorriso maroto: “Porque eu não sei guardar segredo”.

Tonico se casou com dona Esmeralda Madrid. Tiveram os seguintes filhos: Denise, Sheila e Ricardo.

Antonio Mansour Saad faleceu no dia 4 de janeiro de 1997. E nos deixou um grande legado de realizações e amor ao próximo. A rua em que morava leva o seu nome.

(*) Heitor Freire, corretor de imóveis e advogado.

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