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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

20/09/2012 10:43

Uma voz em busca do personagem

Por Dante Filho (*)

A primeira vez que ouvi a voz de Alcides Bernal num programa de rádio estava dentro de um táxi, coisa de um ano atrás. A impressão que tive era que atrás do microfone havia um sujeito suave, tranquilo, de uma neutralidade quase boçal. Juro que não consegui prestar muito atenção no que ele dizia.

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A voz mansa, radiofônica, meio modulada, colocava sempre em segundo plano o conteúdo da fala em detrimento da maviosidade da forma. Perguntei ao taxista quem era o sujeito que estava falando e ele me respondeu: “É o Bernal, uai!”. Depois disso nunca mais ouvi falar do cidadão.

Fiquei sabendo depois que quando Alcides Bernal se tornou vereador e, logo depois, deputado estadual, sua existência era citada muito esporadicamente no noticiário, e eu, na minha suprema ignorância, conclui que ele era um daqueles caras que se aproveita de meio de difusão influente como é o rádio para se sustentar politicamente. Imaginei que esse tipo de “profissional” jamais ultrapassaria os limites dos cargos parlamentares, como é de praxe.

Como o mundo político é um grande mistério, o tempo passou e o agora candidato à prefeitura de Campo Grande pelo Partido Progressista (PP) tenta deixar o nicho restrito da audiência dessa massa disforme chamada classe C para ganhar espaço de ressonância política em toda a cidade, concorrendo ao principal cargo do nosso Executivo municipal.

No primeiro momento imaginou-se que Bernal era apenas um balão de vento. Ele havia tentado ser vice aqui e ali, mas por motivos ainda não sabidos, não conseguiu viabilizar este intento, decidindo então fazer uma jogada arriscada que, por enquanto, entre solavancos, tropeços e denúncias, vem dando certo.

Como escrevi outro dia acho que Bernal continua a ser um avião na pista atrapalhando a decolagem das candidaturas do PT e do PSDB. Podemos compará-lo muito por cima àquilo que Celso Russomano está representando nas eleições de São Paulo. Em Campo Grande, Bernal galvaniza parcela do eleitorado conhecido pela fluidez das decisões, embora saibamos que este eleitor está tentando sinalizar que procura algo “diferente” do status quo de nossa política local.

Bernal, contudo, não tem nada de novo: ele fala apenas trivialidades como “mudança”, “governar para as pessoas”, “redução de impostos” etc., tentando vestir um modelito que é o ramerrão permanente da política. Bernal é mais do mesmo. O que o diferencia é aquela voz doce que cativa.

Acima do “fenômeno Bernal” – que muitos acreditam estar “na frente das pesquisas” numa eleição em que, ironicamente, se tenta restringir a divulgação dessas mesmas pesquisas – aparece a renitente indiferença da população ao processo eleitoral. Acredito que há dois motivos aparentemente desconexos para a atual modorra das campanhas: pouco dinheiro e o calorão danado que dominou o clima num prolongado período de estiagem (fatores que desanimam mentalmente, embora isso possa mudar com a volta das chuvas e, quem sabe, com algum dinheirinho caindo do céu...).

Por enquanto, Bernal se beneficia da sua bela voz. Quem assiste aos seus programas eleitorais na TV percebe que o nosso locutor se diferencia dos demais pela sua placidez bovina. Enquanto a maioria dos candidatos é sanguínea, Bernal é anódino, leve, inofensivo, quase inocente.

Giroto, Azambuja e Vander, por exemplo, parecem personagens infantis de desenho animado (pilhados, fazedores de obra, “politizados demais”, dispostos ao embate partidário costumeiro e tradicional), enquanto Bernal segue fazendo seu “programa de rádio”, inabalável, falando pro seu zé e para a dona maria, como se estivesse ensinando receita de bolo e vendendo bíblias encadernadas nas portas das casas. É complicado.

A melhor forma de entender Bernal é assisti-lo na TV sem o áudio. Aí será possível perceber no seu olhar, na sua impassibilidade, naquela lenga-lenga plastificada, que ele é um sujeito sem alma. Se ele falasse acima do tom ficaria revelada a dimensão de seu aventureirismo, mas como ele é manso, despersonalizado, vago, superficial, fornece a impressão de ser incolor e inodoro, e, por conta disso, eficiente. E assim ele segue.

Bernal é treinado na linguagem do eleitor despolitizado, encantando pelo consumo e com ojeriza da política, e sabe que quanto mais sonso se fizer mais ele ganha espaço. Claro que seus nervos estão sendo colocados à prova e todos esperam que uma hora ele pisque. O mais paradoxal, porém, é que nascido pelas mãos do PT Bernal se apropriou do espírito do chamado lulismo teórico e, com isso, ironicamente, levará a candidatura petista a sofrer a mais formidável derrota de todos os tempos em Campo Grande.

(*) Dante Filho é jornalista (dantefilho@terra.com.br).

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Sinceramente, inacreditável um texto desses. Porque não acredito que o missivista desconhecesse o político analisado, ainda mais sendo jornalista e figura conhecida na cidade. Desculpe-me mas embora seja claro e certo na análise, fica nítido algum sintoma tendencioso no artigo.
Deveria - como já escrito pela leitora Paula, analisar TODOS os candidatos sob o mesmo prisma.
Capichê?
 
Madalena Arre Pendid em 20/09/2012 11:43:01
Queremos saber de todos os candidados e não apenas do Bernal!!!
 
Paula Inzaubralde em 20/09/2012 11:26:37
É uma pena que o texto ficará em segundo plano quando vierem os defensores dos oprimidos aqui e acolá para falar de um tal coronelismo que eles tentam emplacar, supostamente histórico do MT/MS, mas para essa e outras ignorâncias o ser humano inventou um remédio que deveria ter efeito, já mudou muito de nome mas hoje é conhecido como Ensino Médio Completo.
 
Maiko Oriozola em 20/09/2012 11:11:56
Gente, não falaram dos outros, pois quem está no topo é o Bernal, e não por capacidade técnica, mas pela sua má fé de manter seu programa de rádio mesmo em campanha política, isso é anti-ético, pra não dizer "golpe baixo". Se o Bernal ganhar essa eleição, teremos um Ary Artruzi em Campo Grande, podem ter certeza disso. Um desde 2010 com 73,3% de proposições irrelevantes... Cuidado...
 
Guilherme Campos em 20/09/2012 04:21:43
Que pena que ainda tem gente que se acha melhor do que outro por que tem uma gradução, mais saiba que o seu voto Maiko Oriozola tem o mesmo peso do que um anfalbeto, que não é culpa dele por ser analfabeto mas desses politicos corruptos e você pelo visto que pretende colocalos la. Fika a dica
 
Tiago Pereira em 20/09/2012 01:44:11
Sinto cheiro de desespero!
Bom sinal, Campo Grande, assim como MS, necessita de mudanças. Preferia que viesse através do Reinaldo Azambuja mas a eleição do Bernal já dará uma boa lição naqueles que são contra a democracia e que a tanto tempo nos governam.
 
Caio Luca Costa em 20/09/2012 01:03:23
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