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28/12/2013 08:38

Urbanização no Brasil

Por Bruno Peron (*)

O modelo de urbanização que a maioria das cidades brasileiras adota é, para uns, motivo de inserção, prosperidade e renda, enquanto, para outros (inclusive eu), preocupação quanto à qualidade de vida.

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Desde o momento em que a população urbana superou a rural, a cidade considera-se epicentro das realizações humanas no que se refere a mobilidade, emprego, opções de comércio e lazer, e novidades tecnológicas. Deste modo, traços rurais passaram a entender-se como sinônimo de algo atrasado, retrógrado e obsoleto.

Porém os critérios com os que se avalia a qualidade de vida em áreas urbanas e rurais têm mostrado que o que se entendia por atraso e obsolescência é um equívoco de massas sufocadas pelas promessas da industrialização nas cidades.

Um destes critérios leva em conta que as cidades brasileiras crescem materialmente (vertical e horizontalmente) e adensam-se, mas se deterioram humanamente; noutras palavras, quero dizer que elas trazem pouca compensação em termos de qualidade de vida aos seus habitantes.

Como comecei este texto demonstrando minha preocupação com o modelo de urbanização no Brasil, prossigo afirmando que este tem sido o de enlatar-nos em metros quadrados e o de promover os shopping centers como único espaço de convívio digno e seguro. Estes não param de aumentar em número, expandir-se e incorporar novas lojas em quase todas as cidades de porte médio e grande, até no meio do sertão, como o Shopping Cariri de Juazeiro do Norte, Ceará.

Mesmo em grandes centros urbanos tidos por sedutores a migrantes, como São Paulo, a qualidade de vida se mede cada vez mais em função do desenvolvimento do setor comercial em shopping centers e menos em relação ao uso de parques e praças. Estes têm sido tomados por delinquentes e moradores de rua em todo o país.

É realmente difícil falar de qualidade de vida num país onde somente quem tem muito dinheiro usufrui dos prazeres do consumismo, enquanto a maioria tira renda de negócios instáveis, pouco rentáveis ou de alguma das tetas do governo. São muito poucos os que enxergam a dificuldade de ingresso de renda ao país por meios mais dignos e lucrativos que a soja, o café, as frutas exóticas e o boi.

Este cenário torna-se mais obscuro quando se toma a cidade de São Paulo como modelo de desenvolvimento urbano quando ela não passa de uma “selva de pedra” esfumaçada, estressante e entregue à delinquência. Lamento que a capital do estado onde nasci deteriora-se. Sua qualidade de vida é bem mais baixa em comparação com Curitiba, que é uma cidade mais arborizada e planejada.

Creio que Curitiba é hoje o melhor que alguma cidade de grande porte alcançou no Brasil em termos de qualidade de vida e sustentabilidade em sua urbanização.

Cidades médias e grandes têm cada vez mais dificuldade de investir em parques e outras áreas verdes, onde a população possa respirar ar puro. Um dos motivos é a expansão do uso dos terrenos e imóveis sobre áreas que deveriam ser de preservação ambiental, mas se transformaram em objetos de expansão predial.

No Brasil, temos visto um inchaço populacional, urbano e comercial com pouquíssima sustentabilidade. Já passamos dos 200 milhões de habitantes e cada um de nós precisa ter condições dignas de sobrevivência (alimentação, moradia, saúde, transporte, etc.). Damos despesa enorme para a sociedade e a natureza, porquanto mais tiramos delas que repomos. Precisamos aprender a devolver ao planeta aquilo que subtraímos dele para nossa sobrevivência. Uma das maneiras de fazê-lo é ter maior consciência sobre como melhorar nossa qualidade de vida e, ao mesmo tempo, manter uma relação sustentável entre ser humano e natureza.

Só assim faremos uma revisão do modelo de urbanização que queremos em nosso país a ponto de descartar o de São Paulo como um embuste com sotaque forjado.

Cidade sustentável é aquela que cuida dos seus moradores em vez de garantir que até junho de 2014 tantos estádios se construam e se reformem para o futebol.

As decisões sobre qualidade de vida dependem de você, leitor. Sua palavra terá voz quando optar entre mais cimento à sua volta ou mais harmonia com a natureza.

(*) Bruno Peron, acadêmico e articulista

http://www.brunoperon.com.br

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