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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

10/08/2014 08:00

Capital já teve assassinato, renúncia por "honra" e cassação de prefeitos

Ary Coelho foi assassinado em Cuiabá; Eduardo Machado renunciou para receber um presidente da República, ou seja, teve muita crise em pouco mais de um século

Ludyney Moura
Capital já teve assassinato, renúncia por honra e cassação de prefeitos
Os jornais da época deram um destaque ao assassinato do prefeito de Campo Grande em 1951, Ary Coelho (Foto: Marcos Ermínio)Os jornais da época deram um destaque ao assassinato do prefeito de Campo Grande em 1951, Ary Coelho (Foto: Marcos Ermínio)
Hildebrando Campestrini relatou a história do prefeito que renunciou ao cargo para não receber seu desafeto, o Presidente da República. (Foto: Marcos Ermínio)Hildebrando Campestrini relatou a história do prefeito que renunciou ao cargo para não receber seu desafeto, o Presidente da República. (Foto: Marcos Ermínio)

Em 115 anos de criação, Campo Grande já viveu algumas crises políticas que marcaram sua história. Ainda na década de 1940, o então prefeito Eduardo Machado Olímpio, renunciou ao mandato por um motivo curioso; em 1951 o então Chefe do Executivo Ari Coelho, foi assassinado na Capital do Estado, Cuiabá, e em 2013, Alcides Bernal, foi o primeiro prefeito cassado da Cidade Morena.

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A história administrativa da cidade remonta ao final do século XIX, quando por uma Lei Provincial torna o então vilarejo no distrito Paz de Campo Grande, pertencente ao município de Nioaque. Sem o “Paz” no nome e transformada em município em 1899, nossa Capital, conhecida como Cidade Morena pela cor da terra, já foi governada por 81 prefeitos, sendo que desses 23 foram intendentes, 14 nomeados e 44 eleitos.

Todavia, a história da sucessão política da principal cidade do sul do Mato Grosso começa a ganhar contornos mais expressivos a partir de 1937, com a diplomação de prefeitos para mandatos regulamentares, escolhidos pelo voto direto e secreto. É justamente o primeiro prefeito eleito, Eduardo Olímpio Machado, um dos casos mais emblemáticos da nossa história.

O presidente do IHGMS (Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul), Hildebrando Campestrini, explica as motivações da renúncia do prefeito ainda no início dos anos 40. “O Eduardo Machado era desafeto do então presidente da República, Getúlio Vargas, que revelou que viria a Campo Grande para uma visita. Para não receber seu desafeto o Eduardo renuncia ao cargo, para manter sua postura de homem de palavra”, diz o historiador.

O interessante é que o vice-prefeito fica menos de um mês no cargo, sendo sucedido pelo então senador Vespasiano Martins, para o seu quarto mandato à frente da Prefeitura local e que cinco anos antes havia sobrevivido a um atentado no qual levou três tiros, a mando do governador do Mato Grosso à época, que estava incomodado com a oposição do parlamentar, e com as possíveis arrumações política feitas pelo senador com lideranças sulistas do Mato Grosso.

O próximo fato curioso, de uma história rica e pouco conhecida do campo-grandense, é a morte do prefeito Ary Coelho, que dá nome a umas das principais praças da cidade. “O Ary era muito temperamental, e naquela época os partidos políticos eram muito mais virulentos. Acontece que um jornalista de Cuiabá escreveu um artigo muito forte contra ele. Surgiu uma história de que ele teria dito que faria o jornalista engolir o jornal. Um dia o Ary foi até a CER (Companhia de Estradas e Rodagens, em Cuiabá) para tentar viabilizar alguns recursos para Campo Grande, e quando ele chegou lá o tal jornalista o viu chegando, e se escondeu, armado. Quando eles se cruzaram ele atirou e matou o prefeito”, conta Campestrini.

Os jornais da época, dezembro de 1952, revelam que junto ao corpo e pertences de Ary Coelho, a Polícia encontrou um revolver calibre 38. O político, que estava em começo de carreira, foi trazido de volta à cidade e enterrado com pompa de um herói injustiçado.

Campestrini nos conta ainda que em 1918, Campo Grande chegou a ter duas Prefeituras e duas Câmaras Municipais. Um interventor foi enviado pelo governo de Mato Grosso para dar fim à crise política. Um terceiro prefeito foi nomeado, no ano em que a Cidade Morena conheceu três chefes do Executivo Municipal.

A mesa de autoridades na cerimônia que instalação do novo Estado de Mato Grosso do Sul. (Foto: Marcos Ermínio)A mesa de autoridades na cerimônia que instalação do novo Estado de Mato Grosso do Sul. (Foto: Marcos Ermínio)
O jornal campo-grandense da época celebrava a posse do ex-prefeito da cidade como governador do Estado. (Foto: Marcos Ermínio)O jornal campo-grandense da época celebrava a posse do ex-prefeito da cidade como governador do Estado. (Foto: Marcos Ermínio)

“É importante observar que as coisas começaram a mudar com a criação do Estado (de Mato Grosso do Sul) e a transformação de Campo Grande em Capital. Houve um amadurecimento político a partir de então, e a cidade se torna a única Capital do país que consegue ser o centro demográfico, econômico, político e geográfico do Estado”, pontua Hildebrando.

De 1932, ano da revolução constitucionalista, até 1979, com a criação de Mato Grosso do Sul, Campo Grande era uma espécie de Capital informal do sul. As disputas políticas eram comum, e conquistas do sul, como a vitória do então prefeito da Cidade Morena, Fernando Corrêa da Costa, em 1950 para o cargo de governador de Mato Grosso, eram bastante comemoradas pelos campo-grandenses e demais "sulistas".

“Como uma administração bipolar. Se em Cuiabá tinha uma secretaria de cultura, em Campo Grande tínhamos uma subsecretaria. E sem rivalidade, que acontecia de forma jocosa apenas, já que o campo-grandense sempre foi muito mercantilista, e por isso procurava manter um clima amistoso na relação”, explica o historiador.

Para o presidente do IHGMS, a cidade, desde sua criação a cidade sempre priorizou o depois, e por ser um importante centro comercial, dava pouca atenção ao tempo presentes. “Campo Grande respira futuro até hoje. Quem mudou um pouco essa percepção foi o André Puccinelli (prefeito de 1997 a 2006), que com o slogan de Campo Grande no Coração da Gente, trouxe uma relação de pertencimento e apropriação por parte da população”, declara Campestrini.

Depois de um tempo de bonança, a cidade voltou novamente às turras com disputas políticas mais acaloradas. Após surpreender em uma votação inédita, o radialista, advogado e então deputado estadual Alcides Bernal, assume a Prefeitura em janeiro de 2013, e passa os próximos 15 meses em constante conflito com a Câmara Municipal.

Por fim, no dia 12 março de 2014, Bernal se torna o primeiro prefeito cassado de Campo Grande, por supostas irregularidades em contratos emergenciais firmados durante seu primeiro ano de mandato. “Certamente essa última foi a crise política que a população mais sentiu, foi um choque para todos, e é também a que gerou mais desgaste para a cidade”, finaliza o historiador.

Serviço – O Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul possui um acervo de obras que contam a história não apenas de Campo Grande, mas de todo o Estado. A sede da entidade é aberta ao público, e se localiza na Avenida Calógeras, 3000, na chamada Explanada dos Ferroviários, o telefone para contato é o 3384-1654




Sinceramente acho que deviam ter caçado prefeito e vice e deviam ter empossado o Giroto, que seria um prefeito de verdade e não um boneco como o Olarte, que diz amem a tudo e só quer benesses do poder.
Olarte sabe que a votação recebida foi toda do Bernal e deu no que deu.Espero que o eleitor Campograndense tenha aprendido lição.
Abraços
Antonio Marques
 
Antonio Marques em 10/08/2014 11:58:41
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