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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

24/10/2016 16:10

Condenada, Lara pede ajuda ao Papa Francisco, mas não se livra da prisão

Guilherme Henri
Lara durante entrevista dada ao Lado B em julho (Foto: Arquivo / Marina Pacheco)Lara durante entrevista dada ao Lado B em julho (Foto: Arquivo / Marina Pacheco)

A Justiça negou pedido de habeas corpus a Lara Bruna Aparecida Beraldo, 29 anos, detenta do Estabelecimento Penal Feminino de Campo Grande condenada a 15 anos de prisão por tráfico de drogas. A decisão veio mesmo depois de ela ter enviado uma carta ao Papa Francisco contando a própria história.

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Lara é mãe de um menino de 12 anos, que é deficiente, e já presa deu à luz um bebê prematuro. Alegando que precisa cuidar dos filhos, além de solicitar na Justiça a conversação de sua prisão para o regime domiciliar, ela também enviou a carta ao papa, por meio da Pastoral da Criança, que causou comoção.

Em resposta, conforme informações do Tribunal de Justiça, o Papa Francisco disse que ela deveria ter confiança na justiça, que Deus estaria ao seu lado e que "o Espírito Santo tocaria o coração mais duro" para que ela pudesse cuidar de seus filhos.

Porém, o Ministério Público se manifestou contrário ao pedido do habeas corpus alegando que apenas o fato de Lara ter filhos pequenos não configura motivo suficiente para a substituição da sentença.

Posição que foi compartilhada pelo desembargador Ruy Celso Barbosa Florence, ao negar o pedido da detenta, pois entendeu que como não se trata de prisão preventiva e sim de cumprimento de execução definitiva, não é cabível a possibilidade de prisão domiciliar.

Segundo ele, não existe amparo legal para a concessão do benefício neste caso apenas pelo fato da detenta ser mãe de uma criança menor de idade, pois não comprovou, por laudo detalhado, a doença do outro filho.

O pedido foi negado no dia 5 deste mês, conforme divulgado pelo Tribunal de Justiça na tarde desta segunda-feira (24). 

Carta - Lara já cumpriu pena em Goiás por tráfico de drogas e veio junto do marido e dos dois filhos, para Mato Grosso do Sul tentar uma vida diferente. Contudo, acabou presa novamente pelo mesmo crime em maio do ano passado quando estava no sétimo mês de gestação e acabou dando a luz antes do previsto.

Durante quase 1 ano, o filho ficou no presídio com Lara, até a avó buscá-lo. Quando a mãe escreveu a própria história na folha em branco, nunca imaginou que a carta chegaria tão longe e seria lida pelo Papa Francisco. "Escrevi que meu neném ia embora, ele era muito pequenininho e contei minha vida todinha, mas nunca achei que a carta ia ser entregue, acha que sei lá, era só um papel para passar o tempo", desabafa.

A carta foi entregue ao papa em mãos, em junho deste ano, pelo padre Hernanni Pereira da Silva, da Igreja Santo Afonso.




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