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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

26/08/2012 09:20

Histórias de gente que ainda hoje vive em prédios que podem virar patrimônio

Ângela Kempfer
Histórias de gente que ainda hoje vive em prédios que podem virar patrimônio
Dona Matilde e o marido Carlos, na fachada da casa pequena na vila construída pelo Coronel Zelito. (Fotos: Minamar Júnior)Dona Matilde e o marido Carlos, na fachada da casa pequena na vila construída pelo Coronel Zelito. (Fotos: Minamar Júnior)

A região central de Campo Grande ainda tem 111 prédios com valor histórico suficiente para despertar o interesse de preservação cultural. A maioria está escondida ainda por anúncios publicitários, mas quando há atenção no olhar fica nítido o valor arquitetônico e histórico, o que os colocou sob regime especial de proteção histórico-cultural.

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Na lista elaborada pela Prefeitura, primeiro estão os 22 imóveis passiveis de tombamento. São prédios conhecidos como o dos Correios na Calógeras, a Igreja São José e o Colégio Auxiliadora.

Já na relação apenas de “Interesse para a Preservação Histórica” são mais 89, que ainda passam por levantamento da real importância como patrimônio cultural.

No grupo, estão várias casas da década de 30, que já perderam portas e janelas originais, tiveram o interior completamente modificado e hoje ocupadas por comércios, como o prédio na Travessa José Bacha, de 1934, onde atualmente funciona uma das casas de Umbanda mais tradicionais da cidade.

O bar de cor amarelo gema, na esquina da Calógeras com a 7 de setembro, é outro imóvel sob regime especial de proteção. Mas os toldos escondem a beleza da fachada.

Mais acima, no cruzamento com a 15 de Novembro, a Conveniência Salvador ocupa outro prédio antigo, ainda com o sobrenome do primeiro proprietário na fachada “Bacha”. Outra vez, a arquitetura original está sob dezenas de cartazes de promoção.

Dona Neide, no salão simples da 7 de setembro.Dona Neide, no salão simples da 7 de setembro.

O que é difícil mesmo imaginar durante um passeio pelos endereços catalogados pela prefeitura são as histórias de gente que vive ou trabalha nesses locais há mais de 40 anos.

Na 7 de Setembro, o prédio histórico foi dividido em várias portinhas, cada uma com um comércio. Acomodada em uma cadeira do salão de beleza Hit, dona Neide Arakaki surpreende ao dizer que trabalha no mesmo lugar há 44 anos.

Primeiro, o salão foi da irmã mais velha, mas aos 20 anos ela assumiu o negócio e continua em pé, graças a clientela tradicional. “Aqui, pés e mãos ainda são feitos na bacia”, brinca a senhora de 62 anos, filha de japonês e de brasileira, que passou a infância em Terenos.

Na Barão do Rio Branco, a conversa é bem mais longa. Nos fundos de um prédio, descobrimos a Vila Taboco, construída pelo coronel Zelito Alves Ribeiro, homem que lutou na Guerra do Paraguai e ao voltar para casa resolveu investir em imóveis para a família em Campo Grande.

Dona Matilde Dantas, de 82 anos, aos dois saiu de Corumbá após perder os pais e acabou adotada pela família do Coronel Zelito. Ainda hoje vive com o marido Carlos e a neta na casa deixada de herança na Vila Taboco, rodeada por orquídeas e objetos do passado.

Há rádio da época da guerra, panelas, candil, uma diversidade de peças deixadas pelo pai adotivo e alguns amigos.

Na prateleira da sala, o relógio tem mais de cem anos, mas funciona. É o preferido, mesmo trazendo uma dor à tona a cada balada de hora cheia. “Meu filho morava na França e sempre ligava faltando alguns segundos para às 13 horas para eu colocar o telefone virado para o relógio, para ele ouvir as badaladas. Ele morreu em um acidente, quando visitava a gente aqui no Brasil e sempre que o relógio bate eu me lembro dele”, conta.

Mas como o prédio, Matilde é forte e solta um sorriso ao lembrar da vilinha onde passou a maior parte da vida. “São 46 anos aqui e ela continua assim, lindinha”.

O marido faz a comparação, a estrutura é forte, resistente como o casal que se conheceu no Rio de Janeiro há quase 50 anos. “Quando construiram um estacionamento aqui ao lado, era bate estaca o dia todo e olha, não tem uma rachadura nas nossas paredes”.

Bar na 7 de setembro, também sob proteção.Bar na 7 de setembro, também sob proteção.
Placas em imóvel construído por José Bacha, na Calógeras.Placas em imóvel construído por José Bacha, na Calógeras.
Três portas, de 3 épocas diferente no Prédio Seba, na Dom Aquino.Três portas, de 3 épocas diferente no Prédio Seba, na Dom Aquino.
A vila na Barão do Rio Branco, construída pela Coronel Zelito.A vila na Barão do Rio Branco, construída pela Coronel Zelito.
Imóvel de 1934, na travessa José Bacha.Imóvel de 1934, na travessa José Bacha.
Janelas já não são originais em prédio na Dom Aquino.Janelas já não são originais em prédio na Dom Aquino.



Linda matéria...
 
andrea lucia em 26/08/2012 11:39:00
As vilainhas no "miolo" das quadras, não só a do coronel Zelito, houveram muitas, e ainda há alguns remanescentes, quando vc entra em uma delas parece que vc atravessou um "portal do tempo", parece outra época, nem mesmo o som urbano da Barão do Rio Branco entra na vila. Algo a ser preservado.
 
Gerson Dias em 26/08/2012 09:55:01
Adorei a materia. Fui muitas vezes na vila taboco na casa da Matilde e do Carlos. Voltei a minha infancia.... esses locais devem ser preservados....
 
wania anderson em 26/08/2012 04:44:31
tem muitas casas lindas na CIDADE POR ESEMBRO NA RUA ANTONIO MRIA COELHO ENTRE A RUA 14 DE JULHO E RUA 13DE MAIO TEM A CASA DE DONA LILI FERNANDES ELA FOI MIS CAMPO GRANDE Á MAIS DE 50ANOS ATRAS EW TAMBEM TEM A CASA DE DONA DILU QUE JA ESTA TOMBADA DEVERIAM FAZER UMA REPORTAGEM POIS SÃO BEM INTERESANTES E ANTIGUAS SOU PAULISTANA PIOREM ME CONCIDERO MATOGROSENSEDE CORACÃO ADORO ESTA MORENA
 
janete maria barão em 26/08/2012 04:14:47
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