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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

23/11/2016 10:06

Temendo ficar no prejuízo, motoristas são contra congelar tarifa de ônibus

Motoristas recebem comissão em cima de passageiros e ameaçam parar caso preço de passagem seja congelado

Yarima Mecchi e Julia Kaifanny
Motoristas de ônibus no terminal General Osório. (Foto: Marina Pacheco)Motoristas de ônibus no terminal General Osório. (Foto: Marina Pacheco)

Motoristas do transporte coletivo de Campo Grande são contra o congelamento da tarifa, anunciado pelo prefeito, Alcides Bernal (PP). A categoria recebe uma comissão sobre cada passageiro, ou seja, o congelamento afeta diretamente na renda deles.

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O anúncio feito por Bernal na segunda-feira (21). Ainda não foi oficializado, mas já preocupa os trabalhadores.

A comissão varia entre 1,5% e 2% em cima do valor da tarifa de ônibus conforme os passageiros passam a catraca, ou seja, os motoristas das linhas mais cheias tem um acréscimo a mais no salário. De acordo com o presidente do sindicado que representa os motorista, Demétrio Freitas, o congelamento da tarifa afeta diretamente a renda deles e não vão permitir que o valor permaneça o mesmo para 2017.


Demétrio disse ainda que o Consórcio Guaicurus, empresa que administra o transporte público de Campo Grande, já fez o acordo com a categoria de 8,5%, reposição da inflação, mais umas vantagens com plano de saúde. Ele ameaça uma paralisação caso a categoria perca o reajuste.

"Acertamos e de repente se depara com uma situação dessa. Se no 5º dia util a gente não receber com o reajuste vamos fechar STTCU-CGas garagens", afirmou.


O presidente explicou ainda que o STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande) representa 1,5 mil motorista e ao todo 1,8 mil profissionais que trabalham no transporte coletivo de Campo Grande. "Ao todo são 1,8 mil, tem os administrativos, pessoal interno, não só motorista".


Mesmo sendo pegos de surpresa pela notícia de congelamento da tarifa, os motorista afirmam que nada foi oficializado ainda e esperam que a prefeitura resolva o impasse. A categoria tem uma reunião com o prefeito nesta quinta-feira (24) e espera uma resposta positiva.


"Vai dá certo, estamos aguardando a resposta até amanhã. Esperamos que ele consiga resolver".

Categoria ainda não foi informada oficialmente sobre congelamento. (Foto: Marina Pacheco)Categoria ainda não foi informada oficialmente sobre congelamento. (Foto: Marina Pacheco)

Na rua - Os motorista de ônibus ainda estão divididos sobre o aumento da tarifa, alguns acreditam que é possível congelar o preço e outros pontuam que o valor está acima do que realmente precisa ser cobrado.

A reportagem conversou com motoristas, que não quiseram se identificar, eles não acreditam que o congelamento da tarifa vai afetar o reajuste e já tiveram aumento no salário depositado em novembro. Eles também não sabem de movimento grevista. "Vamos continuar trabalhando normalmente".

Um dos entrevistados disse ainda que a tarifa em Campo Grande poderia ser mais barata e que o preço é absurdo. "O valor cobrado é um absurdo e deveria ser mais barato, R$2,5 bastaria", disse.

Outro colega pontou que a cidade permite gratuidade para diferentes categorias da população e com isso quem paga cobre o passageiro que tem gratuidade.

"Aqui muita gente usa a gratuidade e não tem como ser mais baixo. Quem diz que pode ser mais barato não leva em consideração que estudante vai de graça, idosos também. Em outras cidades o estudante paga meia", pontuou.

Motorista conversam entre si no Terminal General Osório. (Foto: Marina Pacheco)Motorista conversam entre si no Terminal General Osório. (Foto: Marina Pacheco)

Salário - Conforme relatado pelo presidente do sindicato os motorista tem comissão em cima do preço da tarifa e da quantidade de passageiros que passam na catraca. Quanto mais passageiros usarem a linha de um motorista, mais ele ganhar comissão.

De acordo com o sindicato, os motoristas de carros comum ganham 1,5% de comissão e dos carros articulados, os sanfonados, ganham 2%. Além do acréscimo no salário de 2% a cada cinco anos e de receberem PLR (Participação nos Lucros ou Resultados). O salário base dos motoristas é de R$1.933,00.

O presidente do sindicato explicou que como tem 22 anos de empresa tem um acréscimo de 8% no salário.




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