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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

08/08/2015 10:57

Dólar alto e crise na construção frustram sonho brasileiro de hatianos

Caroline Maldonado
Gaston Jean quer voltar à República Dominicana em busca de emprego nas construção civil (Foto: Marcos Ermínio)Gaston Jean quer voltar à República Dominicana em busca de emprego nas construção civil (Foto: Marcos Ermínio)

O haitiano Gaston Jean, 47 anos, veio para Campo Grande em setembro do ano passado, em busca de emprego na construção civil. É uma área em que as dificuldades em falar o português não atrapalham muito e o mais importante, o salário é suficiente para mandar algum dinheiro para a família. O que ele não sabia é que o setor reduziu as vagas em 45%, no último semestre, na comparação com o mesmo período de 2013, segundo a Funsat (Fundação Social do Trabalho de Campo Grande).

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As vagas de trabalho disponíveis não pagam mais que um salário-mínimo e com o dólar tão alto, cotado a R$ 3,42, mandar dinheiro para a família fica praticamente impossível. Cerca de 40 haitianos, que moram Capital, passam pela mesma situação e ficam divididos entre permanecer no Brasil, voltar para o país de origem ou o vizinho, a República Dominicana, que também acolheu muitos refugiados do terremoto que arrasou o Haiti, em 2010. Outra opção seria o Chile, pois corre um boato de que por lá o cenário é melhor.

A decisão é difícil, porque uma vez que sai do país, o estrangeiro perde as vantagens obtidas com o visto diferenciado concedido aos haitianos. “Penso em conseguir emprego na empresa em que trabalhei por dez anos na República Dominicana”, revela Gaston, já decido a regressar. Essa é a intenção “de sete em cada dez haitianos”, nas palavras de Wadner Absalon, 26 anos.

Eles fazem parte de um grupo, que se reúne aos finais de semana para estudar a Língua Portuguesa, na Comunidade Divino Espírito Santo, no Bairro Rita Vieira. Voluntários dão aulas também na Comunidade Santíssima Trindade, no Jardim Paulista. Os professores ajudam ainda com as questões relativas aos trâmites trabalhistas, pois, além de toda a dificuldade para conseguir emprego, alguns passaram por empreiteiras que deram o “calote” e viram conterrâneos submetidos a condições degradantes de trabalho.

Wadner Absalon pretende continuar no Brasil, mesmo com as dificuldades (Foto: Marcos Ermínio)Wadner Absalon pretende continuar no Brasil, mesmo com as dificuldades (Foto: Marcos Ermínio)

Em outubro de 2014, dez haitianos que trabalharam na duplicação da BR-163 fizeram acordo judicial com a empreiteira e deixaram o Brasil, após denúncia de falta de pagamento dos salários e das verbas rescisórias, além de condições precárias nos alojamentos.

Jeitinho brasileiro – Depois de tanta expectativa e direitos violados, o que resta é esperança de conseguir alguma colocação no mercado de trabalho, que tenha remuneração para o principal: mandar dinheiros para a família.

Desistir, não está nos planos de Wadner. A solução, ele diz que está no “jeito brasileiro”. “A vontade é de ficar aqui, mas se não tem outro jeito, a gente vai ter que dar um jeito, como falam os brasileiros”, brinca ele, que foi demitido de uma empresa e agora espera ser contratado por outra para trabalhar como pintor.




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