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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

23/01/2015 15:29

Aluna da pior escola, índia passa em dois vestibulares de medicina

Dara Ramires Lemes foi aprovada em duas faculdades públicas e depois de formada quer trabalhar na aldeia

Helio de Freitas, de Dourados
Dara estudou em escola de aldeia com pior nota no Enem, mas se dedicou e vai fazer medicina em São Paulo (Foto: Caarapó News)Dara estudou em escola de aldeia com pior nota no Enem, mas se dedicou e vai fazer medicina em São Paulo (Foto: Caarapó News)

A guarani Dara Ramires Lemes, 19 anos, moradora na aldeia Tey Kuê, no município de Caarapó, a 283 km de Campo Grande, foi aprovada no vestibular para medicina em duas universidades públicas conhecidas em todo o país. A jovem índia que fez o ensino fundamental e o ensino médio na escola da própria aldeia foi aprovada na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), no Rio Grande do Sul, e na UFScar (Universidade Federal de São Carlos), interior de São Paulo.

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Na universidade gaúcha, Dara disputou duas vagas com 121 pessoas e alcançou o primeiro lugar. Nesta semana ela ficou sabendo do resultado do vestibular da universidade de São Carlos, onde fez 32 pontos de 40 questões.

“Estou muito feliz, pois estudei de 8 a 10 horas por dia, durante um ano, para conquistar isso. Minha ficha ainda não caiu, mas acredito que só vai cair quando eu estiver lá na universidade”, afirmou a jovem ao site Caarapó News.

A Escola Estadual Yvy Poty, na aldeia Tey Kuê, onde Dara lemes estudou, foi considerada a pior nota no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2014, com média 412,65. O resultado obtido por Dara, no entanto, comprova que o esforço pessoal dela ajudou a superar as dificuldades enfrentadas pelos demais alunos.

Dara alcançou 760 pontos na redação do Enem, o que mostra, segundo ela, que a escola tem professores capacitados. “Desde criança estudei na escola indígena, sempre fui esforçada e os professores nunca me negaram ajuda, sempre que tinha dúvidas eles me ajudavam, e hoje eu devo o resultado dos vestibulares a eles também, pois se não fosse a disponibilidade e paciência deles talvez eu não tivesse ficado em 1° lugar”.

Na opinião da jovem guarani, uma escola não se faz com professores, mas sim com alunos dispostos a aprender. “Quando eu estudava lá, até durante as aulas vagas eu procurava os professores para tirar algumas dúvidas. E acredito que a escola apareceu com essa nota no Enem por que muitos alunos foram em um dia fazer a prova e no outro não apareceram”, disse a estudante ao site de notícias de Caarapó.

Ela decidiu cursar medicina na Universidade Federal de São Carlos e depois de formada quer voltar para a aldeia, para atender a comunidade. Segundo Dara Lemes, existe a necessidade de médicos que falam a língua guarani para atender os moradores da aldeia.

“Nós indígenas temos uma dificuldade muito grande de se comunicar com o branco e agora, para complicar mais ainda nossa dificuldade, vieram para a aldeia dois médicos cubanos participantes do programa ‘Mais Médicos’. Aí você pensa: se já é difícil nos comunicarmos com pessoas que falam o português, imagina com pessoas que falam uma língua mais diferente ainda”, disse ela.




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