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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

08/11/2012 10:35

Aos 81, Guarani-Kaiowá diz que "moço novo não quer mais plantar"

Paula Vitorino
Aos 81 anos, seo Ambrósio diz com dabedoria sobre as mudanças na vida do indígena. (Fotos: Rodrigo Pazinato)Aos 81 anos, seo Ambrósio diz com dabedoria sobre as mudanças na vida do indígena. (Fotos: Rodrigo Pazinato)

Com os seus 81 anos de vida e muitas histórias, o indígena Ambrósio Gomes Martins, da etnia Guarani-Kaiowá, ensina o que considera ter sido esquecido por muitos moços. “Quem não trabalho e não planta, não colhe”, diz com a convicção e a sabedoria que a idade permitem.

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Ele mora na aldeia Sassoró, no município de Tacuru, que fica ao lado do acampamento da comunidade Pyelito Kue, famosa mundialmente depois da carta em que o grupo de 170 Guarani-Kaiowá afirmam estar dispostos a morrer pela terra. Eles estão acampados há cerca de 1 ano na fazenda Cambará, em uma área isolada, ás margens do rio. E graças a repercussão da luta ganharam na Justiça o direito de ficar no local até a demarcação da área indígena.

Na barraca humilde, ao lado da numerosa família, seo Ambrósio fala com empolgação, mas precisa do auxilio do cacique da aldeia para traduzir o português, já que não escuta muito bem e sua língua tradicional é o guarani.

Ele lembra que a aldeia que abriga seu povo é muito diferente da terra antiga. Não só por estarem fora da tekoha, como os índios chamam a terra que acreditam ter pertencido aos ancestrais, mas principalmente porque os costumes são outros.

“O moço agora quer saber de beber e arrumar briga. Naquela época não tinha a bebida, só tinha a chicha”, lembra, explicando que a bebida era preparada com a mandioca socada no pilão.

Área da aldeia Sassoró. Área da aldeia Sassoró.

Além disso, o povo vivia do que plantava, ele lembra. Havia milho, mandioca, batata e outros cultivos que serviam de alimento. Hoje, são poucas as plantações na área. O cacique Marcos Gomes, de 35 anos, diz que a terra, arenosa, não é boa para a plantação e sem orientação correta para o plantio o alimento “não nasce”.

Mas com toda a sabedoria a autoridade, seo Ambrósio diz que, diferente daquele tempo, hoje o “índio novo não quer mais trabalhar na sua terra e por isso não tem o que colher”.

Ele fala que os mais novos só querem saber de trabalhar nas usinas, fora da sua terra, e não plantam. “Vai trabalhar fora e não tem tempo para trabalhar na sua terra”, constata.

Tekoha - Mesmo com vários hectares de terra sem produção na Sassoró, o indígena tem esperança de que quando eles voltarem para a tekoha será diferente. “Precisa volta pra nossa terra. Lá é terra boa para plantar, tudo cresce”, garante.

Segundo os indígenas a terra da região onde eles moravam é produtiva, diferente da área arenosa que está a aldeia agora e que o terreno precisa receber tratamento adequado para produzir.

Mas não é só reconquistar a terra, o indígena não tem dúvidas ao dizer que o povo vai precisar trabalhar só na sua terra quando voltar para Pyelito Kue.

“Tem que cuidar da sua terra. Plantar primeiro na sua terra pra depois se sobrar tempo ir para outro lugar trabalhar”, avisa.

Ao lado cacique, Ambrósio diz que moço novo não quer mais plantar.  Ao lado cacique, Ambrósio diz que moço novo não quer mais plantar.

Luta - Mesmo de longe ele acompanha a luta do grupo de indígenas para recuperar a Pyelito Kue, que ele garante saber indicar a sua localização. Ele chegou a ajudar nas primeiras missões de retomada de terra. O velho índio conta que morou até mais ou menos os 15 anos na tekoha.

De acordo com sua memória, o povo guarani foi expulso da Pyelito Kue – atual fazenda Santa Rita - por volta de 1948, quando se abriram na terra chamada de Yssau – atual fazenda Vera Cruz. Já na década de 70, os índios foram levados para a atual área da aldeia Sassoró, segundo as lembranças do indígena.

“Vieram os fazendeiros, invadiram tudo e tiraram a gente”, diz.

De perna cruzando e sorrindo, mostrando a falta de alguns dentes ao longo dos anos, ele tenta explicar o significado dos nomes das terras. Sassoró, segundo ele, vem do nome em guarani para buraco ou erosão: ossoró. Os índios falavam dos “ossorós” e os brancos, que não entendiam a palavra, começaram a chamar o lugar de sassoró.

Já o nome Pyelito Kue teria surgido da forma que os brancos chamavam o povo da região. Seo Ambrósio não sabe a tradução, mas diz que a expressão surgiu do nome “porvinho”, que era dito pelos brancos.




Juvenal reacionário mesmo, Rubio, além de ignorante. Está certíssimo o Leonardo Copetti quanto ao título distorcer a matéria. E essa cambada de idiota só lê título e lead de notícias.

 
José Roberto Fernandes Vellosa em 13/11/2012 23:19:21
Como diz aquele velho ditado: "pimenta nos zóio dos outros não arde". Quero ver essas ongs, "padres"(cimi) e outras coisas que circulam por aí, defenderem as invasões de terras por indígenas quando eles começarem a desenterrar ossadas nas propriedades deles...
 
Paulo Márcio Vieira da Silva em 09/11/2012 11:11:08
Então,e eu que sou brasileiro miscigenado? branco,indio,negro...tenho direito a que?a trabalhar e que me vire!pois é isso que esses "movimentos sociais" estão falando,estão preocupados com 170 indios, enquanto morrem centenas de brasileiros todos os dias,pela violencia,sem assistencia médica. e quanto a isso ninguem vai para as praças cobrar do governo. quero ver quando tivermos que pagar mais caro pelo arroz,pela soja....se esses mesmo ai vão para praça exigir que abaixem os preços!
 
Carlos Barbosa em 09/11/2012 09:23:37
Concordo com o Sr. juvenal eu não li revista alguma, mas conheço a realidade dos indígenas pois trabalho, e estudo ao lado deles e na verdade essa historia de que o índio tem que continuar sendo uma pessoa que não evolui para ser índio e manter sua cultura é simplesmente um grande engodo, e que serve apenas de interesses para certas organizações, ongs etc.
Índio não é um bicho é um ser humano que precisa de respeito e dignidade.
 
Clayton Rocha em 09/11/2012 06:22:31
ESSE JUVENAL É APENAS O REACIONÁRIO DE PLANTÃO!!
 
rubio tamos em 08/11/2012 20:47:36
Cara Priscila Anzoategui. Continue sonhando. Não sei quantos anos de idade a sra tem. Mas gostaria muito de encontrá-la daqui a uns 30 anos. Quiçá, eu nao esteja vivo até lá. Porém, espero que a Sra possa se lembrar do quanto estava equivocada no ano de 2012.
Quanto ao comentarista Leonardo Copetti, concluí que o Sr. entende pouco de nazismo.
Fiquei feliz por Veja pensar como penso.
E quanto a terra ser de 'propriedade' dos índios, pelo fato de que estavam estabelecido aqui quando da chegada dos brancos (1500) - eu não tenho dúvida: TODO O TERRITORIO NACIONAL ERA DE ÍNDIO. Logo, seguindo seu raciocínio, todo não-índio deve entregar suas propriedades (casas, fazendas, etc) aos índios e deixar o Brasil. Que tal? Sugiro a gente mundar pra Bolivia, Venezuela ou Cuba. Nicarágua tbm é bom
 
Juvenal Coelho em 08/11/2012 16:46:14
Conforme Censo 2010/IBGE, os índios, apesar de serem MENOS DE 0,5% dos brasileiros, possuem 12,5% do TERRITÓRIO NACIONAL JÁ DEMARCADOS como reserva indígena. Já não está bom? Quanto mais eles querem? 20%? 25%? E pra que? Já que 40% dos índios não querem mais viver nas aldeias e os que lá vivem nada produzem e vivem do Bolsa Esmola. Por que não vão viver e produzir em suas reservas já demarcadas? Deixem quem produz trabalhar para pagar 40% do PIB em impostos para sustentar sua Bolsa Esmola.
 
RODRIGO DA COSTA em 08/11/2012 14:22:39
O título distorce toda a mensagem da matéria!!!! Ditadura da informação!!! Juvenal Coelho!! O Sr. está equivocado, está apenas repercutindo a matéria "criminosa" e injusta que a Veja fez na semana passada!!! Um ótimo leitor da Veja!! Absurdo e revoltante esse seu comentário amigo!! eles já estavam nessa área há centenas de anos!!! Eles foram tirados das áreas recentemente, dos anos 50 pra cá!!! E jogados numa vida de penúria, de miséria, de indigência!!! Tendo a sua prática cultural mutilada!!! E o que eles pedem não é nada extravagante, é um mínimo duma área!!! Área que é deles irmão!! E não de quem chegou ali nos anos 50, 70, e tirou a tapa, a pistola, e na mentira aos indígenas... Sua visão é a visão do "endeusamento do capital", de Direita, e NAZISTA!!!!
 
Leonardo Copetti de Moura em 08/11/2012 13:34:26
Juvenal Coelho meu caro irmão se informe melhor antes de criticar os movimentos sociais....vá amanhã na Praça Ary Coelho e depois tire sua conclusão, ok?!
 
Priscila Anzoategui em 08/11/2012 13:23:50
Eles dizem q na terra onde estão não produz nada pois é infértil, agora vocês que apoiam os indigenas venham aqui na aldeia de Panambi em Dourados, onde varias famíliasde brancos realmente produtora viviam e o governo veio e tirou todos e mandou lá para uma terra q só tem areia,venham aki e vejam a realidade para q destino os Índios querem terra, as casas q existiam nas propriedades eles destruiram tudo, tirando madeira por madeira para fazerem fogo, onde existiam milho e soja hoje só existe colonião e Brachiaria, dai eles saem na redondeza propriedades vizinhas mexendo em tudo q encontram, em épocas de manga vão pegar nas propriedades dos brancos, dai indagados sobre porque vocês não plantam um pé de manga na terra de vocês ???? a resposta é bem assim "demora muito para dar" produzir.
 
LEANDRO GONCALVES em 08/11/2012 13:04:09
Indio precisa de politica expecifia para ele, e não de terra, como um chacreiro dom 25 hectares sustenta uma familia de 5 pessoas e ainda gera renda para o Pais e ele com 80 hectares não gera renda nem para se manter.
 
Macio Alan em 08/11/2012 12:35:39
Esse senhor mostra como na verdade os indios não precisão tanto de terra, mais sim de assitencia pois os indios que ainda tem a força de trabalho, que são os de 16 ao 30 anos não querem trabalhar na terra e sim em usinas, na região de Tacuru os indos tem uma media de 70 a 80 hectares por indigena se o calculo for feito por familha esse numero pode subir ainda mais, diferente de Dourados que as aldeias estão super lotadas, o que tem que dar para os indios é assistencia, qualificar quem quer trabalhar na terra, fazer o indigena gerar renda para ele mesmo e o principal ensinar o famoso controle de NATALIDADE, o que adiante por um filho por ano se não podem sustentar, falta politicas expecificas para melhorar a vida dos indigenas, garanto que se for feito isso ele vão viver melhor e parar de
 
Lucio Mendes em 08/11/2012 12:32:42
Como sempre digo, tenho muita pena destes pobres índios - usados por meio dúzia de esquerdopetistas, de inteligência questionável e infiltrados na Funai, Cimi, Ongs, Universidades e etc.
Na verdade ninguém está preocupado com a situação de miséria dos índios.
Os índios que têm terras, mesmo férteis, continuam marginalizados, na miséria, no álcool, nas drogas. Culturalmente, o índio brasileiro nunca foi afeito a desenvolvimento de lavoura e museu antropológico a céu aberto é utopia.
Nenhum ser humano vive bem e feliz, vendo o seu próximo progredir materialmente e ele não.
O índio também quer progredir: quer moradia dígna, carro, celular, computador, internet e, principalmente, dinheiro no bolso.
Entendem o porquê muitos deixam a aldeia e vão trabalhar de peão em usinas? Acorda Brasil.
 
Juvenal Coelho em 08/11/2012 12:11:27
Amanhã manifestação em defesa dos povos indígenas na Praça Ary Coelho das 8 da manhã até umas 9 da noite! 17 horas ato oficial!!

https://www.facebook.com/events/109057059256101/?ref=notif&notif_t=plan_user_joined
 
Priscila Anzoategui em 08/11/2012 11:31:08
essa questão de terras indígenas são um verdadeiro problema, pois eles acham que são donos das mesmas e na realizade elas são da União, portanto, não são donos de nada e sim verdadeiros "zeladores". Nessas rgiões onde os "índios" não são mais silvícolas, não poderia ocorrer uma "reforma agrária" com doação de lotes de terras como indenização e deixá-los explorá-las assim como fazem os "sem-terras"???
 
laercio souza em 08/11/2012 11:23:07
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