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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

22/11/2011 09:47

Após declarações de fazendeiro, Cimi pede intervenção federal em MS

Marta Ferreira
Nísio Gomes, líderança dos guarani-kaiowa acampados em área de fazenda em estudo para demarcação, está desaparecido deste sexta-feira. (Foto: Divulgação Cimi)Nísio Gomes, líderança dos guarani-kaiowa acampados em área de fazenda em estudo para demarcação, está desaparecido deste sexta-feira. (Foto: Divulgação Cimi)

O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) divulgou ontem à noite nota em que repudia as declarações feitas ao Campo Grande News pelo presidente do Sindicato Rural de Aral Moreira, Osvin Mittanck, sobre o clima de tensão no acampamento de índios guarani-kaiowa Guaviray, onde o líder Nísio Gomes, 59 anos, está desaparecido desde sexta-feira. A comunidade afirma que o local foi atacado por mais de 40 pistoleiros e Nísio foi executado e o corpo foi levado.

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O Cimi reforça o pedido de intervenção federal em Mato Grosso do Sul feito em outras ocasiões, sob o argumento de que a situação é de grave violação aos direitos humanos. O Cimi pede, ainda, a presença da Força Nacional de Segurança e conclusão urgente do processo de identificação e delimitação das terras indígenas do Estado.

À Agência Brasil, o coordenador da entidade, Flávio Vicente Machado, disse que o clima bastante tenso na região, e que existe o risco de novos ataques. Ainda assim, os índios dizem que vão permanecer na região.

Na entrevista que provovou a resposta da entidade ligada à Igreja Católica, Mittank informou que a entidade solicitou audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Segundo ele, o objetivo é pedir a desocupação da área onde os índios acamparam, que está sob litígio em razão dos estudos para demarcação como terra indígena.

Ele afirmou ainda que a entidade quer o compromisso da Funai (Fundação Nacional do Índio) e do Cimi de que não vão incentivas novas invasões.

Ao Campo Grande News, o presidente do Sindicato Rural jogou suspeitas sobre a veracidade dos relatos dos índios sobre o ataque e afirma que eles são usados pelo Cimi e pela Funai.

O Cimi classificou as declarações como “bestiário de infames bobagens”, na nota que segue abaixo:

O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) repudia com veemência as acusações infundadas e sem escrúpulos feitas pelo presidente do Sindicato Rural de Aral Moreira, Osvin Mittanck, através de um órgão de imprensa do Mato Grosso do Sul. Esse senhor desprovido de verdade diz querer justiça, sendo ela regozijada com a desocupação dos indígenas daquilo que ele considera como fazenda invadida e que a Funai (Fudação Nacional do Índio) e o Cimi dêem garantias de que não incentivarão novas invasões. Em nenhum momento pede para que os assassinos do cacique Nísio Gomes e de supostamente dois jovens, desaparecidos, sejam trazidos a público para comprovar a natureza da defesa que voluntariamente faz de seus associados.

Numa fajuta tentativa de descaracterizar o covarde ataque, coloca-se a si mesmo e a seus associados na situação de vítimas de uma grande injustiça, se defendendo sem ser atacado, ventilando escleroses múltiplas e deixando uma pergunta que deverá ser feita pela Polícia e Justiça Federais: quem teria interesse em entrar numa área particular para assassinar e atacar cruelmente indígenas lá acampados? A Funai tampouco o Cimi não são proprietários de terras tradicionais e sob litígio. Percebe-se a clara intenção de desvirtuar a questão numa tentativa desesperada de colocar as reais vítimas no banco dos réus. Por quê?

Desde março do ano passado, o Cimi vem sistematicamente pedindo a intervenção Federal no Mato Grosso do Sul para garantir a segurança dos indígenas – atacados mês a mês sem piedade ou descanso dos assassinos. Quantas mortes e violência terão de ocorrer para que tal decisão seja tomada? Outras mais podem estar a caminho: de acordo com informações vindas dos municípios de Amambaí e Ponta Porã, grupos armados continuam mobilizados e as ameaças de novos ataques seguem presentes. Reiteramos a necessidade da intervenção, conforme prevê a constituição no artigo 34, VII – b, quando há violação de direitos da pessoa humana, respaldado também no preâmbulo e artigo 1º da Constituição e que se justifica como sendo uma medida de caráter urgente e imprescindível.

É exatamente disso que os agressores dos indígenas têm medo: da presença do Estado. Até o momento não há e por conta disso resta o terror aos indígenas e não o respaldo das leis nacionais e internacionais que garantem o direito ao território tradicional – invadidos e devastados pela cana de açúcar, soja e pasto. O presidente do Sindicato Rural diz duvidar de que os Kaiowá sejam capazes de relatar todo o noticiado e denunciado pelo Cimi. Aqui respondemos que os indígenas estão longe da capacidade criativa de invenção apresentada pelo presidente do Sindicato Rural e se resumem a relatar o que lhes acontece cotidianamente.

O Cimi recebeu denúncias, ainda não confirmadas, da existência de uma lista de lideranças Kaiowá Guarani que estariam marcadas para morrer. As denúncias nomeiam quatro importantes lideranças. A comunidade de Guaiviry informou que pistoleiros impediram o acesso de cerca de 50 indígenas que levavam apoio ao acampamento após o assassinato do cacique Nísio Gomes, apesar da segurança fornecida pelos agentes policiais na região. Também nos inquieta as declarações do presidente do Sindicato Rural de Aral Moreira a respeito de suposto forjamento dos ataques aos indígenas para “jogar a culpa nos fazendeiros”.

A propósito, ataques análogos ao que vitimou fatalmente o cacique Nísio foram sofridos pelas comunidades Kaiowá Guarani de Y’Poy e M’Barakay. Demonstração de que se trata de formação de milícia armada paramilitar, ainda mais se levarmos em conta que os armamentos e as munições utilizadas são, via de regra, de uso restrito. A conclusão não é apenas do Cimi, mas também das próprias comunidades atacadas e do Ministério Público Federal (MPF).

O Cimi rechaça o bestiário de infames bobagens ditas pelo senhor Mittanck e ressalta que nesse momento é preciso investigar quem são os pistoleiros e seus mandantes; onde está o corpo do cacique bem como o paradeiro de dois jovens desaparecidos; intervenção Federal imediata no Estado do Mato Grosso do Sul, pois a situação é de grave violação aos direitos humanos; presença da Força Nacional para garantir a segurança dos indígenas e conclusão urgente do processo de identificação e delimitação das terras indígenas do Estado.

Brasília, 21 de novembro de 2010.

Cimi – Conselho Indigenista Missionário.




A igreja por intermedio deste tal de CIMI deveria doar todas as terras improdutivas da igreja aos sem-tetos e favelados que vivem no País, mas não eles querem terras de outras pessoas que produzem, concordo com o Edmir qdo fala sobre a Bahia, mas isso e sobre todo o litoral brasileiro, tudo pertence aos indios, porque o CIMI não pede para os Estados litoraneos a devolução das terras.
 
Odair Rosa em 22/11/2011 12:09:26
Concordo com o Edimar!
Não entendo essa luta por "terras indígenas" no interior do território nacional! Por que não começar desapropriando o Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo?
Na verdade, interesse de índio nesta história tem bem pouco. São outros interesses que estão por trás disso, fortes e ricos o bastante para subverter interpretações da Constituição e comprar lideranças políticas.
 
Alberto de Souza Carvalho em 22/11/2011 12:03:15
Então temos que desocupar o Brasil, é tudo dos índios...
 
Karina Lopes em 22/11/2011 11:55:47
Porque esses Índios não reivindicam o litoral Bahiano como terras indigenas, pois foi de lá que começou a ocupação, e é fato registrado a mais de 500 anos, que quando aqui chegaram a frota de Cabral foram recepcionados por Índios, então a ocupação de terras indigenas começou por lá, e porque ninguém reclama?
 
Edimar Sales em 22/11/2011 10:33:32
Acredito que o Governo deva dar uma solução rápida para este caso.
Os setores ruralistas precisam entender sobre a necessidade da definição das terras indígenas. Estas terras constituem-se em territórios de um povo originário deste Brasil, deste Mato Grosso do Sul. Com isso os conflitos podem cessar, cada qual com seus direitos, quem sabe um dia podemos viver em um estado de respeito e paz.
 
Nonato baviera em 22/11/2011 06:34:34
Eu fico imprecionado com os beneficios que os indigenas recebem, simplismente pela alegação de ja terem vivido nestas terras a seculos atras.
Eles recebem beneficios financeiros de entidades e ongs, todas do exterior, o entre elas, o CIME. Bestiario e infame é ajudar a promover esse tipo de evento invasório de terras produtivas para extrativistas.
 
Dênis A. Nascimento em 22/11/2011 04:07:44
Eu fico indignado com as coisas que acontecem em nosso país. É uma desorganização e uma falta de coerência das pessoas. Que os índios chegaram primeiro em nosso país, é fato, mas que isso é culpa dos proprietátios de terras é boato. Quem disee que as primeiras terras que eles encontraram foram essas do MS? Por que eles não se instalam na Avenida Paulista, em SP, requerendo aquele pedaço de chão? Por que esse CIMI, ao invés de ficar inflamando o relacionamento entre índios e latifundiários, incentivando as invasões de terra, eles não cuidam da saúde da população, trabalham para diminuir o índice da desnutrição, os ensinando os princípios básicos de higiene, os ensinando a trabalhar, os socializando e lhes dando condições dignas de viver? Eles ficam por trás, incentivando essas invasões sem êra nem bera, pois se ainda não está decidido nada pela justiça, por que ocorrem as invasões? Isso sim é instigar a violência. Se foi decretado pela justiça, existirá a reintegração de posse, caso contrário, É ILEGAL. E é isso que as pessoas devem entender. Quem está começando a violência não são os fazendeiros, eles estão defendendo o que é deles; o que o que conseguiram com seu trabalho e pagam os seus impostos. Temos uma lei prara ser cumprida. Não podemos deixar que essas ONGs e Conselhos fiquem fazendo do nosso estado uma guerra, onde os inocentes estão sendo atingidos e prejudicados, que são os indios e os latifundiários! Vamos mudar nossa forma de pensar e de agir. Vamos mudar essa história, em nosso estado. Ainda dá tempo!
 
Nelson Sousa em 22/11/2011 02:06:35
Deixei de me considerar Catolico após descobrir que a Igreja apoiava grupos como esses.
O cimi não quer outra coisa a não ser transformar as aldeias em currais!
 
Lucas Allan em 22/11/2011 01:49:41
Essa questão é muito delicada mas falta o real interesse do governo em solucionar, não apenas na questão indígena mas também na reforma agrária; enquanto a igreja, ongs, movimentos, etc., invadem terras produtivas e bem localizadas, porque não se inicia o assentamento das familias e tbém indios, pelas terras da União? sabe-se que os maiores latifundiários do país é o governo e a igreja não é?
 
Erudilho Nabuco em 22/11/2011 01:20:48
Sinceramente fico muito triste, de ver que muitos estão contra os indios, todos nós sabemos que as terras são deles de direito.
Eles tem o direito de revindicar as terras, e o govêrno precisa agir rápido e devolver a eles,o que lhes pertence.
Os indios são nossos irmãos, porque tanta maldade e preconceito com eles.
Reforço aqui o pedido para que a PF e as Forças Nacionais ajudem os indios.
 
Maria Helena em 22/11/2011 01:19:59
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