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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

03/12/2013 16:37

Cacique se afastou da comunidade após fama com filme, denuncia Cimi

Bruno Chaves e Edivaldo Bitencourt
Ambrósio VIlhalva e Mateus Nachtergaele em cena do filme Terra Vermelha (Foto: Divulgação/UOL Cinema)Ambrósio VIlhalva e Mateus Nachtergaele em cena do filme Terra Vermelha (Foto: Divulgação/UOL Cinema)

A fama proporcionada pelo filme Terra Vermelha, dirigido por Marco Bechis, mudou a vida do cacique Guarani-Kaiowá Ambrósio Vilhalva, 52 anos, morto a facadas ontem (2) em sua própria aldeia, a Guyraroká, que fica em Caarapó – a 283 quilômetros de Campo Grande.

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Depois de viajar o mundo para divulgar o filme em festivais e eventos, o cacique, conhecido por lutar pelo direito à terra, acabou se dissociando do estilo de vida indígena, segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário).

Além da “fama dos 15 minutos”, o uso compulsivo de bebida alcoólica agravou o conflito de Ambrósio, que vivia em uma relação poligâmica e era casado com três mulheres. Ele foi morto após uma suposta briga com o sogro, Ricardo Mendes Quevedo, 54, preso em flagrante pela Polícia Civil.

No mesmo dia da morte de Ambrósio e da detenção do acusado, ontem (2), o Cimi divulgou nota com três apontamentos para que a sociedade possa refletir e tentar compreender a morte de Ambrósio, assim como os últimos anos de vida dele.

De acordo com o conselho, o primeiro dos apontamentos é o fato de a identidade indígena na região ter sido perdida com relação às retomadas e expulsões de terras. Guyraroká é um território indígena retomado pelos Kaiowá, informa o Cimi.

Na década de 1990, pelo menos 30 famílias que viviam confinadas na reserva Tey’kue, em Caarapó, conseguiram ocupar 60 hectares de uma das fazendas. No entanto, foram expulsas e ficaram na beira da estrada por quatro anos até conseguirem voltar à área.

Os processos históricos de perdas de território e do confinamento em reservas, impostos aos Guaranis-Kaiowá, são o segundo apontamento do Cimi. Para o Conselho, estas experiências foram traumáticas e transformaram abruptamente os modos de vida dos indígenas, além de alterarem a qualidade e o sentido da vida deles.

Dessa forma, o uso compulsivo de bebidas alcoólicas e o ato do suicídio se proliferaram com força. Centenas de indígenas foram atingidas por essa ideia, acredita o Cimi. “Para suportar as tentativas de disciplinamento por parte do Estado e do capital, embriagar-se ou se matar forjaram-se como saídas. E Ambrósio bebia muito”, informa o texto.

O terceiro apontamento do Conselho é o fato de que Ambrósio vinha sendo alertado pela comunidade sobre os problemas que o uso compulsivo de bebidas alcoólicas traziam. De acordo com a comunidade, a liderança estava, cada vez mais, sendo hostil com os indígenas da aldeia.

Mas o comportamento agressivo de Ambrósio surgiu nos últimos tempos. Antes, ele era conhecido por ser um bom yvyra'ja (aprendiz e auxiliar) do pai, que era o ñanderu (rezador tradicional Kaiowá) da comunidade.

Atuação, fama e queda – O líder indígena foi um dos protagonistas do filme Terra Vermelha, de 2008. O longa, de co-produção italiana e brasileira sobre a tragédia Kaiowá, foi bastante elogiado pela crítica e teve cinco indicações, entre elas, para o Festival de Veneza. A produção também teve duas premiações.

Para divulgar o filme, Ambrósio viajou bastante em agendas extensas, informa o Cimi. “Depois da exposição e da circulação do Kaiowá em festivais, espaços políticos e outras esferas, em diversos países, ele teria ficado assim, avesso”, divulga a nota.

“Sob severas privações em seu tekoha [terra sagrada] diminuto, a circulação de Ambrósio pelas extensas arenas por onde Terra Vermelha o levou teria acentuado as dissociações causadas pela invasão das terras Guarani Kaiowá, alçando Vilhalva a uma imagem difusa de si próprio”.

Para o Cimi, outros indígenas que atuaram no filme também sofrem com problemas semelhantes. O texto informa que os produtores do filme, possivelmente, desconhecem o fato e muito menos anteviram os efeitos que a “velocidade estonteante com que Ambrósio foi solapado provisoriamente de seu universo social causariam”.

Crime – O líder indígena foi morto a facadas na madrugada desta segunda-feira (2) enquanto voltava para a comunidade em que morava. Ele teria chego sangrando em sua casa, onde vivia com as três esposas. A família tentou socorrê-lo e acionou a polícia, mas Ambrósio morreu dentro do barraco.

A vítima estaria bebendo em companhia de amigos, quando o crime aconteceu. A polícia e a perícia técnica apreenderam uma faca com vestígios de sangue e dois indígenas foram levados à delegacia para prestar depoimento.

De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Benjamin Lax, não existe no crime conotação de disputa por terras ou algo parecido. “Foi uma briga entre família indígena envolvendo o uso de bebida alcoólica”, explicou.

Depois de ouvir duas das esposas de Ambrósio, o delegado decidiu pedir a prisão em flagrante de Ricardo Mendes Quevedo, pai de uma delas. As mulheres são mãe e filha. O caso foi comunicado para o Poder Judiciário.

Velório e enterro – Ambrósio foi enterrado por volta das 10h30 de hoje (3) em um cemitério dentro da aldeia. De acordo com o coordenador da Funai (Fundação Nacional do Índio) de Dourados, Vander Aparecido Nishijima, que participou da cerimônia fúnebre, indígenas mais antigos cantaram e tocaram um instrumento conhecido como mbaraca.

“O kaiowá é um povo que tem um tradicionalismo muito forte. Acredito que eles tenham feito rezas, como uma espécie de velório, durante toda noite anterior ao enterro. O pai do cacique era um ñanderu, rezador profissional”, lembrou,




O problema Sr Maximiliano é que tem muita gente querendo manter o índio submisso. Índio dependente, submisso é dinheiro em caixa. Nós temos que acabar com essa mania de minorias. Aqui não pode existir minorias afro descendentes, minorias indígenas, minorias disso e daquilo. Aqui tem que existir é BRASILEIROS. Todos são iguais perante a lei. Foi discriminado, cadeia no racista. É interessante para o governo várias minorias, já que uma não fala com a outra e dependem do único interlocutor comum, o governo. Um general da antiguidade disse que para vencer o inimigo, você tem que dividi-lo e abater por partes. É o que acontece, cada minoria só olha para o seu umbigo, qdo todas elas deveriam se unir e brigar por um interesse único, o País. E os índios querem sim coisas boas, é um direito deles.
 
Rogério Martins em 04/12/2013 10:17:29
VAMOS DEVOLVER O BRASIL PARA OS ÍNDIOS! Eles são os donos do Brasil, segundo o CIMI e demais "organizações humanitárias". Para todo resto da população que indevidamente invadiu esse território sul americano resta voltar para suas terras de origem. Que cada um busque suas origens retome a Europa, Ásia, África, etc, cada um em seu devido lugar. Só fico um pouco indeciso quanto a meu futuro já que sou fruto de miscigenação entre portugueses, espanhóis, alemães, italianos, e por fim indígenas. Suspeito que existam outros brasileiros invasores na mesma situação.. Devo ficar aqui e retomar os campos do RS onde viviam meus antepassados guaranis ou voltar para a Europa? Se o destino for a Europa, pra que parte dela? Seria mais simples se todos pudéssemos viver em paz, todos juntos e misturados.
 
Clovis R. Baseggio em 04/12/2013 09:12:49
Sr Maximiliano Nahas, faço das suas as minhas palavras.
 
Julio Martini em 04/12/2013 09:09:47
O Max tem meu apoio, índio anda pelado no meio do mato, esse negócio de índio urbano não existe, é conversa de ONG Internacional de país onde isso acabou faz tempo.
 
Carlos Magno em 04/12/2013 08:54:40
Eles não estão apenas matando para pegar terra dos outros ou não cultivar e destruir tudo para pegar outras terras; eles estão matando-se. Vi o filme e realmente, de grande destaque para o cacique e também para as tribos. Engrandecer o povo. Mas acredito que não tenha a ver com filme nem nada disso. Fico triste pela morte dele, mais uma morte banal (estão matando à toa).
 
Guilherme Mello em 04/12/2013 02:33:09
lamentavel a morte de qualquel pessoa,mas a sociedade tem de parar de tratar os indios comos seres inocentes,que nao sao capazes de compreender os fatos que os rodeam em pleno seculo xxi
 
max almeida em 03/12/2013 22:28:06
Não veja as coisas do mesmo modo que o CIMI, sim a exposição e conhecimento tido pelo cacique por ter virado famoso por uns dias, viajado, conhecido coisas que nunca imaginava, isso sim vira a cabeça da pessoa, mas o fato de parte da aldeia ter invadido uma fazenda e ter sido expulsa de lá e ficado 4 anos na beira da estrada, isso foi devido à vontade do índio, de não ser mais índio, quando eles veem a nossa vida boa com agua encanada, luz, carro, escola, o índio quer este conforto para ele, haja visto que hoje os índios a cada dia se aproximam mais das cidades e centros urbanos, acho que a saída é acabar com esse negócio de índio e começar a trabalhar, assim como o homem branco faz há centenas de anos.
 
maximiliano nahas em 03/12/2013 17:54:30
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