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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

23/11/2011 10:31

Comitiva de Brasília já está em MS para visita a acampamento indígena

Marta Ferreira e Nadyenka Castro
Policiais federais chegam à sede da Funai em Ponta Porã. (Foto: João Garrigó)Policiais federais chegam à sede da Funai em Ponta Porã. (Foto: João Garrigó)

A comitiva da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República que vai visitar, hoje, os índios do acampamento Guaiviry, na região Sul do Estado, cujo líder, Nisio Gomes, de 59 anos, está desaparecido desde sexta-feira passada. A Polícia Federal está investigando um ataque aos índios por pistoleiros que, segundo relato da comunidade, executou Nisio e levou o corpo na caçamba de uma camionete.

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Vieram de Brasília o secretário-executivo da SDH, Ramaís de Castro Silva, o ouvidor nacional dos Direitos Humanos, Domingos da Silveira, a coordenadora-geral de Proteção a Defensores de Direitos Humanos da SDH, Clarissa Jokowski, e técnicos da pasta.

Neste momento, eles estão reunidos na sede da (Fundação Nacional do Índio), em Ponta Porã, com superintendente da Polícia Federal no Estado, Edgar Paulo Marcon, e representantes da Fundação. De lá, saem no começo da tarde para o acampamento, que fica entre as cidades de Aral Moreira e Amambai.

O objetivo da visita, segundo Ramaís afirmou ontem, é fazer um reconhecimento da situação na região, ouvir as lideranças indígenas e acompanhar as investigações sobre o caso para evitar que novas ocorrências semelhantes na região.




Conferência dos Religiosos do Brasil
REGIONAL CAMPO GRANDE


CARTA ABERTA

Queridas Irmãs e Queridos Irmãos,

A força da loucura de Deus, que nos chamou para confundir o mundo, nos mantenha sempre firmes!

Como gostaria que esta carta fosse de boas notícias, mas infelizmente não é. A CRB Regional Campo Grande, por este meio está manifestando a indignação da Vida Religiosa do Mato Grosso do Sul pela banalização da vida em nosso estado.
A CRB MS nos últimos anos em suas assembleias e manifestações vem ouvindo os gritos dilacerantes dos povos indígenas, espezinhados em sua dignidade de humanos, filhos do mesmo Deus, a quem consagramos toda a nossa existência, silenciosamente estão sofrendo uma tentativa de genocídio. Não se pode calar diante de tanta atrocidade contra vidas, que simplesmente lutam para reaverem o que é seu e que a própria justiça já determinou, a demarcação das suas terras. Desta vez as vítimas são de Amambai, pistoleiros encapuzados dispararam contra cerca de 520 indígenas, tinham roupas com detalhes que lembravam militares. E, pasmem, uma das caminhonetes possuía chapa branca. Esta ação truculenta resultou no assassinato do Líder Nisio Gomes, da etnia Guarani-Kaiowá do Tekora Guaiviry, executado com tiros de calibre 12, que lhe atingiram o peito e a cabeça, disparados pelo grupo de encapuzados de matadores, que configura a formação de uma milícia paramilitar. Além do assassinato de Nisio, o mesmo grupo perseguiu com disparos contra três jovens, de nomes Jonitas Velasques, Mauro Martins e Jaisi Brites.
Somos seguidores/as de um “revolucionário”, que pagou com a própria vida o preço da sua ousadia, coragem, atrevimento e profecia. “Nenhum profeta morre na própria cama”, mas enquanto os/as chamados/as ao exercício da profecia por vocação dormimos em berços esplêndidos no aconchego de nossas fraternidades/comunidades, cúrias, residências paroquiais, em nossa área de missão pastoral, a vida, indefesa, sem voz está sendo ceifada.
Seja nas aldeias ou nos acampamentos, os povos indígenas não têm paz. Há uma perseguição ferrenha e incessante, com tom de patologia. Uma grande parte da Igreja se cala, a maior parte dos MCS, atrelada ao poder do latifúndio emudece, a justiça e a polícia se fazem de surdas, os políticos, financiados pelo agronegócio fazem-se de cegos ao sangue derramado de homens, mulheres, jovens e crianças, que simplesmente sonham com dias melhores.
A CRB não pode e nem deve calar diante desta barbárie. Por isso nos unimos a todas as instituições do Mato grosso do Sul para gritar: BASTA! Chega de violência! Somos pela vida e por isso como Vida Religiosa Consagrada, estamos apelando a quem de direito e dever, que sejam tomadas providências imediatamente não só por Amambai, mas por todas as situações de descasos e atentados contra a vida dos povos indígenas. Que as autoridades competentes assumam suas responsabilidades em acelerarem o processo da demarcação das terras indígenas. E aos irmãos fazendeiros, não precisam acreditar em Deus, mas que sejam dignos de serem chamados de humanos.
A CRB, a loucura que Deus escolheu para confundir este mundo tão bonito, não quer carregar na consciência o valor infinito de mais este sangue derramado em Amambai. Enquanto houver voz, continuaremos a fazer-nos ouvir.
Solução já!


Campo Grande, 19 de Novembro de 2011.


Ir. Silvio da Silva - Presidente
 
Ir. Silvio da Silva - CRB MS em 23/11/2011 11:20:01
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