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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

15/06/2014 07:24

Em Jaraguari, cubanos cativam pacientes, mas fogem de entrevistas

Caroline Maldonado
Raquel diz que os médicos cubanos olham no olho do paciente e ouvem com paciência (Foto: Marcelo Victor)Raquel diz que os médicos cubanos olham no olho do paciente e ouvem com paciência (Foto: Marcelo Victor)
Arlete afirma que os médicos têm dificuldade em entender o Português, mas são esforçados (Foto: Marcelo Victor)Arlete afirma que os médicos têm dificuldade em entender o Português, mas são esforçados (Foto: Marcelo Victor)

No dia a dia, os médicos cubanos são reservados. Mas dentro do consultório, têm uma relação próxima com os pacientes. É o que garantem os moradores de Jaraguari e a direção da UESF (Unidade de Estratégia de Saúde da Família) do município distante 44 quilômetros de Campo Grande. Os clínicos gerais cubanos, Karelia Collado, 35 anos, e Júlio Enrique Infantes, 40 anos, já conquistaram a preferência das famílias da zona rural.

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“Eles olham no olho da gente”, diz Raquel Alves, 36 anos, que mora em uma fazenda próxima ao município. Esse é o detalhe no atendimento dos cubanos, relatado por todos os pacientes, entrevistados pelos Campo Grande News, que aguardavam atendimento na sexta-feira (13). Raquel, que cuida de uma horta na fazenda, afirma que não se importa com a polêmica gerada com a vinda dos estrangeiros ao Brasil. “Acho injusto falarem mal deles, porque os médicos brasileiros quase sempre nem olham no rosto da gente, então eu acho que deveria até vir mais médicos para cá”, argumenta.

A satisfação dos moradores já chegou até aos ouvidos do farmacêutico da drogaria da cidade. “No começo, muita gente ficou com o pé atrás, mas depois que viram a qualidade do serviço dos cubanos, eles só fazem elogios”, conta o proprietário da Drogaria Multifarma, Theucir Arantes. A diretora da UESF, Adrieli Arantes, relata que muitas pessoas chegam e já perguntam se podem ser atendidos pela doutora Karelia. “Eles são muito tímidos e tem um pouco de dificuldade para compreender o português ainda, mas são muito esforçados e fazem um excelente trabalho”, afirma.

A diretora explica que a maioria dos médicos não quer fazer somente o atendimento básico na cidade, tampouco morar lá. Geralmente, os médicos preferem fazer apenas plantões, porque assim a remuneração é melhor. Esse é outro motivo para os cubanos serem tão queridos pela população, pois de acordo com Adrieli, eles estão sempre com um sorriso no rosto e não reclamam do trabalho, que não inclui plantões, apenas o atendimento básico, previsto nos contratos.

Os cubanos também fazem visitas aos pacientes nas zonas rurais. A simplicidade com a qual abordam os pacientes é outro aspecto do bom atendimento, destacado pela professora Arlete Gomes. “A única coisa que dificulta é que temos que falar bem devagar para eles entenderem, mas eles estão se esforçando”, diz a professora.

Os estrangeiros trabalham oito horas por dia durante a semana, exceto em um dia, no qual fazem aula de pós-graduação em Saúde da Família. Nesse dia de folga, também aproveitam para estudar o idioma em um curso online, de acordo com a diretora da unidade de saúde. “Eles sempre comentam com a gente sobre os exercícios de português e pedem alguma ajuda”, conta Adrieli.

Na fila da consulta, pacientes preferem os médicos cubanos (Foto: Marcelo Victor)Na fila da consulta, pacientes preferem os médicos cubanos (Foto: Marcelo Victor)
A diretora da unidade e a enfermeira contam que os médicos são tímidos, mas aceitam os convites para se reunir com os colegas de trabalho nos finais de semana (Foto: Marcelo Victor)A diretora da unidade e a enfermeira contam que os médicos são tímidos, mas aceitam os convites para se reunir com os colegas de trabalho nos finais de semana (Foto: Marcelo Victor)

Interação – Os médicos moram em duas residências cedidas pelo município. Karelia chegou em dezembro e Júlio, no início desse mês. Os vizinhos contam que não vêm muito movimento nas casas e ainda não tiveram tempo para conhecer os estrangeiros melhor, mas dizem que os médicos cumprimentam quando estão saindo ou chegando do trabalho.

Para interagir com os cubanos, os colegas da unidade de saúde tratam de convidá-los para alguns programas de final de semana. “Fomos para Campo Grande no sábado passado e eles adoraram a cidade. O que mais gostaram foi de fazer compras, eles aproveitaram”, conta a enfermeira, Viviane Albuquerque. Na Capital, o almoço foi na casa do farmacêutico Luiz de Oliveira. “A doutora Karelia não aceitou o convite da primeira vez, mas agora que o outro cubano chegou, ela está menos tímida”, afirma Luiz.

Os contratos dos estrangeiros tem diversas diferenças em relação aos dos servidores brasileiros, portanto a todo momento eles se preocupam com o que podem e o que não podem fazer, de acordo com Adrieli. A diretora da unidade concedeu entrevista à reportagem e permitiu que médicos e funcionários fossem entrevistados.

A Secretária Municipal de Saúde de Jaraguari também autorizou o trabalho da reportagem, mas os médicos Karelia e Júlio preferiram não dar entrevistas ou ser fotografados, para não infringir normas dos contratos de trabalho. O Campo Grande News entrou em contato, por telefone, com um dos coordenadores do trabalho dos médicos cubanos, Dinaci Ramos, que encaminhou a solicitação de autorização para entrevistar os estrangeiros à Organização Pan-Americana de Saúde, que não respondeu, até então.




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