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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

16/10/2014 16:14

Endividado, vereador tinha como "meta" faturar até R$ 40 mil por mês

Helio de Freitas, de Dourados
Ao lado da mulher, que também está presa, Cicinho do PT é conduzido por agentes federais (Foto: Eliel Oliveira)Ao lado da mulher, que também está presa, Cicinho do PT é conduzido por agentes federais (Foto: Eliel Oliveira)

O vereador Cícero dos Santos, o Cicinho do PT, preso desde o dia 8 deste mês acusado de comandar um esquema de corrupção na Câmara de Naviraí, cidade a 366 km de Campo Grande, tinha como meta faturar “de R$ 35 mil a R$ 40 mil” por mês através do esquema que envolvia também outros vereadores, empresários da cidade e assessores do Legislativo. Afastado do cargo e suspenso pelo Partido dos Trabalhadores, ele é um dos dez acusados que estão presos – nove em presídios e um, o vereador e advogado Marcus Douglas Miranda (PMN), em “prisão domiciliar” desde ontem à noite.

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Transcrições das escutas feitas pela Polícia Federal com autorização da Justiça, as quais o Campo Grande News teve acesso, mostram a ganância de Cícero dos Santos em ganhar dinheiro. Ele ainda justifica os atos, afirmando que não tem casa para morar e que vivia endividado. Alguns trechos transcritos possuem erros de português, pois a PF faz a transcrição literal da conversa.

Ao conversar com um homem não identificado pela PF, Cícero o orienta para fazer uma licitação com uma gráfica, no valor de R$ 200 mil para o ano todo. “Vamos acertar com o cara para ganhar dinheiro, entendeu? Ver se o cara devolve 20%, aquela cota, entendeu?”. A pessoa não identificada afirma que já estava negociando com a gráfica “daquele deputado que era do meio ambiente”. A PF não revela detalhes de quem seria o deputado.

“Tenho que fazer 30 e poucos mil reais por mês aqui dentro. É a regra, 10% 440 (supostamente o valor médio do duodécimo que a Câmara recebe todo mês do Executivo). Meu salário, as diárias, verba e as devolução, tem que tirar 10% em cima disso aí, de 35 a 40 mil, tem que ter regra, então fica ciente aí”, diz o vereador a uma pessoa não identificada.

Em conversa com uma pessoa citada no relatório apenas como Vanderlei, Cícero dos Santos comenta sobre a propina que pediu para aprovar projetos na Câmara. “Tem dois projetos ‘bomba’ que eu articulei que vão entrar esta semana, que vai entrar uns 7 pau para cada um, pra cada um dos cara que está comigo. Vai entrar esta semana, na hora que entrar eu chamo os cara. O certo é estar junto no grupo dos sete, aí pra ganhar mais dinheiro pra chegar em dezembro ai cada um de nós ganhou uns 50, 60 contos se puder”.

Também em conversa com Vanderlei, Cícero fala de dois projetos que teria acertado com um tal Léo. “Tem dois projetos, eu fui lá no Léo, coisa boa mesmo, coisa boa, quer entrar?”. Vanderlei pergunta: “coisa útil? Porque a coisa não está fácil não”. Cícero responde: “Sete para cada. De 7 a 10 conto. eu pedi 70 pro cara, podia arrumar os 70 pau, adiantado”. Nesta semana o prefeito Léo Mattos (PV) afirmou ao Campo Grande News que não tinha conhecimento da corrupção existente na Câmara e negou fazer pagamento em troca da aprovação de projetos de lei. "Nesse suposto esquema o Executivo figura como vítima”, afirmou.

Cícero dos Santos deixa claro na conversa que o esquema de corrupção servia também para ajudar a bancar despesas da própria Câmara de Vereadores, como pagamento a meios de comunicação e o 13º salário dos servidores. “É 30 mil de imprensa, tira quase 20% da agência, 6 mil, 24, não tem como pagar a imprensa, senão os caras caem de pau em cima de mim. Eu tinha um programa ‘assistenciário’, que não pode mexer, então eu não sabia como conciliar, pra mim foi uma surpresa, porque em janeiro veio 408. Mas desta forma agora vai dar pra pagar...nosso auxiliar, nosso sistema...do jeito que vem...e vai dar pra lidar com a imprensa tranquilo e eu ia fazer economia com 13º”.

Endividado – As gravações da Polícia Federal revelam detalhes do esquema montado por Cícero dos Santos para ganhar dinheiro. Ao conversar com uma pessoa identificada como “Espingarda”, o vereador fala de um ultimato que deu para receber R$ 50 mil: “agora eu dei o ultimato, essa semana eu preciso de 50 mil, se vira, se quiser dar cheque pré-datado, me dá cheque eu troco né? Eu vou no Pineca, eu troco, eu vou no Fabinho eu troco, esta semana eu preciso, eu não aguento mais cobrança, o que eu tinha eu vendi, eu não tenho mais nada, com exceção deste carro que está aí, que eu estou andando com ele, que é uma negociação com o Léo, que também não vai adiante, porque estou vendo que ele não vai cumprir comigo o que tratou comigo em dezembro, eu não sei o que vai virar”.

Ao conversar com Marcus Douglas Miranda, Cícero dos Santos reclama das dívidas que tem e diz que se não estivesse endividado não aceitaria mixaria qualquer. “Acha que eu devia estar aqui? Se eu não tivesse dívida e uma casa para pagar, eu fazia qualquer coisa,. eu não sou cara de mixaria também não. Você acha que eu sou homem de ficar pedindo três continhos?”.




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