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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

20/10/2015 20:30

Exército cria barreiras e clima é tenso nas fazendas de Antônio João

Renata Volpe Haddad e Helio de Freitas, enviado especial a Antônio João
Exército criou uma barreira na entrada das quatro fazendas ocupadas por indígenas da etnia guarani-kaiowá. (Foto: Eliel Oliveira)Exército criou uma barreira na entrada das quatro fazendas ocupadas por indígenas da etnia guarani-kaiowá. (Foto: Eliel Oliveira)

O Exército criou barreiras na entrada das quatro fazendas ocupadas por indígenas da etnia guarani-kaiowá em Antônio João, distante 279 km de Campo Grande, localizadas na área Ñande Ru Marangatu. Nas áreas ocupadas, permanecem cerca de 50 indígenas e o clima é de tensão no local.

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Porém, a indígena Leni Aquino, que está na sede, contou ao Campo Grande News que não há como enfrentar a polícia. "Não temos armas, nosso grupo é pequeno, vamos conversar com a polícia e esperamos ainda hoje pela suspensão da reintegração de posse do STF", comentou.

Os procuradores Marco Antônio Delfino, de Dourados e Ricardo Pael Ardenghi, de Ponta Porã, estiveram na tarde desta terça-feira (20) nas áreas ocupadas conversando com os indígenas, sobre a possibilidade de sair a decisão da liminar do STF (Supremo Tribunal Federal) ainda hoje.

Leni disse ainda que os indígenas estão lutando pelo futuro das crianças. "Não sei mais o que o STF queria que a gente esperasse. Em 2005 a terra foi demarcada e homologada como nossa. Demos o tempo necessário para o supremo tomar uma decisão e foram 10 anos. Lutamos pelo futuro das nossas crianças", afirmou.

A indígena alega que se tiverem que sair das fazendas, podem acampar na rodovia. "No Campestre não tem mais espaço. Se a gente tiver que sair, podemos até ir para o asfalto", afirmou.

Ela também defende o pagamento de indenização pelas terras aos fazendeiros como forma de facilitar a demarcação. "Não somos bandidos, estamos lutando pelo que é nosso de direito. Nossa área já foi demarcada", disse.

Próximo a um mato burro que fica na área, alguns índios estão armados com arco e flecha e visivelmente descontrolados. O indígena Ramão Martins, que está no bloqueio, afirma que não vão sair do local. "Essas terras sempre foram nossas. Quando o Pio Silva chegou aqui, ele começou a plantar em um local e outro e não deixava a gente colher, quando percebemos, fomos perdendo as terras aos poucos", alega.

A indígena Leni Aquino, conta que não há como enfrentar a polícia. (Foto: Eliel Oliveira)A indígena Leni Aquino, conta que não há como enfrentar a polícia. (Foto: Eliel Oliveira)

Ocupação - Os índios voltaram a ocupar as áreas em agosto deste ano, uma década depois de serem despejados por ordem da Justiça. Eles reivindicam a homologação do território Ñanderu Marangatu, de 9.300 hectares.

As terras chegaram a ser demarcadas e homologadas em 2010, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas uma liminar do STF suspendeu a posse pelos índios. Até agora a Corte não julgou o caso em definitivo.

Alguns indígenas estão armados com arco e flecha afirmando que não vão sair do local. (Foto: Eliel Oliveira)Alguns indígenas estão armados com arco e flecha afirmando que não vão sair do local. (Foto: Eliel Oliveira)

Na página do Facebook Aty Guassu, foi publicado um texto nesta tarde, falando que os indígenas vão resistir e lutar pela terra sagrada. Confira um trecho da publicação: Mais pela nossas terras sagradas, vamos resistir e lutar, pois ela é a nossa mãe e uma mãe nunca se abandona haja o que houver, a nossa terra é a nossa vida, sem ela não existe vida para nós e não vale a pena viver longe dela.

Já fomos expulsos várias vezes dela, já fomos obrigados a viver longe dela, mas agora não vamos mais ser expulsos, já retomamos já estamos nela e não vamos sair e ninguém irá nos expulsar mais. Não temos armas como os os policiais, mas a nossa arma é a nossa reza e nosso escudo é o nosso próprio corpo. Vamos resistir, não vamos recuar, vamos permanecer firme e fortes nesse nosso tekoha a espera desses policiais.

Sabemos que vamos morrer, mas vamos morrer lutando e resistindo pelo nosso tekoha, estamos prontos pra sermos mortos juntos com as nossas crianças, mulheres, jovens e idosos. Sempre fomos um povo estrangeiro no nosso próprio território, no nosso próprio país.




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