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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

22/10/2014 11:50

Homem preso por pedofilia também vai responder por estupro de vulnerável

Helio de Freitas, de Dourados
Entre as vítimas de Jeferson Porto da Silva estariam pelo menos dois garotos que na época dos crimes tinham 12 anos de idade (Foto: Eliel Oliveira)Entre as vítimas de Jeferson Porto da Silva estariam pelo menos dois garotos que na época dos crimes tinham 12 anos de idade (Foto: Eliel Oliveira)

O servidor público Jeferson Porto da Silva, 33, preso domingo em Dourados, a 233 km de Campo Grande, acusado de aliciar adolescentes e pagar para que fizessem sexo com ele, também vai responder por estupro de vulnerável após a polícia descobrir entre as vítimas um menino menor de 14 anos. Até agora, dos 20 adolescentes localizados, todos tinham de 14 a 16 anos, o que não configura o crime de estupro de vulnerável.

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Com prisão preventiva decretada pelo juiz César de Souza Lima após dois meses de investigação da Polícia Civil, Jeferson já estava sendo acusado de favorecimento à prostituição, pedofilia prevista no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), crime de perigo de contágio de moléstia grave (ele é soropositivo) e falsificação de documento, por apresentar um exame falso para atestar que não tinha doença sexualmente transmissível. Agora será indiciado por mais esse crime.

A delegada responsável pelo caso, Marina Lemos, informou ao Campo Grande News que um garoto abusado por Jeferson quando tinha 12 anos, no início de 2013, já procurou o 1º Distrito Policial acompanhado da mãe e contou que foi ao encontro com um amigo, também com 12 anos na época, mas esse segundo menino ainda não prestou depoimento. “Mais cedo ou mais tarde ia aparecer, porque o Jeferson não fazia diferença de idade”, afirmou.

Segundo a policial, usando o nome verdadeiro (ele mantinha também um perfil falso em rede social, com nome de mulher), Jeferson fez contato com o garoto através do Facebook dizendo que ia apresentar umas amigas, mas antes o garoto tinha que sair com ele. “Interessados nas meninas, os garotos toparam sair com ele. Na época a mãe do menino que nos procurou viu as mensagens no Face, tentou fazer uma denúncia anônima, conversou com o filho e acabou desistindo. Agora ela nos procurou e confirmou a história toda”, contou a delegada.

Marina Lemos informou também que dois garotos já fizeram exame de sangue voluntariamente e o resultado deu negativo para o teste de HIV. Jeferson confessou que mantinha relações sexuais com a maioria dos adolescentes sem que eles usassem camisinha. Segundo ele, os próprios garotos não faziam questão de usar e apenas alguns pediam para ver o exame que ele tinha falsificado.

Todos que já foram ouvidos confirmam terem recebido dinheiro de Jeferson, que pagava de R$ 30 a R$ 50 a cada encontro. A polícia suspeita que ele tenha aliciado mais de 200 meninos nos últimos três anos. O servidor estava sendo investigado desde o início de agosto, depois que a mãe de um adolescente encontrou conversas do menor com o acusado numa rede social e procurou a polícia.

Homossexual assumido, Jeferson também mantinha relações com homens adultos e alguns casados. Ele tinha dois perfis no Facebook, um se passando por “Jéssica Alessandra”, que ele usava para atrair os adolescentes, e outro com seu nome verdadeiro, através do qual ele se comunicava com homens adultos. Ele está recolhido em uma cela isolada do 1º Distrito Policial, mas será levado para a Phac (Penitenciária de Segurança Máxima Harry Amorin Costa) ainda nesta semana.

A defesa de Jeferson divulgou nota na segunda-feira afirmando serem inverídicas as acusações feitas pela Polícia Civil. A advogada Sebastiana Roque Ribeiro informou que seu cliente está em tratamento médico ambulatorial por ter, segundo ela, sofrido abuso sexual na infância “e desde então se submete a rigoroso tratamento clínico-psicológico”. A delegada Marina disse estranhar as declarações da advogada. “Ela estava presente no interrogatório e presenciou ele confirmando e confessando que mantinha relação com esses meninos por dinheiro. Ela estava lá no interrogatório dele”.

Nesta quarta-feira, o secretário municipal de Administração João Azambuja informou através de nota oficial que determinou a abertura de uma sindicância para apurar se em algum momento Jeferson Porto da Silva utilizou a estrutura de seu local de trabalho para a prática de crimes. “Caso haja qualquer indício neste sentido a sindicância será transformada em processo”.

Ainda conforme o secretário, Jeferson não foi alvo de nenhuma investigação ou procedimento administrativo anteriormente e que a única irregularidade cometida por ele como servidor foi em relação a um documento, “geralmente é comum em órgão público, o que gerou apenas advertência”.




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