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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

04/07/2011 16:53

Índio atropelado por 2 ônibus morreu como o pai na luta por terra, alerta MPF

Angela Kempfer
Índios foram obrigados a acampar perto de rodovia, depois de despejo. (Foto: MPF)Índios foram obrigados a acampar perto de rodovia, depois de despejo. (Foto: MPF)

O Ministério Público Federal avalia que o atropelamento e morte do jovem indígena Sidney Cario de Souza, de 26 anos, é consequência da demora na demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul.

O rapaz foi o segundo a morrer da mesma forma na família, durante luta por área hoje ocupada pela fazenda Serrano, na região sul do Estado.

Primeiro foi o pai, o líder guarani kaiowá Cário de Souza, atropelado em 1999, quando seguia para acampamento as margens da BR-262, depois de ser expulso com a comunidade indígena da fazenda Serrano, reivindicada pelos índios como Tekohá Jukeri'y.

Na época, Sidney tinha 14 anos. Depois da morte do pai, o filho encampou a mesma luta e novamente foi despejado da área em 2009 e acabou também em acampamento perto de rodovia.

Na terça-feira passada, foi atropelado próximo ao local onde vivia, na região conhecida como Curral do Arame, a sete quilômetros de Dourados.

Ele andava a pé e foi atingido pelo ônibus que o jogo na pista onde foi atropelado pelo segundo veículo. Pai de 5 crianças, Sidney seguia a noite para encontrar uma das filhas que voltava de Dourados.

“Sem ter para onde ir, milhares de indígenas de diversas etnias transformaram a beira de rodovias em moradia permanente, com todos os riscos inerentes a esta situação. Sobrevivem apenas com a cesta básica da Funai e seguem um roteiro de morte anunciada, quer pelos efeitos da precariedade das condições de vida, quer pela violência direta”, avalia o MPF.

Da morte de Cario até o atropelamento de Sidney, houve duas tentativas de retomada da área, “ambas frustradas, sempre com o retorno ao acampamento, no qual cerca de 60 famílias sobrevivem hoje em precárias condições. Não há água potável, nem qualquer fonte de alimento. Eles dependem unicamente das cestas básicas fornecidas pela Funai. O governo do estado não presta assistência a índios acampados”, relata o MPF.

“Embora a Constituição Federal de 1988 tenha estipulado prazo de cinco anos para que a demarcação ocorresse, até hoje a maioria dos índios do Estado vive em acampamentos na beira de estradas ou dividindo pequenas reservas, que não comportam atividades econômicas nem permitem a manutenção de sua cultura”, reforça o Ministério Público.

Em 2009, ao pedir a anulação da reintegração de posse da Serrano, o MPF ressaltou que os índios instalados foram forçados a montar acampamento em barrancos na rodovia BR 463, sujeitos a morte por atropelamento.

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A verdade é que os índios são vítimas daqueles que se apregoam seus maiores defensores.
Mais uma vez a imprensa e o MPF insinunando que a situação é responsabilidade dos proprietários rurais, ou, no mínimo, fruto da ocupação de terras indigenas.
Terras são o último problema com os quais esses pobres índios deveriam se preocupar, pois, evidentemente, não resolverá o problema a colocação destes índios dentro de uma enorme reserva sem que haja um forte trabalho de educação e capacitação destes índios para o trabalho.
Infelizmente praticamos uma política indigenista falida, que ao defender que os índios devem viver da caça e da pesca, está fadada ao insucesso e jogando para o atraso e para a miséria todos esses pobres índios.
O MPF, ao invés de se tornar o inimigo número 1 dos produtores para assim tentar se afirmar como o paladino do cocar, deveria era promover o debate e a fiscalização sobre a política indigenista, ou alguém realmente acha que índio ainda faz fogo sem fósforo, anda pelado e vive da caça?
Deveríamos dar educação e capacitação aos nossos índigenas, incentivando-os a se desenvolver e progredir dentro da sociedade, pois, ao contrário do que parecem acreditar os membros da FUNAI, CIMI, MPF e etc, Índio também é gente.
 
Carlos Humberto em 05/07/2011 08:55:15
Que coisa! Será que vão deixar nossos indios morrerem de fome?
Falta de humanidade, os indios precisam de terras,para poder plantar e sustentar suas família.
Até quando vai ficar esta demora da demarcação das terras?
Os indios são sêres humanos como nós, e como tal devem ser tratados.
Que seja feita a justiça, e que os indios possam ter suas terras de volta.
 
Maria Helena em 04/07/2011 06:42:39
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