A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

24/03/2015 17:09

Obra inacabada compromete saúde de índios, denuncia vereadora

Virgínia Magrini denunciou ao MP falta de estrutura para atendimento de médicos e odontólogos na aldeia Panambizinho

Helio de Freitas, de Dourados
Vereadora mostra equipamento de atendimento odontológico sem uso em sala inacabada (Foto: Divulgação)Vereadora mostra equipamento de atendimento odontológico sem uso em sala inacabada (Foto: Divulgação)

A falta de estrutura do posto de saúde da aldeia Panambizinho, no distrito de Panambi, em Dourados, está comprometendo o atendimento médico e odontológico aos índios daquela comunidade, denunciou nesta terça-feira a vereadora Virgínia Magrini (PP). Através da assessoria, a vereadora informou que denunciou o caso ao MPF (Ministério Público Federal) e ao Ministério Público Estadual.

Veja Mais
TRF suspende reintegração de área ocupada por índios guarani
Presidente do STF suspende despejo de índios da comunidade Kurusu Ambá

Segundo Virgínia, há dois anos os índios do Panambizinho recebem atendimento médico em meio aos entulhos e obras inacabadas. A infraestrutura básica do local deveria ter sido entregue em 2013 e custou aos cofres públicos mais de R$ 182 mil do Fundo Municipal de Saúde. “O atendimento é realizado em salas sem água, energia, portas, janelas, móveis e, principalmente, sem banheiro. Quando é necessário, pacientes e profissionais usam a vegetação ou utilizam o banheiro de casas vizinhas”, afirma ela por meio da assessoria.

Sem água – Conforme a assessoria de Virgínia, o dentista Hermes Hespanhol atende os índios em um veículo cedido pela Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) de forma improvisada e precária. “Estamos aqui diariamente há alguns anos. O ‘Brasil Sorridente Móvel’ de alguma forma, ajuda, mas não basta. O veículo foi disponibilizado em 2012, mas poderia estar auxiliando outro profissional em assentamentos. Só consigo tratar urgência básica. É uma pena que todo nosso material instrumental esteja guardado em sacolas e deixadas ao chão. Não posso desenvolver programas com as crianças, como flúor ou escovação aqui no posto. A água que uso para trabalhar e beber, trago de casa”, disse Hespanhol.

Ainda de acordo com a vereadora, o programa Hiperdia, que faz atendimento semanalmente nas unidades básicas de saúde a diabéticos e hipertensos, não estaria sendo colocado em prática na aldeia, assim como acompanhamento de pré-natal, controle de tuberculose e saúde mental.

O clínico geral Maurício Baena afirmou, também através da assessoria de Virgínia Magrini, que o atendimento do profissional ainda está sendo realizado. “Aqui contamos com uma enfermeira, um nutricionista e um dentista. Estamos diariamente tentando ajudar esse povo, que vem até o local porque precisa e temos o dever de ser mais humano. Mas não temos infraestrutura nenhuma. Fazemos coleta de preventivo, por exemplo, em uma sala que improvisamos uma porta e fechamos a janela com papelão. Nem água tem para lavar as mãos entre um atendimento e outro”.

De acordo com o conselheiro de Saúde Indígena Reginaldo Aquino da Silva, garrafas pet e baldes com água são levados diariamente ao posto de saúde para a higienização dos profissionais quando necessário. Ele ainda relatou à vereadora que os animais entram e dormem na unidade de saúde, por falta de portas e janelas.

“No início do ano, pulgas tomaram conta das salas e o atendimento foi suspenso por uma semana”, lembrou Reginaldo. Sem local adequado para funcionar como uma farmácia, os medicamentos estão guardados em arquivos velhos e enferrujados, em uma sala que molha quando chove e podem ser roubados a qualquer momento, afirma Virgínia Magrini.

Prefeitura – O Secretário de Saúde, Sebastião Nogueira, foi procurado pelo Campo Grande News, mas afirmou que sua pasta não é responsável pela execução das obras. Já o secretário de Planejamento, Luis Roberto Martins de Araújo, não foi encontrado para falar sobre o caso.

O Campo Grande News apurou que a construção do posto de saúde está parada porque a empreiteira que venceu a licitação abandonou a obra, o que forçou a prefeitura a fazer outro processo licitatório. A retomada deve ocorrer nas próximas semanas.

Dentista atende moradora da aldeia Panambizinho em veículo por falta de consultório (Foto: Divulgação)Dentista atende moradora da aldeia Panambizinho em veículo por falta de consultório (Foto: Divulgação)



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions