A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

06/05/2014 09:49

Para concorrer com a Bolívia, lojas parcelam e investem em qualidade

Aliny Mary Dias, enviada especial a Corumbá
Comércio de Corumbá precisa apostar em promoções, parcelamento e qualidade para vender  (Foto: Cleber Gellio)Comércio de Corumbá precisa apostar em promoções, parcelamento e qualidade para vender (Foto: Cleber Gellio)

Conquistar novos clientes e manter boa média de vendas não é tarefa fácil para os comerciantes de Corumbá, distante 444 quilômetros da Capital. Tudo em razão da concorrência com o comércio de Puerto Quijarro, cidade boliviana que faz fronteira seca com o Brasil e que pratica preços bem abaixo do mercado brasileiro.

Veja Mais
Vamos fazer grandes parcerias com Dourados, diz Rose Modesto
Em 24 horas, bombeiros retiram três cobras de dentro de residências

Entre os comerciantes da Rua Delamare, a principal do comércio da cidade branca, há um consenso sobre as táticas de venda para os dois tipos de clientes, os moradores da cidade e os turistas que vão até Corumbá para apreciar o Pantanal sul-mato-grossense.

Para aqueles que vivem em Corumbá e já conhecem o comércio do país vizinho, os comerciantes apostam na condição facilitada de pagamento para atrair e fidelizar a clientela. Daiana Nunes, 18 anos, é gerente de uma das lojas que comercializam acessórios e sapatos e afirma que o caminho é parcelar.

“A gente precisa se mexer, geralmente fazemos promoções e oferecemos descontos, mas é no parcelamento que a gente consegue vender. Parcelamos no cartão e quem compra sabe que na Bolívia é tudo à vista”, explica a gerente.

Silvana tem loja há 10 anos e diz que alerta turista sobre qualidade de itens bolivianos (Foto: Cleber Gellio)Silvana tem loja há 10 anos e diz que alerta turista sobre qualidade de itens bolivianos (Foto: Cleber Gellio)

Outro desafio ainda maior é vender os produtos para os turistas. Muitos itens são vendidos na Bolívia pela metade do preço praticado no Brasil e a situação chama a atenção de quem vem de fora. Mas para os comerciantes, o importante é ressaltar a diferença da qualidade de tudo o que está no estoque.

Silvana Rodrigues, 42 anos, tem uma loja de bolsas, mochilas e utilidades domésticas há 10 anos em Corumbá. Ela explica que todos produtos são adquiridos no Brasil, principalmente em São Paulo, e que concorrer com a Bolívia não preocupa mais.

“Antigamente era mais complicado, mas a gente fala para os turistas que aquilo vendido na Bolívia é de péssima qualidade. A gente bate na tecla de que não vale a pena e muitos acabam comprando com a gente, mas tem gente teimosa que compra lá e se arrepende”, ressalta a lojista.

Há sete anos no Brasil e com uma loja de roupas em Corumbá, o marroquino Omar Fares, 54 anos, explica que o público-alvo dele são os moradores da cidade branca e que todo corumbaense já foi até a Bolívia e conhece os produtos vendidos do outro lado da fronteira.

“Eles sabem muito bem que a maioria daquelas roupas fica bastante ruim depois da primeira lavagem. Aqui eu só tenho produto brasileiro e eles sabem que é tudo de qualidade”, explica o comerciante.

Roupas são de qualidade inferior a do Brasil (Foto: Cleber Gellio)Roupas são de qualidade inferior a do Brasil (Foto: Cleber Gellio)
Tênis são vendidos bem abaixo do preço brasileiro (Foto: Cleber Gellio)Tênis são vendidos bem abaixo do preço brasileiro (Foto: Cleber Gellio)

Quanto custa? – Depois de tanta propaganda negativa por parte dos lojistas brasileiros, o Campo Grande News foi até Puerto Quijarro conferir os valores e os produtos. Na cidade, o ponto de comércio é a famosa feirinha, uma espécie de camelódromo campo-grandense.

A variedade de produtos é grande, tem de meias que custam R$ 2 a casacos de couro vendidos a R$ 200. Apesar do preço baixo de muitos itens como os tênis e coturnos, as marcas falsas e a qualidade dos materiais desanimam.

Um par de tênis original da marca Nike vendido a R$ 250 em Corumbá pode ser comprado por R$ 60 na Bolívia, e se o consumidor pedir um desconto, o produto pode sair até por R$ 50. O mesmo acontece com as roupas, carro-chefe da maioria das lojas.

Em uma rápida volta no centro comercial, que conta com mais de 50 boxes, é possível conferir todos os itens vendidos, já que a maioria comercializa os mesmos produtos.

O que leva muitos turistas a cruzar a fronteira são as roupas de frio, principalmente os casacos de couro. Em alguns casos vale mesmo à pena, há jaquetas que no Brasil não são encontradas por menos de R$ 500 e que em Puerto Quijarro pode ser levado para casa por R$ 200. Tudo precisa ser pago à vista e vale a pechincha para que o produto tenha um desconto.

No lado brasileiro, comerciante vendes roupas compradas em São Paulo (Foto: Cleber Gellio)No lado brasileiro, comerciante vendes roupas compradas em São Paulo (Foto: Cleber Gellio)



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions