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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

31/10/2014 08:27

Por mais dinheiro, vereador ameaçava abrir CPI contra prefeito

Helio de Freitas, de Dourados
Escutas da PF revelam que Marcus Douglas, que está em prisão domiciliar, tentava chantagear Léo Mattos com ameaça de investigação na Câmara (Foto: Divulgação)Escutas da PF revelam que Marcus Douglas, que está em prisão domiciliar, tentava chantagear Léo Mattos com ameaça de investigação na Câmara (Foto: Divulgação)

O vereador e advogado Marcus Douglas Miranda, que nesta semana voltou para prisão domiciliar em Naviraí, a 366 km de Campo Grande, era aliado do prefeito Léo Mattos (PV), foi líder dele na Câmara no início do ano passado, mas rompeu com o chefe do Executivo e passou a criticar a administração em discursos na tribuna. Os motivos seriam compromissos não cumpridos por Mattos, inclusive envolvendo dinheiro.

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Escutas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Atenas revelam que Marcus Douglas tramava instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o prefeito. “Vou propor a CPI, acabou a conversa. vou propor aqui a CPI do "Cdzinho", afirma Marcus Douglas.

Relatório das gravações ao qual o Campo Grande News teve acesso mostra vários diálogos do presidente da Câmara Cícero dos Santos, o Cicinho do PT, que também está preso, conversando com Marcus Douglas e com o próprio Léo Mattos sobre o rompimento entre prefeito e vereador.

Em conversa com uma pessoa não identificada, Cícero dos Santos diz que o prefeito tinha mandado obstruir a instalação da CPI: “Então, deixa eu te falar... Falei com Léo na sexta-feira. CPI aqui na casa, duas CPIs. E eu comecei a falar com Léo e o Léo veio para cima de mim, para mim segurar o rojão. Eu disse que ‘Léo, certas coisas você não tem como segurar’, vou apaziguando, jogando água benta, porque senão também me comprometo... Vou conversar com Marcus para a tentativa de não fazer, tentar mais uma vez aproximar o Léo dele, porque ele está passando do limite, ele e o Léo já”.

Pernilongo – Cícero dos Santos compara o prefeito a um pernilongo, que incomoda a noite toda: “O negócio vai ficar muito feio pros dois. Só que o Léo não entende desta forma, vai pra cima do cara. Léo é tipo aquele pernilongo, que você está dormindo e ele fica no seu ouvido ‘zuumm’, você bate e o cara some, e daqui a pouco ele volta, ‘zuumm’. Passa assim a noite inteira, ou seja, você vai perder seu sono, vai desgastar. Vai acontecer assim com o Marcus Douglas. É um cara da situação, financeiramente sossegado, família tradicional da política, você acha que ele vai se intimidar? Primeiro que vereador não cassa vereador aqui na Câmara, ninguém cassa vereador”.

A PF também gravou uma conversa de Cícero dos Santos com Léo Mattos. O assunto era Marcus Douglas. “No diálogo fica evidente um racha entre o vereador Marcus Douglas e o prefeito Leo Mattos. Chama atenção ainda a bondade do prefeito em conseguir emprego para mãe do vereador e o fato do prefeito afirmar que ofereceu pagar o aluguel de Marcus Douglas. Ora, sabe-se que essa autoridade pública ganha como proventos cerca de 12 mil reais mês/bruto, como poderia sobrar dinheiro para custear tais despesas?”, diz trecho do relatório da PF.

“Entre eu e o Marcus Douglas não dá mais. Eu não tenho como confiar em você se você está andando com o cara que quer me f... Se coloca no meu lugar, simplesmente isso que eu te falo”, afirma Léo Mattos. “Se eu me colocasse no seu lugar eu ia resolver o problema do cara”, responde Cicinho.

“Toma juízo” – O prefeito demonstra ter ficado irritado, se despede de Cícero e pede para o vereador “passar lá depois”. Cícero continua tentando convencer Léo Mattos a “acertar” com Marcus Douglas: “Léo, Léo, toma juízo bicho. Refresca a cabeça, toma juízo, senta com o cara, não dá palanque Léo, você é maior que o cara”. Léo Mattos afirma: “ele é um idiota, ele quer dinheiro, eu não vou dar, pronto. Hoje eu tenho um grupo que me defende, eu não posso sacanear os caras”.

Em outro trecho, o prefeito fala dos favores que fez para Marcus Douglas, entre os quais o emprego para a mãe do vereador. “Ele fala que só teve prejuízo com você”, diz Cícero dos Santos. “Mentira dele, o emprego da mãe dele eu arrumei. Todo lugar, ninguém quis saber. O imóvel dele eu ia alugar, ele que não quis”. Cícero retruca: “[Você] mandou a Paulinha embora também”. Léo Mattos: “eu tive um acordo de colocar ela numa gerência de núcleo, e eu botei. O acordo era para dar um carguinho de mil e duzentos”.

Para tentar convencer o prefeito a fazes as pazes com o antigo aliado e atual desafeto, Cícero dos Santos sugere abrir mão de algum benefício financeiro que recebe do prefeito, para repassar a Marcus Douglas: “Me escuta uma vez só na vida, se você seguir bem. Deixa de dar o meu três meses. Três meses acabou o Marcus Douglas, que tal? Você na sua continua, tem noventa dias para acalmar esse cara”.

Léo se mostra irredutível: “Vamos ver do outro lado. Imagina se ele continuar batendo, eu não acerto nada com ele, e ele continua batendo. Imagina se daqui três meses não deu nada, o que vai acontecer com esse moleque?”. Cícero dos Santos: “mas ele não vai parar, o problema não é que daqui três meses não deu nada, o problema que hoje, deu aqui, amanhã é um negocinho ali”.

Cicinho pede para o prefeito “não mexer” com Marcus Douglas e os dois deixam claro que o esquema de pagamento de diárias fraudulentas já era usado para negociar apoio. Cícero: “mas para que você vai mexer com os vereadores?”. Léo: “não, vai mexer com ele e com que tiver contra”. Cícero: “mas se você mexer com ele, mexe, se você pedir a diária de um, o promotor pede de todos”.

Procurado pelo Campo Grande News no dia 13 de outubro, o prefeito Léo Mattos disse desconhecer o esquema montado pelos vereadores e negou fazer pagamento em troca da aprovação de projetos de lei. "Desconheço isso. Vocês leram errado, estão equivocados. Nesse suposto esquema o Executivo figura como vítima”. Em trecho da representação em que pediu a prisão dos acusados, a Polícia Federal também trata o prefeito como “vítima” do esquema de corrupção.

Marcus Douglas com Léo Mattos (centro) antes do rompimento e com o vereador Adriano José Silvério, também preso (Foto: Divulgação)Marcus Douglas com Léo Mattos (centro) antes do rompimento e com o vereador Adriano José Silvério, também preso (Foto: Divulgação)
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