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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

23/11/2011 19:22

Rezadores de acampamento dizem que Nisio está morto e já se comunicou com eles

Marta Ferreira, da Redação, e Nadyenka Castro, de Ponta Porã

Líder guarani-kaiowá está desaparecido desde sexta-feira passada, quando acampamento foi atacado em Aral Moreira

Tonico Benites, guarani-kaiowá que é mestre em Antropologia e está fazendo doutorado explica porque índios tem certeza da morte de Nisio, que para a Polícia é considerado desaparecido. (Foto: João Garrigó)Tonico Benites, guarani-kaiowá que é mestre em Antropologia e está fazendo doutorado explica porque índios tem certeza da morte de Nisio, que para a Polícia é considerado desaparecido. (Foto: João Garrigó)

Tem relação com a crença religiosa dos índios guarani-kaiowá a certeza deles de que um de seus líderes, Nisio Gomes, de 59 anos, está morto, após o ataque sofrido pelo acampamento onde vivia, na sexta-feira passada, quando o índio desapareceu. É o que explicou hoje, em Ponta Porã, o mestre em Antropologia e doutorando na área Tonico Benites, que é da etnia. Ele acompanhou a visita de uma comitiva da Secretaria dos Direitos Humanos, ligada à presidência da República, ao acampamento nesta tarde.

Quando o episódio se tornou público, os índios relataram que Nisio foi executado pelos pistoleiros na frente deles e o corpo foi levado na caçamba de uma camionete. A apuração da Polícia Federal fez até agora, com base nos depoimentos de índios e não índios, indicam que Nisio foi levado com vida. Ele é considerado, por enquanto, desaparecido.

Tonico explicou ao Campo Grande News* que os rezadores do acampamento, quatro mulheres e oito homens afirmam que Nisio está morto e que já se comunicaram com ele. Dizem mais: que o Nisio, também um rezador, relatou nas comunicações que já “voltou à origem”, definição da cultura indígena para a morte, e que seu corpo está na região.

De acordo com Tonico, na crença espiritual dos guarani-kaiowá, quando um índio morre, sua alma fica “perambulando” e é preciso fazer o ritual de despedida do corpo, para que ela fique “tranquila”.

Como não há um corpo para fazer esse ritual, os rezadores afirmam que a alma de Nísio está perambulando sem essa tranquilidade. Os rezadores também afirma, conforme Tonico, que eles identificam como um espírito do mal, que tomou o corpo de um humano, o autor do crime.

Rezadores do acampamento Guaviray dizem que alma de Nisio está perambulando pela região e é preciso ritual de despedida do corpo para dar tranquilidade. (Foto: João Garrigó)Rezadores do acampamento Guaviray dizem que alma de Nisio está perambulando pela região e é preciso ritual de despedida do corpo para dar tranquilidade. (Foto: João Garrigó)

Na cultura deles, os mortos são temidos e por isso é imperativo fazer o ritual para acalmá-los.

Relação diferente com a terra- Tonico também falou da relação dos índios com a terra, que para muitos provoca estranheza. Para o índio, segundo ele, não serve “qualquer terra” e por isso eles se colocam até em situação de risco e de morte, como a história mostra em razão dos inúmeros conflitos e casos de assassinatos de líderes já registrados.

“O índio acredita que tem que morrer na terra deles, que é de onde vieram os ancestrais”

Sobre os conflitos envolvendo terras reivindicadas como indígenas na região, Tonico afirmou que na década de 1970, havia certa harmonia na convivência entre índios e fazendeiros na região. “Na década de 80, eles foram retirados de suas terras e depois, em 2000, quando decidiram voltar e retomar as áreas, começou a destruição”.

Para o índio, segundo a explicação de Tonico Benites, é uma afronta o fato de a região ter sido tomada pela agricultura, com a plantação de soja. Explica que eles veem a terra quase como um ser vivo, que deve ser repeitado e não explorado. Na vivência do índio, explicou,as comunidades ficam em uma área pelo tempo que a consideram “viva” e depois mudam de lugar.




Sim, Anderson Clemente dos Santos: "índio com óculos de sol"!
Você é de qual etnia? Portuguesa, espanhola, francesa, italiana, alemã, japonesa, árabe?
Qual a sua etnia, Anderson? "Brasileira"?
Um mestre em Antropologia não pode usar óculo de sol, Anderson? Você seria capaz de desenvolver meia hora de conversa sobre Antropologia com esse senhor?
 
Carlos Cordeiro em 28/11/2011 11:46:33
Antigamente se tinha paz no campo pois não se tinha influencias de missoes religiosas e muito menos de ongs, agora que fizeram a cabeça deles estão partindo para a expansão do territorio, e o pior jogam a população contra eles.
 
Lucas Allan em 28/11/2011 05:03:55
É uma beleza então quer dizer que depois de considerarem a terra morta, eles vão pra outro lugar invadir? Não deixo de pensar em como será otimo e produtivo se ocorrer o mesmo que ocorreu em Roraima onde mais da metade do estado e terra indigena, ai vamos comer o que? Ou sera que não precisamos de terra para plantar nada....
 
Leandro Amaral em 28/11/2011 04:59:43
Ler estes comentários... dá tristeza ver como é grande a discriminação com o ser humano, a falta de compaixão com a dor do próximo. Eles são índios sim, mas acima de tudo são humanos, como qualquer um de nós. Isso tudo por que eles tem uma cultura diferente da nossa? Não merecem respeito? Já é hora de repensarmos os nossos valores, como ser humano e nos colocarmos no lugar do outro.
 
Marcia Magali em 26/11/2011 06:37:58
Pois é...
Rezadores, índios, com cruzes no local do "ritual"?
E mais: "índio" com doutorado e óculos de sol?
Índio no Brasil só alguns perdidos no meio da Amazônia. O resto é gente querendo mamata. Agora, trabalhar que é bom...
 
Anderson Clemente dos Santos em 24/11/2011 10:43:37
"Povos indigenas", possuem até um "Parque das Naçoes Indígenas", em área nobre da Capital, mas não possuem terras demarcadas. Autoridades e cabeças pensantes de MS e Brasí, à mesa de negociações para solução dos casos, sem paixões. Indenize-se à quem de direito, dêem a eles terra para trabalhar e viver com dignidade, sem mendincância, sem subsídios e subvenções. Depois, depois fechem a Funai, etc.
 
silvio pedro em 24/11/2011 10:20:42
Triste comentário esse seu, hein Tiago?!
Provavelmente a sua religião seja a certa e todas as outras estejam erradas. Por falar nisso, qual é? Também quero ser salvo.
 
Guaraci Mendes da Silva em 24/11/2011 10:13:30
Bom, falar que é mentira não pode né... tem pessoas que tomam o santo daime e dizem que falam com o Rei Salomão... o índio então é fichinha!!!!!!! três tapinhas no cachimbo da paz e falam com os mortos da tribo inteira!
 
Tiago Pereira Ramos em 24/11/2011 09:05:32
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