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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

29/08/2011 21:27

Sete armas foram apreendidas em ação da PF na aldeia Buriti

Vinícius Squinelo

Polícia Federal também prendeu líderes indígenas, que devem ser encaminhados para o Presídio de Trânsito

Quatro revólveres, calibres 38 e 22, e três espingardas foram apreendidas durante ação da Polícia Federal na aldeia Buriti, em Sidrolândia, na manhã desta segunda-feira.

Durante a operação foram presos seis líderes. Eles foram encaminhados, primeiro, para a sede da PF em Campo Grande e, depois, para o Presídio de Trânsito da Capital. A prisão temporária é válida por cinco dias. Segundo a Polícia foi instaurado inquérito para apurar crimes de ameaça, cárcere privado, posse e porte ilegal de arma de fogo.

Além da equipe da PF, o Cigcoe (Companhia Independente de Gerenciamento de Crise e Operações Especiais) e o Corpo de Bombeiros estiveram na aldeia.

Segundo a PF, as prisões são por conta de crimes que teriam acontecido durante a retomada da fazenda 3R e vão consolidar mais provas contra as lideranças.

A PF vai ainda elaborar ofício para o sistema presidiário do Estado porque a Polícia não tem custódia para manter os indígenas.

Retomada - Os índios da região são de etnia terena e avançaram na retomada da fazenda 3R em maio deste ano. Somente durante este episódio de retomada, os indígenas mantiveram refém o coordenador regional da Funai, Edson Fagundes e ainda o chefe do Meio Ambiente, Ricardo Araújo.

Desde então, mais de 2 mil indígenas ocupam a região.

Os terena lutam pela demarcação da terra indígena Buriti, correspondente a 17,2 mil hectares, reivindicada há décadas, mas que só foi identificada pela Funai em agosto de 2001.

Após a publicação do relatório de identificação, fazendeiros da região pediram na Justiça que fosse declarada a nulidade da identificação antropológica.

Depois de nove anos de espera, com a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de São Paulo, reconhecendo os direitos territoriais dos terena, foi publicada a portaria declaratória pelo Ministério da Justiça, com os limites da terra indígena Buriti.

De lá para cá, foram diversas movimentações do povo terena pedindo rapidez no julgamento dos processos e a conclusão das demarcações. Em Outubro de 2009, houve uma grande mobilização de retomada de terras, em que os terena acabaram sendo violentamente expulsos por ação da Polícia Militar do Estado em conjunto com fazendeiros, sem que houvesse ordem judicial para isso.




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